
Reposicionar o debate sobre o desenvolvimento económico colocará na centralidade o papel da BVM na integração económica
“As Bolsas de Valores, sendo instituições basilares nas economias de mercado florescentes e vectores incontornáveis da globalização económica, podem assumir, a médio prazo, o papel de poderosos motores de promoção da integração económica dos PALOP´s e ferramenta de eleição para a atracção de investimentos para os nossos países”, afirmou Salim Valá durante o Painel dedicado a abordar o “Papel do Mercado de Capitais para a Integração Económica Africana”, na Conferência dos 25 Anos da Bolsa de Valores de Cabo Verde, realizada na Cidade da Praia, no dia 11 de Maio corrente, cuja tónica dominante foi o Financiamento Sustentável e o Papel da Inovação.

PCA da BVM, Salim Valá
O PCA da BVM referiu que as Bolsas de Valores sendo plataformas alternativas de financiamento, um mecanismos de promoção da poupança e o seu direccionamento para o sector produtivo, devem contribuir para alterar o paradigma e a narrativa do sistema económico, e particularmente do sistema financeiro, hoje muito afectado por crises económico-financeiras, pelo aumento da taxa de inflação e das taxas de juros, pelo incremento dos risco de crédito e pelo facto de a economia real estar a enfrentar dificuldades crescentes no acesso ao financiamento em condições favoráveis.
Valá afirmou: “não podemos ficar ´impávidos e serenos perante o grito da classe empresarial´ no sentido do sistema financeiro responder à demanda com “iniciativas ousadas e fora da caixa´ visando fornecer o oxigénio para as empresas implementarem os seus projectos de investimento. A cooperação estratégica entre Moçambique, Cabo Verde e Angola, numa acção focada nas Bolsa de Valores, pode gerar o efeito disruptivo de resolver problemas concretos de financiamento e contribuir para aumentar a dimensão do mercado, estimular a emergência de novas oportunidades para as empresas do espaço PALOP´s e a diversificação produtos, serviços e instrumentos financeiros em benefício dos nossos países.”
O responsável da BVM afirmou que as nossas Bolsas de Valores são ainda de pequena dimensão, com baixa liquidez e volume de negócios, e com reduzida profundidade. No caso específico de Moçambique, temos uma capitalização bolsista, em termos absolutos, de acima de 2.700 milhões de USD, representando 25,77% do PIB do país e com 13 empresas listadas. Apesar de reconhecer o crescimento significativo da BVM nos últimos anos, nós não estamos confortáveis com essas métricas. A nossa intervenção tem em vista fazer da Bolsa de Valores um efectivo barómetro da economia e que ajude os empresários a potenciar a governação corporativa, a produzir mais e melhor, a alavancar a produtividade e a rentabilidade das empresas, a gerar mais empregos e renda para as famílias e ampliar a base tributária. Queremos ser a placa giratória e o centro nevrálgico permite lubrificar e viabilizar negócios inclusivos e com ética.
A nossa estratégia de proximidade em relação às empresas e aos investidores, tem feito estabelecer parcerias com várias organizações empresariais, reforçamos a nossa acção na implementação de um robusto programa de educação financeira, estabelecemos uma nova abordagem de interação com os nossos clientes através do uso das tecnologias e criamos o Terceiro Mercado de Bolsa, para não deixar de fora da bolsa as PME´s e as “start ups”, que representam cerca de 98% da paisagem empresarial moçambicana.
Salim Valá destacou que o Memorando de Entendimento rubricado em 2022, em Maputo, entre a BVM, BVC e BODIVA está em implementação, e já temos estado a colher resultados no que tange a experiências de gestão, na literacia financeira, na capacitação de recursos humanos e na introdução de novos produtos e serviços financeiros. Mas temos de ser mais assertivos para explorar, na plenitude, as oportunidades igualmente existentes, incluindo no domínio do incremento tecnológico, no aprimoramento do quadro normativo, no domínio das boas práticas de intermediação, nas experiências de regulação e supervisão do mercado de capitais, nas estratégias de atracção de investidores estrangeiros e no fomento à internacionalização das empresas.
