Sustentabilidade: Definir um caminho em tempos de incerteza

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Por Stravillia Sustainability Hub

A importância de implementar políticas e práticas sustentáveis tem vindo a crescer junto do tecido empresarial e dos consumidores, um pouco por todo o Globo. A 12ª edição do United Nations Global Compact-Accenture CEO Study, por exemplo, refere que cerca de 98% dos CEO concordam que a sustentabilidade é fundamental para sua função – uma opinião que contou com um crescimento de cinco pontos percentuais nos últimos 10 anos. Estes números estão em linha com as tendências globais de sustentabilidade monitorizadas pela Stravillia.

Num conhecido monólogo sobre o “Earth Day”, o comediante norte-americano George Carlin relembrava – por palavras um pouco mais directas – que, no que diz respeito às alterações climáticas: “O planeta ficará bem… as pessoas não”. Na Stravillia, embora reconheçamos que a questão é um pouco mais complexa do que a retratada no segmento de comédia de Carlin, também defendemos que é necessário alterar os discursos de sustentabilidade cujo foco se centra na realidade em que, inconscientemente, a “única vítima” é o planeta Terra.

É necessário humanizar o discurso sobre a problemática das alterações climáticas e sobre os efeitos que a falta de práticas sustentáveis tem, e terá, nos ecossistemas e na própria sociedade. A espécie humana é uma das que se encontra em risco de ser confrontada com casos extremos de falta de recursos para a sua sobrevivência condigna, se continuarmos a demorar demasiado tempo a adoptar soluções claras e concretas. Não podemos retirar-nos desta narrativa, nem das suas causas e consequências.

Percebemos, no entanto, que entre a urgência da teoria e a prática efectiva, existe uma realidade quotidiana onde empresas dos mais diversos tamanhos, áreas de actuação e geografias se veem divididas entre a necessidade de sustentabilidade financeira imediata e uma premente necessidade de adaptação ao que pode aparentar ser um “Tsunami Legislativo”. Tal situação pode criar uma nuvem de confusão e até reticência à efectiva aplicação das mudanças necessárias.

Regressando ao United Nations Global Compact-Accenture CEO Study, é possível perceber precisamente o relato destas discrepâncias e algumas das suas consequências. Numa época marcada pelo contexto geopolítico desfavorável e a pandemia da Covid-19, 93% dos CEO inquiridos afirma estar a enfrentar uma dezena ou mais de desafios simultâneos nos seus negócios. 87% alerta que os níveis actuais de interferências limitarão o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – note-se, aliás, que cerca de metade dos executivos mundiais afirma que os seus esforços de sustentabilidade foram de alguma forma prejudicados por motivo do ambiente geopolítico, principalmente nos países em desenvolvimento.

Se, por um lado, a urgência das metas dos ODS é inegável, também o é a necessidade de criação de mecanismos que permitam às empresas e à sociedade colocar em prática as várias medidas de sustentabilidade, buscando compensar alguns dos restantes aspetos contextuais negativos.

Desde políticas e legislação cada vez mais claras e uniformizadas sobre o tema, à disponibilização e dinamização de formação e consultoria especializada em sustentabilidade – nos vários níveis de ensino, dentro e fora da Academia e escolas, e dentro e fora de empresas públicas e privadas –, as necessidades são variadas e abrangem todos os sectores da sociedade mundial. Os próprios CEO, por exemplo, continuam ao longo das últimas edições do estudo a referir a importância de questões como o envolvimento dos governos em mudanças de políticas que priorizem objectivos mensuráveis a longo prazo, estruturas padronizadas de relatórios, um mercado global de carbono e mais incentivos para modelos de negócios sustentáveis. 

As iniciativas lançadas e dinamizadas, nos últimos tempos, pela União Europeia, como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), os European Sustainability Reporting Standards (ESRS), a Green Taxonomy e a Regulamentação dos Mercados Voluntários de Carbono, são exemplos de boas práticas, num caminho que urge continuar a ser feito por todos os responsáveis políticos e empresariais do Globo.

Se, por um lado, este momento pode ser sentido por vários dos nossos colegas e clientes como um momento de esmagadora indefinição e caos, a Stravillia gostaria de reforçar como pode ser, também, um momento crítico de definição do caminho que queremos percorrer daqui para a frente. É uma oportunidade para construir algo novo e melhorado.

Moçambique não é excepção. A Stravillia acredita que este momento de viragem pode (e deve) ser entendido e operacionalizado no país, tendo em conta toda a sua complexidade. Se de um lado as condições socioecónomicas, históricas e empresariais podem representar desafios acrescidos, por outro, a riqueza natural única de Moçambique, aliada às actuais (e previstas a curto prazo) circunstâncias socioeconómicas e necessidades energéticas a nível mundial, apresentam-se como uma oportunidade única de sintetizar e conjugar etapas num plano de desenvolvimento económico sustentável.

O mais importante é começar a percorrer este caminho.

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