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  • Desaceleração acentuada e duradoura atingirá duramente os países em desenvolvimento
  • Há risco de, pela primeira vez em 80 anos, ocorrerem duas recessões na mesma década
  • Na África Subsaariana espera-se, em 2023-24, um crescimento da renda per capita, em média, de apenas 1,2%
  • No período 2022-2024, o investimento bruto nas economias emergentes deverão crescer cerca de 3,5% em média
  • Até o final de 2024, os níveis do PIB nas economias emergentes e em desenvolvimento estarão cerca de 6% abaixo dos níveis esperados antes da pandemia
  • Há apelos aos formuladores de políticas para que tomem medidas que acelerem o crescimento do investimento e reformas abrangentes

O crescimento global está a desacelerar acentuadamente diante da inflação elevada, taxas de juros mais altas, investimento reduzido e interrupções causadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, de acordo com o último relatório de Perspectivas Econômicas Globais do Banco Mundial.

O Relatório faz saber que, dadas as condições econômicas frágeis, qualquer novo desenvolvimento adverso – como inflação acima do esperado, aumentos abruptos nas taxas de juros para contê-la, ressurgimento da pandemia de COVID-19 ou tensões geopolíticas crescentes – podem levar a economia global à recessão, no que poderia vir a ser a primeira vez em mais de 80 anos que duas recessões globais ocorreram na mesma década.

As Perspectivas Económicas Globais do Banco Mundial, indicam que a economia global deverá 1,7% em 2023 e 2,7% em 2024, adiantando ainda que a forte desaceleração do crescimento deve ser generalizada, com previsões em 2023 revistas em baixa para 95% das economias avançadas e quase 70% dos mercados emergentes e economias em desenvolvimento.

O estudo detalha que nos próximos dois anos, o crescimento da renda per capita nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento é projectado para uma média de 2,8% – um ponto percentual abaixo da média de 2010-2019. Na África Subsaariana – que responde por cerca de 60% dos extremamente pobres do mundo – o crescimento da renda per capita em 2023-24 deve ser em média de apenas 1,2%, uma taxa que pode fazer com que as taxas de pobreza aumentem, e não caiam.

“A crise enfrentada pelo desenvolvimento está se intensificando à medida que as perspectivas de crescimento global se deterioram”, disse o Presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass. “Os países emergentes e em desenvolvimento estão enfrentando um período de vários anos de crescimento lento impulsionado por pesadas dívidas e investimentos fracos, à medida que o capital global é absorvido pelas economias avançadas que enfrentam níveis de dívida governamental extremamente altos e taxas de juros crescentes. A fraqueza no crescimento e no investimento empresarial irá agravar os já devastadores retrocessos na educação, saúde, pobreza e infraestrutura e as crescentes demandas das mudanças climáticas”.

Prevê-se que o crescimento nas economias avançadas desacelere de 2,5% em 2022 para 0,5% em 2023. Nas últimas duas décadas, desacelerações dessa escala prenunciaram uma recessão global. Nos Estados Unidos, prevê-se que o crescimento caia para 0,5% em 2023 – 1,9 ponto percentual abaixo das previsões anteriores e o desempenho mais fraco fora das recessões oficiais desde 1970. Em 2023, o crescimento da Zona Euro é esperado em zero por cento – uma revisão em baixa para 1,9 pontos percentuais. Na China, o crescimento é projectado em 4,3% em 2023, 0,9 ponto percentual abaixo das previsões anteriores.

Excluindo a China, espera-se que o crescimento nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento desacelere de 3,8% em 2022 para 2,7% em 2023, reflectindo uma demanda externa significativamente mais fraca, agravada por alta inflação, depreciação da moeda, condições de financiamento mais restritivas e outros ventos contrários domésticos.

Até o final de 2024, os níveis do PIB nas economias emergentes e em desenvolvimento estarão cerca de 6% abaixo dos níveis esperados antes da pandemia. Embora se espere que a inflação global diminua, ela permanecerá acima dos níveis pré-pandêmicos.

O relatório oferece a primeira avaliação abrangente das perspectivas de médio prazo para o crescimento do investimento em mercados emergentes e economias em desenvolvimento. No período 2022-2024, o investimento bruto nessas economias provavelmente crescerá cerca de 3,5% em média – menos da metade da taxa que prevaleceu nas duas décadas anteriores. O relatório apresenta um menu de opções para os formuladores de políticas acelerarem o crescimento do investimento.

“O investimento moderado é uma preocupação séria porque está associado a uma produtividade e comércio fracos e prejudica as perspectivas econômicas gerais. Sem um crescimento forte e sustentado do investimento, é simplesmente impossível fazer um progresso significativo na consecução de metas mais amplas de desenvolvimento e relacionadas ao clima”, afirmou.Ayhan Kose,Diretor do Grupo de Perspectivas do Banco Mundial. “As políticas nacionais para impulsionar o crescimento do investimento precisam ser adaptadas às circunstâncias do país, mas sempre começam com o estabelecimento de estruturas de política fiscal e monetária sólidas e com a realização de reformas abrangentes no clima de investimento.”

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