Referindo-se à alguns progressos alcançados, Salim Valá apontou que nos últimos anos introduzimos o Índice de Bolsa, o Impresso Digital para Compra e Venda de Acções, foram feitas reformas na Central de Valores Mobiliários (CVM), Introduzimos as Premiações BVM, lançamos o Aplicativo Móvel e o “Dashboard” da BVM, automatizamos o Boletim de Cotações da BVM e lançamos o Portal do Investidor, inauguramos a Biblioteca da BVM e, mais recentemente, lançamos as Jornadas Científicas sobre Mercado de Capitais e Bolsa de Valores. Essas acções tem em vista permitir uma maior interacção com as empresas e os investidores e usar as tecnologias como um meio para ampliar o impacto, a abrangência e garantir a sustentabilidade das nossas intervenções.
O PCA da BVM enfatizou que a parceria estratégica comporta muitas vantagens e oportunidades (como ampliar o mercado, reduzir os custos de transacção, aumentar a liquidez e o volume de negócios, dinamizar o mercado secundário, atrair investidores e internacionalizar as empresas, promover a boa governação corporativa entre outros), mas também existem desafios como, por exemplo, alterar a cultura financeira muito dominada pelo sistema bancário, melhorar os incentivos à intermediação e às emitentes, melhorar a qualidade da procura dos produtos do mercado de capitais, harmonizar o quadro regulamentar e empreender as reformas tecnológicas pertinentes.
Num outro desenvolvimento, Salim Valá enfatizou que Moçambique está empenhado na implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e da Agenda 2030 da ONU, muito focada nas questões climáticas e na sustentabilidade inter-geracional, na Agenda 2063 da União Africana, que preconiza a mudança estrutural das economias africanas através da industrialização, tendo destacado que persistem desafios no financiamento ao desenvolvimento sustentável e equitativo dos países. É nesse contexto que temos estado a trabalhar afincadamente para a introdução de novos instrumentos financeiros, como as Obrigações Sustentáveis, Obrigações Municipais, Certificados de Depósito, Obrigações de Rendimento, entre outros, que oportunamente iremos lançar para o mercado.
Falando para uma audiência repleta de empresários e investidores, mas também de representantes do Governo e do Estado, de parceiros de cooperação, instituições financeiras, académicos, entre outros, o PCA da BVM destacou a recuperação económica de Moçambique após a turbulência devido a crise económica global, aos efeitos da pandemia da COVID-19 e do abalo das cadeias de produção e distribuição agravadas pelo conflito geoestratégico no Leste Europeu, que está a ganhar um novo ímpeto no último ano.
Em 2022, o crescimento do PIB foi de 4,15% (prevendo-se que alcance 5% em 2023), a inflação em Março de 2023 foi de 9,3% e a taxa de câmbio tem sido estável desde meados de 2021, apesar da desaceleração económica desde 2016, dos efeitos dos eventos climáticos extremos, e das incertezas e riscos gerados por uma conjuntura económica global desafiante.
Salim Valá chamou a atenção para o risco de não mudar a nossa abordagem perante uma situação concreta em que o mundo, a sociedade e a economia estão a mudar, e de forma rápida. O orador salientou que “com mercados de capitais mais amplos e Bolsas de Valores mais dinâmicas e melhor integradas, as nossas economias poderão ser mais robustas e prósperas, menos dependentes da ajuda externa e muito mais resilientes aos choques externos. Não obstante o facto dos mercados bolsistas dos nossos países continuarem a ser estreitos e ilíquidos, podem oferecer no futuro múltiplas oportunidades para o financiamento, poupança e investimento, sobretudo tendo em conta as probabilidades que os PALOP´s tem a seu favor, se adequadamente puderem beneficiar das megatendências como as alterações demográficas, tecnológicas, ambientais e a rápida urbanização”.
A finalizar a sua intervenção, Salim Valá convidou os empresários e investidores cabo-verdianos a irem a Moçambique abrir empresas, investir e aproveitar as oportunidades económicas existentes, explorando o mercado da SADC de mais de 260 milhões de pessoas, e apostar em diversas actividades económicas, como a agricultura e pescas, turismo e áreas de conservação, energia, infraestruturas, transportes e comunicações, indústria transformadora, recursos minerais e hidrocarbonetos, comércio interno e transfronteiriço, serviços financeiros, indústrias culturais e criativas, saúde, tecnologias e diversos outros serviços e sectores.
“A BVM tem em vista ser o epicentro de negócios geridos com transparência e um elemento propulsor para o empoderamento económico dos empresários e investidores, incluindo a classe empresarial de Cabo Verde e Angola”. Concluiu
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