Brexit reorienta as relações comerciais entre Reino Unido e o resto do mundo

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A saída do Reino Unido da União Europeia poderá representar uma destruição criativa das relações comercias entre esta potência mundial e o continente africano.

Na verdade, o Reino Unido e África buscam, na sequência do BREXIT, inaugurar uma nova era das relações bilaterais comerciais reinventando formas de cooperação com vantagens mútuas decorrentes das oportunidades pós-Brexit.  

O peso global do comércio entre o Reino Unido e a União Aduaneira da África Austral e Moçambique totalizou 9,7 bilhões de libras em 2018, tendo aumentado em média 2,8% ao ano desde 2016.

Uma das das questões que preocupa a economia global tem a ver com o impacto do Brexit nas relações económicas entre o Reino Unido e o resto do mundo, Moçambique incluído.

Esperamos continuar a trabalhar com os nossos parceiros bilaterais, incluindo a UE, bem como outros parceiros como Moçambique com o objectivo de promover os nossos interesses mútuos”, assumiu Alexandra Sheppard, Alta Comissária-adjunta do Reino Unido em Moçambique.

Assim, para amenizar os impactos do Brexit sobre os países africanos, o Reino Unido assinou, em Outubro de 2019, um Acordo de Parceria Económica com a União Aduaneira da África Austral, nomeadamente: África do Sul, Botswana, Lesoto, Namíbia, Eswatini e Moçambique. O acordo comercial permitirá que empresas e consumidores britânicos se beneficiem do comércio continuado com estes países após o fim do período de transição.

Incluindo o supracitado, o Reino Unido garantiu acordos comerciais com outros países que representam 99 bilhões de libras, havendo mais de 2.000 empresas britânicas operando actualmente em África, um investimento global estimado em 36 mil milhões de libras. Mas há também 112 empresas africanas cotadas na Bolsa de Londres, com uma capitalização superior a 200 mil milhões de euros. Portanto, a capital britânica é o mais importante centro de negócios de África fora do continente, e Londres quer intensificar os laços com as bolsas africanas. Podendo, o Brexit, possibilitar mais espaço de manobra no que diz respeito ao continente africano.

 “Uma oportunidade para o Reino Unido sublinhar a nossa ambição de aumentar os vínculos comerciais com os nossos parceiros africanos, construindo um novo relacionamento mais forte e de longo prazo com base em comércio, investimento, valores em comum e interesses mútuos”, referiu Alexandra Sheppard.

Durante a recente Cimeira de Investimentos Reino Unido-África, o Reino Unido comprometeu-se, dentre outros aspectos, a ampliar o apoio ao sector agrícola moçambicano no valor de até 40 milhões de libras para os próximos cinco anos. O financiamento melhorará a participação do sector privado em áreas selecionadas da agricultura para promover maior resiliência climática, além de estimular o crescimento sectorial e a transformação da economia de Moçambique.

Alexandra Sheppard - Alta Comissária-adjunta do Reino Unido em Moçambique.

Alexandra Sheppard – Alta Comissária-adjunta do Reino Unido em Moçambique.

Este é um grande símbolo do nosso compromisso em aumentar os vínculos comerciais com Moçambique e este Programa também inclui uma componente de financiamento que vai ajudar a desenvolver mais o sector no futuro para os benefícios de Moçambique e do Reino Unido”, sublinhou Sheppard.

Importa salientar que o peso global do comércio entre Reino Unido e União Aduaneira da África Austral e Moçambique totalizou 9,7 bilhões de libras em 2018, tendo aumentado em média 2,8% ao ano desde 2016, constando que, depois da África do Sul, os países deste bloco com o maior valor comercial com o Reino Unido foram o Botsuana com 414 milhões de libras, Moçambique com 239 milhões de libras e Namíbia com 104 milhões de libras.

Apesar dos dados mostrarem uma tendência de recuo do investimento directo britânico no continente, que por sinal caiu 23% entre 2013 e 2017, colocando o Reino Unido abaixo dos EUA e depois da China e da União Europeia, a ambição do governo britânico é fazer do Reino Unido o maior investidor estrangeiro em África até 2022 entre os membros do G7, que inclui o Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e EUA. 

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