Petróleo Sobe Com Fecho Do Estreito De Ormuz E Escalada Da Guerra No Médio Oriente

0
89

Brent ultrapassa 103 dólares por barril enquanto investidores temem interrupções prolongadas na oferta global de energia

Questões-Chave:
  • O Brent fechou nos 103,14 dólares por barril, enquanto o WTI atingiu 98,71 dólares;
  • A subida ocorre num contexto de continuação do fecho do Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio mundial de petróleo;
  • O Brent acumulou uma valorização superior a 11% desde 6 de Março;
  • Os EUA autorizaram temporariamente compras de petróleo russo retido no mar para aliviar pressões no mercado;
  • A Agência Internacional de Energia anunciou a libertação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais.

Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir no final da semana, impulsionados pela continuidade do encerramento do Estreito de Ormuz, num contexto de intensificação das tensões militares no Médio Oriente.

De acordo com a Reuters, os contratos futuros do petróleo registaram ganhos expressivos na sessão de sexta-feira, com o Brent para entrega em Maio a fechar nos 103,14 dólares por barril, uma subida de 2,67%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) terminou nos 98,71 dólares, avançando 3,11%.

A valorização ocorre duas semanas após o início da escalada militar na região, num momento em que os mercados procuram avaliar o impacto do conflito na oferta global de energia.

Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações

O fecho do Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde circula uma parte substancial do comércio global de petróleo, continua a ser um dos principais factores de volatilidade no mercado energético.

Segundo a Reuters, os preços chegaram a recuar temporariamente após um relatório incorrecto indicar que um petroleiro com bandeira indiana teria atravessado o estreito. No entanto, quando se confirmou que o navio tinha partido de Omã e não transitado pela rota bloqueada, os preços voltaram rapidamente a subir.

Este episódio ilustra a elevada sensibilidade do mercado a qualquer sinal relacionado com a reabertura ou manutenção do bloqueio desta via estratégica.

Medidas dos EUA procuram aliviar tensões no mercado energético

Num esforço para reduzir as pressões sobre os preços da energia, os Estados Unidos anunciaram medidas destinadas a facilitar a circulação de petróleo russo que se encontra retido no mar.

Segundo a Reuters, Washington emitiu uma licença temporária de 30 dias permitindo a compra de petróleo russo já carregado em navios, numa tentativa de aliviar a tensão nos mercados energéticos globais.

De acordo com Kirill Dmitriev, enviado presidencial russo citado pela agência, esta decisão poderá afectar cerca de 100 milhões de barris de petróleo, volume equivalente a quase um dia da produção mundial.

Ainda assim, especialistas sublinham que a medida tem sobretudo um efeito logístico.

O analista de matérias-primas do SEB, Bjarne Schieldrop, citado pela Reuters, afirmou que “o petróleo russo já estava a caminho de compradores; esta decisão não acrescenta novos barris ao mercado, mas reduz alguma fricção nas transacções”.

 

Libertação de reservas estratégicas tenta conter subida dos preços

Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram também a libertação de 172 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica, numa operação coordenada com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a Reuters, os países membros da organização concordaram em disponibilizar um total recorde de cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas, numa tentativa de estabilizar o mercado energético global.

Contudo, analistas alertam que o impacto destas medidas poderá ser limitado caso o conflito se prolongue.

Analistas alertam para risco de danos duradouros na oferta

Para os mercados energéticos, o principal risco continua a ser a possibilidade de danos em infra-estruturas petrolíferas na região.

“O mercado começa a ficar muito preocupado com a possibilidade de esta guerra durar mais tempo”, afirmou Bjarne Schieldrop, acrescentando que o maior receio é que ocorram danos severos em infra-estruturas petrolíferas que provoquem uma perda duradoura de oferta global.

Numa nota de mercado citada pela Reuters, o analista da IG, Tony Sycamore, observou que o alívio temporário gerado pela libertação de reservas estratégicas foi rapidamente anulado pela nova escalada dos riscos geopolíticos no Médio Oriente.

Num contexto de elevada incerteza, a evolução do conflito e o funcionamento das rotas energéticas da região deverão continuar a desempenhar um papel determinante na trajectória dos preços do petróleo e na estabilidade da economia global.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.