
Aumenta incerteza no sector de Oil & Gas
Além de enfrentar questões existenciais devido aos baixos preços e à crescente concorrência de fontes de energia mais limpas, a indústria petrolífera está a emergir, neste 2021, como um alvo primordial da política climática do Presidente Biden, abalando de modo notório os seus fundamentos.
Notícias sob diferentes perspectivas e origens, revelam que a indústria baseada em fontes fósseis irá experimentar importantes dificuldades nos próximos anos. A Reuters, nota que o Presidente dos Estados Unidos da América – EUA, Joe Biden, assinou, em janeiro último, um novo conjunto de acções executivas para combater as alterações climáticas, invertendo as políticas do seu antecessor republicano, Donald Trump, que procurou maximizar a produção de petróleo, gás e carvão dos EUA, removendo regulamentos e facilitando as revisões ambientais.
O conjunto de acções executivas compreende a suspensão de novos contratos de arrendamento de petróleo e gás em terras federais e o corte de subsídios aos combustíveis fósseis, enquanto prossegue as políticas verdes que ele classificou como um bónus para a criação de emprego.
Muitas das acções da Administração Biden, eram esperadas, mas a rapidez e a vontade que caracteriza essas acções da nova administração norte americana, que visam atingir a indústria, surpreenderam os seus líderes e analistas.
Em apenas duas semanas de governação, o democrata procedeu a suspensão de novos contratos de arrendamento de petróleo e gás em terras federais e ao corte de subsídios aos combustíveis fósseis. A concretização da sua agenda climática passa por escrutinar todas as operações de petróleo e gás, desde a forma como as empresas extraem recursos do solo até à segurança dos oleodutos que distribuem os combustíveis, bem como reduzir as emissões nocivas dos meios de transportes que usam combustíveis fosseis.
A agenda de Biden, rotulada ambiciosa, inclui a transição do país para 100% de energias renováveis para a produção de eletricidade até 2035 e emissões líquidas zero na economia global até 2050. Se por um lado as medidas de Biden para combater as alterações climáticas têm sido aplaudidas pelos parceiros internacionais e pelos ambientalistas, por outro, elas ameaçam a posição das “Big Oil”, que argumentam que as referidas medidas custariam milhões de empregos e milhares de milhões de dólares em receitas para a economia dos EUA, ainda abalada pela pandemia COVID-19.
Apesar de estas acções colocarem os EUA na frente no alcance de metas climáticas, elas apresentam sérias implicações económicas e sociais, principalmente em termos de emprego. A título de exemplo, a revogação da licença para o oleoduto Keystone XL do Canadá resultou no despedimento de 1000 trabalhadores, sendo que mais poderão seguir se as companhias petrolíferas não poderem continuar a perfurar em território federal.
No entanto, os democratas argumentam que tais questões estão acauteladas no seu plano climático que inclui 2 biliões de dólares em gastos , subsídios, empréstimos e incentivos fiscais que teriam de ser aprovados pelo Congresso — para ajudar os desenvolvedores de energia eólica e solar, fabricantes de baterias e as empresas de veículos elétricos, que o Biden diz terem potencial de empregar mais pessoas no futuro.
As repercussões da agenda climática de Biden extrapolam o solo americano, podendo afectar seriamente os países com economias dependentes da produção de combustíveis fósseis. Em uma entrevista ao Semanário Económico, Rufino Sitoe, analista político, referiu que, com a transição para fontes de energias limpas, “países como Moçambique vão perdendo, com o tempo, sua vantagem estratégica ao nível internacional”, apontando a diversificação da economia como um factor importante para fazer face a esta perda de vantagem estratégica no sector de Oil & Gas.
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