“Queremos Abrir Mais o País aos Negócios”, Afirma Presidente Chapo no Fim da Visita aos EAU

0
150

Chefe do Estado apresenta visão estratégica de Moçambique em Abu Dhabi, destaca gás, energia, logística e mineração, e apela a investimento privado dos Emirados Árabes Unidos como motor do crescimento e diversificação económica.

Questões-Chave:
  • Moçambique posiciona-se como destino prioritário de investimento dos EAU em energia, logística, mineração, agricultura e turismo;
  • O país integra o top 10 mundial em projectos de FLNG, com investimentos estimados em cerca de 50 mil milhões de dólares;
  • O Governo defende reformas para reduzir burocracia, proteger investidores e acelerar a digitalização da administração pública;
  • Empresas dos EAU manifestaram interesse concreto em investimentos de grande escala, alguns com arranque previsto ainda em 2026.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, no termo da sua visita oficial aos Emirados Árabes Unidos (EAU), que Moçambique pretende “abrir mais o país aos negócios”, assumindo a atracção de investimento privado estrangeiro como um eixo central da estratégia de desenvolvimento económico. A declaração foi feita em Abu Dhabi, à margem da Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026, onde o Chefe do Estado apresentou a visão estratégica do país a investidores, decisores políticos e líderes empresariais internacionais .

Durante uma mesa redonda empresarial EAU–Moçambique, Daniel Chapo destacou o potencial económico do país e sublinhou que o Governo está empenhado em criar um ambiente de negócios mais previsível, competitivo e transparente. “O objectivo do Governo é abrir o país ao negócio e continuar a combater a corrupção”, afirmou, apontando reformas em curso para eliminar intermediações excessivas e entraves burocráticos à actividade económica.

Energia e gás no centro da proposta moçambicana

No domínio energético, o Presidente sublinhou que Moçambique se encontra entre os dez maiores países do mundo em projectos de gás natural liquefeito flutuante (FLNG), com quatro grandes empreendimentos em curso, incluindo os projectos Coral Sul e Coral Norte, liderados pela ENI, bem como iniciativas associadas à TotalEnergies e à ExxonMobil. Segundo o Chefe do Estado, estes projectos representam investimentos estimados em cerca de 50 mil milhões de dólares nos próximos anos, com impacto directo no crescimento económico.

Paralelamente, Daniel Chapo reiterou a ambição de Moçambique se afirmar como hub regional de electricidade na SADC, tirando partido do seu vasto potencial hidroeléctrico — com destaque para Cahora Bassa e o projecto Mphanda Nkuwa, com capacidade prevista de cerca de 1.500 megawatts —, bem como das oportunidades na energia solar, num contexto de transição energética. “Nós queremos ser um hub energético na região da SADC”, afirmou, apelando a parcerias com investidores dos EAU .

Logística, mineração e industrialização como pilares de diversificação

No sector dos transportes e logística, o Presidente destacou a importância estratégica dos portos de Maputo, Beira e Nacala como eixos dos corredores regionais, defendendo investimentos na modernização e expansão da capacidade portuária. A digitalização dos portos foi identificada como um factor-chave para a competitividade, num processo que já decorre em Maputo e deverá estender-se às restantes infra-estruturas portuárias.

A mineração surgiu igualmente como área prioritária, com referência a minerais críticos como o grafite, bem como ao ouro, enquadrados numa visão de industrialização e criação de valor local. Neste contexto, representantes empresariais dos EAU manifestaram interesse concreto em investimentos no sector. O Director de Desenvolvimento de Negócios da AUM, Sorin Teodorescu, revelou discussões avançadas para a construção de refinarias de ouro em Moçambique, garantindo que a decisão de investir já foi tomada e que o projecto é visto como estratégico para África .

Também a Red Flag Industrial, segundo o seu PCA Wissam Baloul, mostrou-se disponível para investimentos de grande escala em múltiplos sectores, incluindo saúde, infra-estruturas, habitação, energia solar e cibersegurança, admitindo que alguns projectos possam arrancar já no final de Fevereiro.

Reformas, previsibilidade e cooperação bilateral

No plano institucional, Daniel Chapo salientou que o Governo iniciou reformas para proteger investidores, simplificar procedimentos e avançar com a digitalização da função pública, de modo a reduzir custos de contexto e acelerar a concretização de negócios. Referiu ainda o desenvolvimento de sistemas digitais para vistos, constituição de empresas e comunicação entre os sectores público e privado.

A visita permitiu igualmente consolidar relações políticas e diplomáticas. Durante os encontros bilaterais, Moçambique identificou áreas prioritárias de cooperação com os EAU, incluindo energia, logística, recursos minerais, agricultura, saúde, educação, economia azul e industrialização. Foram assinados cinco instrumentos de cooperação, reforçando o quadro institucional da parceria bilateral .

Um sinal político claro ao investimento externo

No balanço final, o Presidente considerou a visita “bastante positiva”, sublinhando que o desafio passa agora por dar seguimento efectivo às prioridades definidas. A mensagem transmitida em Abu Dhabi é clara: Moçambique procura posicionar-se como destino preferencial de investimento no Sul Global, combinando recursos naturais, localização estratégica e uma agenda de reformas orientada para o crescimento económico sustentável e inclusivo.

Num contexto internacional marcado por concorrência crescente por capital e por investimentos de longo prazo, a ofensiva diplomática e económica junto dos Emirados Árabes Unidos representa um passo relevante na estratégia do Governo para recolocar Moçambique no radar dos grandes investidores globais, com foco na transformação estrutural da economia.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.