
African Caucus Defende Financiamento de Infra-Estruturas Resilientes e Nova Arquitectura Financeira Global para o Desenvolvimento de África
- O fórum reúne ministros das finanças e governadores de bancos centrais africanos para articular posições comuns junto ao FMI e ao Banco Mundial;
- Tema central de 2025: “Financiar Infra-Estruturas Resilientes para o Desenvolvimento em África”;
- Memorando entregue ao Banco Mundial e FMI defende reforço da mobilização de recursos internos, eficiência do investimento público e financiamento inovador;
- Moçambique defende parcerias estratégicas em infra-estruturas e industrialização regional;
- O African Caucus consolida-se como principal voz política e técnica do continente nos fóruns de governação económica global.
O African Caucus 2025, que reuniu os Governadores Africanos do FMI e do Banco Mundial sob o lema “Financiar Infra-Estruturas Resilientes para o Desenvolvimento em África”, reafirmou a importância de uma nova abordagem global ao financiamento do desenvolvimento africano.
O encontro, que contou com a participação da Ministra das Finanças de Moçambique, Carla Loveira, e do Governador do Banco de Moçambique, destacou a necessidade de mobilizar recursos internos, atrair investimento privado e reformar a arquitectura financeira internacional para responder aos desafios do continente.
Um Fórum Estratégico Para a Voz de África
Criado em 1963, o African Caucus reúne os 54 Governadores Africanos do FMI e do Banco Mundial, constituindo-se como a principal plataforma de concertação económica e política de África nas instituições de Bretton Woods.
O fórum, que se reúne anualmente, tem como objectivo apresentar posições unificadas e propor soluções conjuntas para os desafios do desenvolvimento, financiamento e sustentabilidade macroeconómica do continente.
Em 2025, o encontro decorreu à margem das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, onde foi entregue um Memorando de Entendimento ao Presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, e à Directora-Geral do FMI, Kristalina Georgieva, sintetizando as preocupações e prioridades africanas.
África Reclama Uma Nova Arquitectura Financeira Global
O documento sublinha a urgência de reformar a actual arquitectura financeira global, considerada insuficiente para apoiar o crescimento sustentável e a transição energética africana.
Os Governadores Africanos apelam a um maior acesso ao financiamento concessional, à redução dos custos de endividamento, e ao reforço das capacidades fiscais e orçamentais dos Estados.
Entre as prioridades destacadas estão:
- Reforçar a mobilização de recursos internos através da modernização dos sistemas tributários e combate à evasão fiscal;
- Melhorar a eficiência do investimento público e garantir maior retorno social e económico das infra-estruturas;
- Atrair capital privado e fomentar parcerias público-privadas para infra-estruturas resilientes;
- Aumentar o espaço fiscal para proteger as despesas sociais e investir em sectores transformadores como energia, transportes, saúde e educação.
“Acreditamos que, combinando soluções inovadoras de financiamento com o reforço da capacidade fiscal e da eficiência do investimento público, podemos fazer de África um continente próspero”, afirmou o Presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em resposta ao memorando.
Moçambique Defende Investimento Estratégico e Industrialização Regional
Intervindo no encontro, a Ministra das Finanças de Moçambique, Carla Loveira, sublinhou a necessidade de reforçar investimentos em infra-estruturas sustentáveis e de integração regional, nomeadamente nos corredores logísticos e energéticos que ligam Moçambique aos mercados da África Austral.
A Ministra destacou que o financiamento de infra-estruturas resilientes é essencial para impulsionar a industrialização, reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade e criar emprego, defendendo uma cooperação reforçada entre os bancos multilaterais e o sector privado.
“Moçambique acredita que uma nova geração de investimentos estratégicos deve traduzir-se em crescimento inclusivo e transformação estrutural”, afirmou Carla Loveira.
Riscos Macroeconómicos e Climáticos No Centro da Agenda
O relatório do Caucus reconhece que os riscos climáticos, o endividamento elevado e a volatilidade dos mercados internacionais continuam a limitar o espaço orçamental dos países africanos.
Estima-se que o serviço da dívida absorva em média 15% das receitas fiscais em vários países de baixa renda, enquanto o crescimento médio regional ronda 3,5% — insuficiente para reduzir a pobreza e financiar o desenvolvimento sustentável.
Os Governadores apelam a que as instituições financeiras internacionais priorizem mecanismos de mitigação climática, fundos de adaptação e linhas de crédito de emergência para países vulneráveis a desastres naturais.
Cooperação, Tecnologia e Inovação Como Motores de Desenvolvimento
Para além do financiamento, o African Caucus de 2025 destacou o papel da inovação tecnológica, da digitalização e da economia verde como motores emergentes do crescimento africano.
O fórum defendeu políticas que integrem infra-estruturas digitais, sistemas financeiros inclusivos e energias renováveis, reduzindo a dependência de commodities e fortalecendo a economia produtiva.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), parceiro permanente do Caucus, anunciou programas regionais para apoiar infra-estruturas transfronteiriças, projectos de energia limpa e investimentos em capital humano.
O Caucus Africano Como Plataforma de Coordenação Continental
A actual conjuntura global — marcada por juros elevados, tensões comerciais e vulnerabilidades climáticas — reforça a relevância do African Caucus como mecanismo de coordenação estratégica entre as economias africanas.
Ao falar numa só voz perante o FMI e o Banco Mundial, África ganha capacidade de negociação, influência e visibilidade internacional.
O fórum reafirma, assim, o seu papel como instrumento de diplomacia económica e financeira, essencial para promover uma integração mais equitativa dos países africanos na economia global e garantir um modelo de financiamento justo, previsível e sustentável.
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