Síntese analítica dos mercados financeiros e das commodities

Conjuntura do Mercado Financeiro & Commodities
Semana de 09 a 13 de Agosto de 2021
- Mantém-se a tendência depreciativa branda do Metical face ao Dólar. Com efeito, o metical depreciou em apenas 0.03%, saindo de 63.64 no fecho da ultima sessão semanal, para 63.66 meticais por uma unidade do dólar, no fecho desta sessão semanal.
- A manutenção das taxas de juros em alta, conjugada com o incremento do volume da oferta de liquidez em Dólar no mercado cambial, provenientes da tendência de aumento das compras de divisas dos Bancos Comerciais, estão a contribuir para este ritmo de depreciação do Metical.
- Dados macroeconómicos positivos relativos ao mercado laboral Norte-americano, impulsionam a valorização do Dólar.
- O Governo cumpriu 48% das metas estabelecidas no Plano Económico e Social no primeiro semestre de 2021.
- A relativa estabilidade macroeconómica interna permitiu o aumento das Reservas Internas Líquidas para 6 meses de cobertura e a estabilidade da inflação ao situar-se, em média, em 4,16%, abaixo dos 5% previstos para o ano de 2021.
- As taxas médias dos principais instrumentos de dívida estão fixadas a 12,98% para as OT´s (Obrigações de Tesouro) e a 14,75% para as OP´s (Obrigações Privadas). No que diz respeito ao Mercado das Acções, nos extremos em termos de cotações situa-se a empresa REVIMO com o maior preço de MZN 12.750,00 e as empresas 2Business e HCB com os menores preços de MZN 1,00 e MZN 2,30, respectivamente.
- Dados e perspetivas macroeconómicas norte-americanas colocam uma pressão negativa sobre o ouro, fazendo com que o metal amarelo fosse transacionado em baixa.
- Restrições de viagens no continente Asiático, para a contenção do alto nível da propagação da variante Delta do COVID-19 juntamente com a valorização do Dólar impulsionam negativamente os preços do petróleo.
II. Desenvolvimento analítico
II.I Mercado Cambial Doméstico
À semelhança das semanas anteriores, a dificuldade que existe em suprir a excessiva demanda por Dólares no mercado Nacional, para a efetivação de pagamentos de bens e serviços importados, continua a colocar uma pressão de depreciação sobre o Metical em relação ao Dólar norte-americano. Observando o câmbio médio de referência dos bancos USD/MZN, o Metical depreciou em apenas 0.03%, igualmente à semana antecedente, saindo de 63.64 no fecho da ultima sessão semanal, para 63.66 Meticais por uma unidade de Dólar, no fecho desta sessão semanal.

Por um lado, este abrandamento no ritmo de desvalorização da moeda nacional face ao Dólar, é justificado pelo incremento da oferta de liquidez em Dólar no mercado cambial, justificado pelo aumento do volume das compras de divisas dos Bancos Comerciais com o Público.

II.II Mercado Cambial Internacional
O índice do dólar atingiu os 93 pontos, o que marca uma apreciação, substancial, bastante notável do dólar face as seis moedas mais transacionadas nos Mercados. O dólar foi transacionado em alta nas negociações da terça-feira, em parte, por conta de uma série de divulgações positivas referentes a dados do mercado laboral nos EUA. Estes anúncios solidificaram as expectativas de que o Fed poderá em breve começar a reduzir o seu massivo estímulo à economia impulsionado pelo coronavírus. Refira-se que a remoção dos estímulos à economia e contração da política monetária representará uma redução no volume de dólares em circulação no mercado norte americano, o que terá como efeito a valorização do Dólar. Portanto, a presente valorização do Dólar, representa a reação antecipada dos Mercados em relação a apreciação do Dólar causada pela possível remoção dos estímulos a economia, num futuro próximo.

Das seis moedas que compõem o Índice do Dólar, o Euro foi a que mais se destacou, tendo esta moeda depreciado face ao Dólar para níveis de 1.1730 (Dólares por um Euro), atingindo assim, um dos seus níveis mais baixos nos últimos quatro meses.

Importa referir que o Balanço do Plano Económico e Social (PES) do primeiro semestre de 2021 revela que, dos 356 indicadores do referido instrumento de gestão pública programados para o período em alusão, 48% (171 dos indicadores) alcançaram a meta, 21% (73 dos indicadores) alcançaram parcialmente e 31% (112 dos indicadores) não alcançaram a meta do semestre.
Um comunicado do Conselho de Ministros datado de 03 de Agosto corrente aponta que, apesar de factores adversos, a estabilidade macroeconómica interna permitiu o aumento das Reservas Internas Líquidas (RIL) para 6 meses de cobertura, contra 6,8 meses previstos no PES 2020, e a estabilidade da inflação, ao se situar, em média, em 4,16%, índice abaixo dos 5% previstos para o ano de 2021.
II.IV Crédito à economia
Os últimos dados da rúbrica ‘Crédito à Economia’ apontam para uma variação mensal positiva pelo segundo mês consecutivo, situando-se ao nível mais alto do ano e até do ano passado, após as quedas e os tímidos aumentos que vinham se registando.

