
“Repensar O Desenvolvimento” Reacende Debate Nacional E Convoca Estado, Academia E Sociedade Para Uma Viragem Estrutural
Obra de Salim Valá mobiliza reflexão estratégica sobre o modelo económico, com o Presidente Daniel Chapo a defender reformas profundas e académicos a desafiarem paradigmas dominantes
- Livro propõe revisão estrutural do modelo de desenvolvimento económico;
- Presidente da República defende transição do crescimento para desenvolvimento inclusivo;
- Estado é reposicionado como agente central da transformação;
- Academia introduz leitura crítica sobre capacidade e papel do Estado;
- Educação, instituições e desenvolvimento endógeno surgem como pilares.
Uma Obra Que Reposiciona O Debate Sobre O Desenvolvimento
O lançamento da obra Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado: Dilemas, Desafios e Tendências, da autoria de Salim Valá, assume-se como um momento de densidade intelectual e relevância estratégica no contexto moçambicano.
Mais do que um contributo académico, o livro afirma-se como uma intervenção estruturada no debate público, questionando pressupostos, desafiando consensos e propondo uma reconfiguração do modelo de desenvolvimento económico do país.
Presidência Da República Aponta Para Viragem Estrutural
A centralidade política do momento foi evidenciada pela intervenção do Presidente da República, Daniel Chapo, que enquadrou a obra no contexto das prioridades nacionais.
O Chefe do Estado defendeu a necessidade de uma transição clara do crescimento económico para o desenvolvimento inclusivo, sublinhando que o país deve adoptar reformas estruturais e um novo “mindset” orientado para resultados sustentáveis .
Ao distinguir crescimento de desenvolvimento, o Presidente reforçou uma das ideias estruturantes da obra, destacando que o foco deve ser qualitativo e centrado no bem-estar social.
Estado No Centro Do Debate: Entre Crítica E Reafirmação
A intervenção do apresentador da obra, João Pereira, introduziu uma dimensão crítica particularmente relevante, ao enquadrar o livro num contexto em que o pensamento dominante tende a defender a redução do papel do Estado.
Segundo o académico, a obra de Salim Valá rompe com essa visão, ao defender que o problema não reside na presença do Estado, mas na sua capacidade.
o desenvolvimento depende não apenas de políticas, mas da capacidade do Estado para as implementar com competência e eficácia
Esta leitura reposiciona o debate, deslocando-o do “tamanho” do Estado para a sua qualidade institucional.
Um Manifesto Em Defesa De Um Estado Capaz E Empreendedor
Na mesma linha, João Pereira interpreta a obra como um verdadeiro manifesto em defesa de um Estado empreendedor, capaz de liderar processos de transformação económica.
um Estado com recursos humanos competentes, instituições sólidas e cultura orientada para resultados é condição essencial para o desenvolvimento sustentável
Esta abordagem desafia a dicotomia tradicional entre Estado e mercado, propondo uma lógica de complementaridade estratégica.
Mussagy: Uma Obra Densa, Reflexiva E Inconformada
A leitura de Ibraimo Hassane Mussagy, outro apresentador, acrescenta profundidade académica à compreensão da obra, destacando o seu rigor metodológico e o carácter reflexivo.
Segundo o académico, o livro apresenta “textos reflexivos, com rigor metodológico” e aborda “várias controvérsias sobre o Estado e modelos de desenvolvimento”, assumindo um pensamento que, embora “nem sempre cómodo, é necessário para promover a mudança”
Mussagy enfatiza ainda que a obra não se limita a descrever crises, mas procura extrair lições e identificar oportunidades de transformação, num contexto global marcado por incerteza.
Instituições, Educação E Capital Humano Como Fundamentos
Outro elemento central destacado na apresentação é o papel das instituições económicas inclusivas, da educação e da inovação como motores do desenvolvimento.
A obra sublinha que os recursos naturais não constituem, por si só, uma garantia de desenvolvimento, sendo necessária uma base institucional sólida que crie incentivos para investimento, produtividade e transformação económica
Neste quadro, a educação assume um papel estruturante, devendo ser orientada para as necessidades do sector produtivo e para a promoção da inovação.
Ferrão: Educação Como Ecossistema Do Desenvolvimento
Jorge Ferrão Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, reforça esta dimensão, ao enquadrar o debate no papel da educação enquanto ecossistema integrado.
O académico sublinhou a necessidade de articular ensino superior, técnico e secundário numa lógica sistémica, alinhada com os desafios do desenvolvimento e com a necessidade de inclusão social
Esta perspectiva amplia o alcance da obra, ligando o debate económico à formação de capital humano.
Desenvolvimento Endógeno E Centralidade Das Escolhas
Um dos eixos estruturantes do pensamento de Salim Valá é a defesa de um modelo de desenvolvimento endógeno, assente nas capacidades internas do país.
A obra convoca questões fundamentais sobre o crescimento: crescer para quê, como e para quem, sublinhando que o desenvolvimento exige escolhas conscientes e orientadas para a inclusão.
Entre Diagnóstico, Crítica E Proposta: Um Debate Que Se Amplia
A convergência entre as intervenções do Presidente da República, dos académicos e do próprio autor confere ao momento uma densidade rara.
O livro não apenas diagnostica fragilidades estruturais, como também desafia paradigmas dominantes e propõe uma agenda de transformação económica.
Um Convite À Reflexão E À Acção
O lançamento da obra ocorre num momento particularmente exigente para a economia moçambicana, marcado por desafios fiscais, cambiais e estruturais.
Neste contexto, o livro posiciona-se como um convite à reflexão colectiva e à redefinição das bases do desenvolvimento nacional.
Entre Consenso E Ruptura: Um Novo Ciclo De Debate
Em última análise, Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado afirma-se como um marco no debate contemporâneo em Moçambique.
Não por oferecer respostas definitivas, mas por recolocar as questões estruturais no centro da agenda nacional e convocar Estado, academia e sociedade para uma nova etapa de reflexão e acção.
Porque, no limite:
o desenvolvimento não é automático — é uma construção que exige visão, instituições e capacidade de execução.





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