Inflação Em Moçambique Pode Atingir 7,7% Em 2026 Com Impacto De Choques Externos

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Oxford Economics aponta guerra no Médio Oriente e desvalorização do metical como factores determinantes, enquanto Banco de Moçambique poderá subir taxa de juro

Questões-Chave:
  • Oxford Economics reviu previsão de inflação para 7,7% em 2026;
  • Revisão reflecte impacto da guerra no Médio Oriente e subida dos preços do petróleo;
  • Desvalorização do metical deverá pressionar preços internos;
  • Banco de Moçambique poderá elevar taxa de juro para 10,4%;
  • Inflação acumulada em 2024 fixou-se em 4,15%.

Revisão Em Alta Reflecte Novo Contexto Externo

A consultora Oxford Economics reviu em alta a previsão de inflação para Moçambique, estimando que a subida de preços poderá atingir 7,7% em 2026, num cenário marcado por pressões externas e cambiais.

Segundo a análise citada pela Lusa, a revisão decorre, sobretudo, dos efeitos da guerra no Médio Oriente e do impacto associado à subida dos preços internacionais da energia.

A previsão representa um agravamento significativo face à estimativa anterior de 4,8%, sinalizando uma deterioração do quadro inflacionário.

Câmbio E Energia Amplificam Pressões Sobre Preços

Para além do choque energético, a consultora antecipa uma desvalorização do metical, que deverá intensificar a pressão sobre os preços internos através do canal cambial.

Os analistas referem que “esta desvalorização exercerá uma pressão ascendente sobre os preços”, num contexto em que Moçambique permanece dependente de importações para bens essenciais.

A conjugação entre preços internacionais elevados e fraqueza cambial tende a amplificar o impacto sobre o custo de vida, particularmente nos bens alimentares e energéticos.

Política Monetária Sob Pressão Para Reagir

O novo cenário inflacionário coloca desafios adicionais à política monetária.

De acordo com a Oxford Economics, o Banco de Moçambique poderá ser forçado a subir a taxa de juro de referência para cerca de 10,4% até ao final do ano, como forma de conter a inflação.

A previsão surge após a decisão recente do banco central de manter a taxa em 9,25%, numa altura em que os riscos inflacionários já estavam a ser monitorizados.

Inflação Recente Mostra Tendência De Moderação, Mas Riscos Aumentam

Os dados mais recentes indicam que a inflação acumulada em 2024 se situou em 4,15%, abaixo dos 5,3% registados em 2023, sugerindo uma trajectória de moderação.

No entanto, este quadro poderá inverter-se rapidamente face ao agravamento do contexto externo e à materialização dos riscos identificados.

Estreito De Ormuz E Cadeias Logísticas No Centro Do Risco

A análise destaca ainda o impacto indirecto das tensões geopolíticas, nomeadamente o encerramento do Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos globais.

As disrupções nas cadeias logísticas e no comércio internacional poderão agravar os custos de importação, reforçando as pressões inflacionárias.

Entre Estabilidade De Preços E Crescimento Económico

O cenário delineado coloca o Banco de Moçambique perante um equilíbrio delicado entre controlo da inflação e manutenção do crescimento económico.

O eventual aumento das taxas de juro poderá contribuir para estabilizar os preços, mas também poderá encarecer o crédito e limitar a actividade económica.

Um Ano De Riscos Acrescidos Para A Economia

A revisão em alta da inflação reforça a percepção de que 2026 poderá ser um ano de maior pressão macroeconómica para Moçambique.

A evolução dos preços dependerá, em larga medida, de factores externos — nomeadamente a dinâmica do mercado energético global — mas também da resposta das políticas internas.

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