
Instabilidade em Moçambique ameaça projectos multibilionários de GNL
A instabilidade política e social em Moçambique ameaça atrasar ainda mais os ambiciosos projectos de gás natural liquefeito (GNL) no País, conduzidos por gigantes do sector energético como ExxonMobil, TotalEnergies e ENI. Desde os conflitos na província de Cabo Delgado até aos recentes protestos pós-eleitorais, o ambiente de incerteza lança dúvidas sobre o futuro de investimentos avaliados em dezenas de mil milhões de dólares. Segundo Hieronymus Bosch, em artigo publicado no Baird Maritime, a violência, o conflito político e a falta de estabilidade são factores determinantes para os atrasos e riscos associados a estes tipos de projectos.
Os desafios dos projectos de GNL
Moçambique possui uma das maiores reservas de gás natural de África, mas os atrasos nos projectos continuam a destacar as dificuldades enfrentadas pelos investidores. O Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, prevê uma capacidade de produção de 18 milhões de toneladas de GNL por ano e tecnologias inovadoras para redução de emissões. Contudo, como aponta Bosch, a instabilidade impede o progresso, perpetuando o ciclo de pobreza e dificultando o acesso aos recursos naturais.
A fonte, recorda que, a TotalEnergies, por sua vez, interrompeu o seu projecto Mozambique LNG após o ataque insurgente de 2021 em Palma, que resultou em centenas de mortes e deslocamento de milhares de pessoas. De acordo com Baird Maritime, o reinício dos trabalhos permanece condicionado à estabilização da segurança em Cabo Delgado, algo ainda incerto.
Impactos da violência pós-eleitoral
A violência que eclodiu após as eleições presidenciais de Outubro agravou ainda mais o cenário. Protestos violentos contra a alegada fraude eleitoral foram reprimidos com força, resultando em dezenas de mortes e milhares de detenções. Bosch observa que a instabilidade política mina a confiança dos investidores e dificulta os esforços para atrair os bilhões de dólares necessários para os projectos.
Como mencionado por Hieronymus Bosch, a situação em Moçambique é um lembrete claro de que os recursos naturais por si só não garantem o desenvolvimento económico. É necessário estabilidade política, segurança e uma gestão transparente dos recursos para que os projectos de GNL possam trazer benefícios reais à população. Enquanto os investidores aguardam condições mais favoráveis, o potencial transformador do gás natural permanece bloqueado.
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