
Cura da crise imposta pela COVID-19 está no multilateralismo, integração e tecnologia
A União Europeia defende que o multilateralismo, a integração regional e o uso de meios tecnológicos podem ser as ferramentas indispensáveis para fazer face à crise económica imposta pela COVID-19 em África e em Moçambique. Antonio Sánchez-Benedito Gaspar, representante do maior parceiro de África em Moçambique, disse que estes três factores, claro, para salvarem a economia, devem estar combinadas com regras claras e a benefício de todos.
Foi durante o Webinar havido esta sexta-feira que a União Europeia e demais parceiros de cooperação, a frisar o Ministério da Indústria e Comércio, o Banco Africano de Desenvolvimento, CDD e o Standard Bank, discutiram soluções para os desafios criados pela COVID-19 no que concerne a queda no preço dos commodities e o seu impacto no continente africano.
O Embaixador da Delegação da União Europeia em Moçambique, Antonio Sánchez-Benedito Gaspar, entende que para os desafios globais são necessários, igualmente, soluções globais. “É necessário o multilateralismo”, defende Sánchez-Benedito. Em outras palavras, o diplomata defende um trabalho conjunto, ao mesmo tempo que chama atenção para que este multilateralismo seja acompanhado de regras claras e aplicáveis para todos. Em segundo lugar, o embaixador defende a integração em vez de isolamento e, assegura, “a Europa está disposta a colocar esta experiência em África e em Moçambique”. Finalmente, Sánchez Benedito olha o fim da crise através da tecnologia, digitalização e economia verde.

Fáusio Mussá – Administrador e economista-chefe do Standard Bank
Para o administrador e economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, o impacto da oscilação dos preços de commodities tem a ver com o nível de dependência de cada uma das economias em relação aos recursos naturais, e aos próprios commodities que sofreram esses efeitos negativos. Por isso é normal, defende Mussá, que se fale em África da importância de estratégias para a diversificação da economia. Para Mussá, a economia moçambicana está um pouco diversificada, com a agricultura a ocupar 20%, mas não se nota um peso substancial de outros sectores.
“Em Moçambique, apesar dessa relativa diversidade, há uma dependência nos commodities das receitas de exportação – carvão e alumínio”, assume, sustentando que “era bom se tivesse no seu portfólio de produtos de exportação mais produtos da indústria manufactureira e produtos acabados vindos de agricultura”.
“Num contexto em que a maior parte dos produtos que Moçambique exporta tem pouco valor acrescentado e são muito dependentes do sector de recursos naturais, sempre que houver uma grande oscilação no preço no mundo a economia está sujeita a sofrer um choque na balança de pagamentos”, anota.
Para Mussá, a diferença entre a queda nas receitas de exportação e a manutenção das despesas de importação faz com que a economia possa experimentar momentos em que há menos disponibilidade de moeda externa, o que cria provavelmente o ambiente do câmbio, da inflação. A partir do choque dos commodities, continua Mussá, temos um impacto na economia real, que depois se traduz no preço, nas taxas de juro e do ponto de vista de emprego.

Adriano Nuvunga – Presidente do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD)
O Presidente do Centro para Democracia e Desenvolvimento, Adriano Nuvunga, por sua vez, diz que África – Moçambique incluso – continua na rota da dependência e não se vislumbram novos paradigmas, mesmo com a crise decorrente da COVID-19 e da queda acentuada das commodities.
“Ao primeiro momento, Moçambique, Gana, Senegal e Uganada – países emergentes no mercado energético – correram para o FMI à procura de endividamento, mesmo estando no fundo em termos endividamento público”, realça Nunvunga, acrescentando que esses países estão, mais uma vez, a perder uma oportunidade de pensar num modelo de desenvolvimento africano que podia ser adoptado neste momento de crise.

Pietro Toigo – Representante residente em Moçambique do Banco Africano de Desenvolvimento em África (BAD)
O representante residente em Moçambique do Banco Africano de Desenvolvimento em África (BAD), Pietro Toigo, em relação ao que Adriano Nunvunga sugeria sobre o modelo de desenvolvimento africano, pensa que a integração e coordenação regional podem ser um pilar importante para o efeito. Pietro Toigo diz que o comércio transfronteiriço e o movimento das pessoas são as principais vítimas da COVID-19, sendo factores principais para integração económica.
“A nossa primeira prioridade como instituição pan-africana é assegurar a continuidade de abastecimento de bens essenciais e a protecção da cadeia de fornecimento continentais, sobretudo na protecção dos ‘corredores verdes’ para permitir o acesso ao comércio de bens alimentares de modo que haja segurança alimentar”. Ao mesmo tempo, descreve Toigo, estamos a trabalhar numa iniciativa de coordenação para abertura do mercado depois de lockdown, e nas próximas duas semanas esperamos divulgar o programa a nível da SADC.


















