Expansão dos BRICS não tem como objectivo contrariar o Ocidente, afirma MNE da RSA

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  • BRICS pronunciar-se-á sobre o seu alargamento este mês;
  • Vinte e dois países pediram formalmente para se tornarem membros.

 Um anúncio previsto sobre a expansão dos BRICS na cimeira em Joanesburgo, no final deste mês, não tem como objectivo contrariar o Ocidente, que continua a ser um parceiro comercial crucial para a África do Sul, afirmou a o Ministra dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Naledi Pandor.

“Não creio que vejamos os BRICS como sendo pró-Rússia ou anti-ocidente. Penso que isso seria extremamente errado”, disse Naledi Pandor a jornalistas num briefing online na segunda-feira, 07 de Agosto.

“Já dissemos muitas vezes que os parceiros comerciais da África do Sul no Ocidente são muito importantes para o progresso económico da África do Sul”, disse a Ministra.

Os maiores parceiros comerciais da África são a China e os EUA. A África do Sul tem sido pressionada por estes últimos, a deixar de utilizar a Huawei Technologies Co. nas suas redes móveis, numa altura em que se intensifica a luta de Washington para suprimir as ambições tecnológicas da China. Os EUA também criticaram a África do Sul pela sua posição não-alinhada em relação à guerra na Ucrânia.

Os chefes de Estado do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estabelecerão critérios rigorosos para quem será autorizado a aderir ao bloco quando se reunirem de 22 a 24 de agosto, disse Pandor.

Vinte e duas nações pediram formalmente para se tornarem membros a tempo inteiro do grupo, e mais de 20 outras apresentaram pedidos informais.

Os BRICS, que convidaram a África do Sul a aderir em 2010, não conseguiram impor o seu peso como grupo. Isto é, apesar de os seus membros representarem mais de 42% da população mundial e serem responsáveis por 23% do produto interno bruto global e 18% do comércio, o que dá credibilidade às exigências de maior influência.

“Eu aconselharia a não adoptar qualquer tipo de critério de expansão que nos conduza a um caminho em que contribuamos para aumentar os conflitos na comunidade mundial”, afirmou Pandor. Não se trata, de forma alguma, de uma intenção de construir uma espécie de bloco anti-ocidental e espero que não transmitam essa intenção da nossa parte”, afirmou.

A Ministra disse ainda que a cimeira vai acabar com a narrativa de que os membros do BRICS continuam divididos quanto à expansão.

“Acho que não há mais necessidade de dizer que este é hesitante e este não é”, disse Pandor. “Penso que os países falarão por si próprios e a minha expectativa é que haja uma opinião final dos líderes, e espero que consigamos resolver este assunto”.

O Presidente da China, Xi Jinping, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, estarão presentes em pessoa, enquanto a Rússia será representada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o seu Presidente, Vladimir Putin, participará virtualmente.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, receberá o seu homólogo chinês para uma visita de Estado à margem da cimeira e poderá fazer o mesmo com o Primeiro-ministro da Índia.

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