
Banco Central da África do Sul Mantém Taxa Directora em 6,75% Para Consolidar Meta de Inflação de 3%
Decisão do banco central sul-africano prolonga a pausa no ciclo monetário, apesar da valorização do rand e da forte subida dos preços do ouro, num contexto de riscos globais persistentes e de consolidação da nova meta de inflação de 3%.
- South African Reserve Bank mantém a taxa directora (repo rate) em 6,75%, preservando a taxa prime de crédito em 10,25%;
- Inflação homóloga fixou-se em 3,6% em Dezembro, com média projectada de 3,2% para 2025, próxima do novo objectivo central de 3%;
- Decisão dividida no Comité de Política Monetária evidencia prudência face à incerteza económica global;
- Valorização do rand e subida expressiva do ouro reforçam a posição externa da economia sul-africana;
- Banco central alerta para riscos associados à fragmentação do comércio global, tarifas externas e fragilidades fiscais internacionais.
O Comité de Política Monetária do South African Reserve Bank decidiu, na sua reunião de 29 de Janeiro, manter inalterada a taxa directora (repo rate) em 6,75%, prolongando a actual pausa no ciclo monetário num contexto marcado por incerteza global persistente, volatilidade nos mercados financeiros e sinais mistos na trajectória da inflação.
A decisão mantém a taxa prime de crédito em 10,25%, reflectindo uma abordagem prudente por parte do banco central sul-africano, que procura ancorar as expectativas de inflação em torno de uma nova referência estratégica de 3%, ligeiramente abaixo do intervalo histórico de 3%–6%.
Segundo o governador Lesetja Kganyago, a inflação média projectada para 2025 situa-se em 3,2%, um valor considerado “próximo do objectivo central” definido pela autoridade monetária. Em Dezembro, a inflação homóloga fixou-se em 3,6%, evidenciando uma trajectória de moderação, ainda que com riscos latentes.
A deliberação do Comité foi marcada por uma divisão interna: dois membros defenderam um corte de 25 pontos base, enquanto quatro votaram pela manutenção da taxa, sinalizando, segundo Kganyago, a inexistência de pensamento homogéneo e a complexidade do momento macroeconómico global.
Rand forte, metais em alta e riscos externos no radar
Um dos factores centrais do debate foi o desempenho recente do rand, que chegou a negociar abaixo da barreira psicológica dos 16 rands por dólar, beneficiando de um contexto internacional de enfraquecimento do dólar norte-americano e da forte valorização do ouro, que ultrapassou os 5.100 dólares por onça.
Kganyago sublinhou que a valorização da moeda sul-africana não resulta apenas de factores externos, mas também de “elementos de atracção”, como a dotação mineral do país e a credibilidade reforçada da política monetária após a adopção do novo objectivo de inflação.
A economista-chefe do First National Bank, Mamello Matikinca-Ngwenya, destacou ainda o impacto positivo da retirada da África do Sul da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (FATF) e da lista europeia de jurisdições de alto risco, num momento em que os preços do ouro, da prata e do níquel registam uma trajectória ascendente, reforçando as receitas de exportação e o emprego no sector mineiro.
Comércio global fragmentado e tarifas como risco doméstico
Apesar do contexto favorável nos mercados de metais, o governador do banco central alertou para fragilidades estruturais persistentes no sistema económico global, incluindo riscos associados a uma eventual bolha ligada à inteligência artificial, níveis elevados e insustentáveis de défices fiscais nos Estados Unidos, e a crescente fragmentação do comércio internacional.
Neste quadro, Kganyago apontou como risco específico a imposição recente de tarifas de 30% sobre exportações sul-africanas para os EUA, ilustrando o que descreveu como um “emaranhado” de acordos comerciais fora dos mecanismos multilaterais tradicionais.
Impacto económico e expectativas futuras
A manutenção da taxa de juro assegura, pelo menos no curto prazo, estabilidade nos encargos financeiros das famílias e empresas, adiando qualquer alívio directo nos custos do crédito. Ainda assim, responsáveis do sector financeiro admitem que a actual pausa poderá integrar um processo gradual de flexibilização monetária ao longo de 2026, caso a inflação continue a convergir para o objectivo definido.
O banco central reconhece que, apesar do bom desempenho da inflação de bens, a fase final do combate inflacionista se revela mais exigente, exigindo cautela adicional na condução da política monetária.
Tanzânia Deverá Assinar Projecto LNG de 42 Mil Milhões de Dólares Até Junho
27 de Janeiro, 2026Zimbabué Atinge Inflação de Um Dígito Pela Primeira Vez em Décadas
27 de Janeiro, 2026
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
LAM REDUZ PREÇO DE PASSAGENS EM 30%
25 de Maio, 2023
