III. Mercado de Capitais
Estavam cotados na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) 56 Valores Mobiliários, dos quais 36 Obrigações de Tesouro, 9 Obrigações Privadas, 11 Acções e 0 Papel Comercial. A Capitalização Bolsista, a 12 de Agosto, foi de aproximadamente MZN 123,16 mil milhões, 1,16% abaixo da registada no dia 05 de Agosto (MZN 124,61 mil milhões).

IV. Mercado das commodities
IV.I Petróleo
O petróleo registou a maior queda semanal desde Maio do ano corrente, devido ao fortalecimento do dólar e as preocupações relativas ao impacto das restrições de viagens para a contenção da propagação da variente Delta da Covid-19 na Ásia, especialmente a China.

Novas restrições na China, o segundo maior consumidor de petróleo do mundo, podem restringir a recuperação global da demanda por combustíveis, impactando de forma negativa as perspectivas de procura de combustíveis e, consequentemente, queda do preço desta commodity.
As quedas nos preços do petróleo resultaram, igualmente, do fortalecimento do Dólar que atingiu o máximo de quarto meses contra o Euro, após as divulgações positivas do relatório de emprego dos EUA, na Sexta-feira, terem impulsionado as expectativas de uma mudança rápida para política monetária mais restritiva por parte do Fed.
Refira-se que com a valorização do Dólar, certas commodities quotadas em dólares, como o petróleo, tornam-se mais caras para os detentores de outras moedas. Este efeito, tende a ter uma influência negative na demanda por estas commodities. Em volta, o preço dos futuros destas commodities tende a cair como consequência da redução ou abrandamento da demanda por estas commodities.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a crescente demanda por petróleo foi interrompida em Julho, e deve aumentar em um ritmo mais lento no resto de 2021 por causa do aumento de infeções da variante Delta do COVID-19.
Olhando além dos riscos de curto prazo da variante Delta, espera-se que a recuperação da demanda continue junto com o aumento das taxas de vacinação.
IV.II Ouro
O preço do ouro, em Julho, foi maioritariamente influenciado pelos anúncios dos indicadores macroeconómicos divulgados ao longo do mês. As variações positivas do ouro foram em parte, justificadas pelo anúncio do alto nível de inflação, 5.4%, dos EUA, e os dados insatisfatórios referentes ao mercado laboral (taxa de desemprego alto/não ao nível desejado pelo Fed, alto nível de auxílio-desemprego). As variações negativas do preço do ouro foram, essencialmente, justificadas pelas perspetivas económicas globais que levaram a apreciação do dólar.
O ouro iniciou o mês em alta ligeira, a ser transacionado em volta dos 1,811.13 dólares por onça, e após isso oscilou num corredor estreito entre 1,825 e 1,790 dólares norte-americanos por onça, fechando o mês em alta, aos níveis de 1,825 dólares por onça.

Embora a liquidação possa ter sido exacerbada pelas condições de negociação, a divulgação de fortes dados económicos relativos ao Mercado laboral, e do discurso do Fed no final da semana passada, também, contribuíram para esta queda substancial do preço do ouro.
Refira-se que o preço do ouro tende a mover-se em direção contrária do valor do Dólar (Índice do Dólar) e dados de empregos nos EUA aumentaram as expectativas de aumentos das taxas do Fed, que em volta, deram ao dólar o seu maior ganho em cerca de um mês na sexta-feira.
A queda do ouro depois que as folhas de pagamento superaram as expectativas na sexta-feira foi desencadeada por um forte aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro (dos EUA) ajustados pela inflação, que determinam o custo de oportunidade de manter o metal não remunerado, ou seja, sem uma taxa de rendimento para o seu detentor.
Importa notar que quando os rendimentos caíram ainda mais em território negativo no mês passado, em Julho-21, os preços do ouro não se beneficiaram.
De uma perspetiva técnica, embora o ouro tenha se recuperado após o flash crash, o ouro encontrou a sua resistência no nível de suporte anterior e girou para baixo mais uma vez, o que efetivamente confirmou o rompimento da anterior linha de suporte ao nível de USD1,750 por onça.
Desde então, o ouro se estabilizou entre USD 1,720 e USD 1,750; e está praticamente estável no dia. A perspetiva de curto prazo continua desfavorável para o metal amarelo, especialmente se os dados provenientes dos EUA permanecerem fortes.
V. Situação alimentar mundial – Índice de Preço dos Alimentos
Apesar da queda do Índice de Preços de Alimentos no mês de Julho, para o caso concreto de Moçambique, notícias recentes apontam que as classes das Bebidas Alcoólicas e do Tabaco poderão ressentir-se de aumentos dos seus preços devido à introdução de selos de controlo que tinham sido adiados em 2017, uma vez que os produtores e importadores dessas classes de bens deverão comprar os selos da Direcção Geral das Alfândegas, repassando esse custo para os consumidores finais.
A medida tem como principal objectivo minimizar o contrabando de bebidas alcoólicas e tabaco manufacturado, porém, olhar atento precisará de ser dado pois, a medida pode revelar-se ineficaz devido à venda paralela de selos no mercado negro, comprometendo tanto os respectivos sectores, assim como as receitas do Estado.
















