Trump Adia Tarifas Sobre Minerais Críticos e Opta por Negociações

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Casa Branca evita choque imediato no comércio global e aposta em acordos externos e pisos de preços para reduzir dependência da China em cadeias estratégicas.

Questões-Chave:
  • Administração norte-americana decide não aplicar, por agora, tarifas sobre minerais críticos;
  • Decisão surge após investigação ao abrigo da Secção 232, que identificou riscos à segurança nacional;
  • EUA vão privilegiar negociações bilaterais para assegurar fornecimentos estratégicos;
  • Casa Branca admite introduzir pisos de preços em vez de tarifas clássicas;
  • Medida procura evitar nova escalada comercial com a China;
  • Tema tem implicações directas para cadeias globais de energia, defesa e transição energética.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar a imposição de tarifas sobre minerais críticos, optando por uma estratégia baseada em negociações com parceiros internacionais e na eventual criação de pisos mínimos de preços, num esforço para reduzir vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento sem desestabilizar o comércio global.

Segurança Nacional Sem Tarifas Imediatas

A decisão foi anunciada após a conclusão de uma investigação do Departamento do Comércio, conduzida ao abrigo da Secção 232 da Lei de Expansão Comercial, que concluiu que as importações de minerais críticos e produtos derivados representam um risco para a segurança nacional norte-americana.

Apesar desse diagnóstico, a Casa Branca optou por não avançar de imediato com tarifas, sinalizando uma abordagem mais cautelosa num contexto de equilíbrios sensíveis no comércio internacional.

Negociações e Pisos de Preços no Centro da Estratégia

Em alternativa às tarifas tradicionais, a administração Trump pretende negociar acordos com países aliados para garantir fornecimentos adequados de minerais críticos, incluindo terras raras, lítio e urânio.

O Presidente admitiu ainda a possibilidade de introduzir pisos mínimos de preços para determinadas importações, uma ferramenta menos agressiva do que tarifas percentuais, mas capaz de desencorajar preços artificialmente baixos e apoiar cadeias de fornecimento alinhadas com os interesses estratégicos dos EUA.

China Continua no Epicentro do Debate

A decisão surge num contexto em que a China domina mais de 80% do processamento global de terras raras e tem vindo a restringir exportações de minerais estratégicos no âmbito das tensões comerciais com Washington.

A ausência de tarifas imediatas é vista como um esforço para evitar o colapso da trégua comercial alcançada entre Washington e Pequim no final de 2025, ao mesmo tempo que mantém pressão política e estratégica sobre o tema.

Desafios Estruturais da Produção Doméstica

Analistas sublinham que um dos principais entraves à estratégia norte-americana é a fraca capacidade doméstica de produção e refinação de minerais críticos. Mesmo com tarifas ou pisos de preços, os EUA continuam fortemente dependentes de fornecedores externos.

Este factor levanta dúvidas sobre a eficácia de medidas unilaterais no curto prazo e reforça a necessidade de investimento de longo prazo em cadeias industriais próprias, sobretudo num contexto de crescente procura associada à transição energética, à defesa e ao desenvolvimento da inteligência artificial.

Implicações Globais e Para Países Produtores

A opção por negociações em vez de tarifas imediatas tem implicações relevantes para países produtores e processadores de minerais críticos, incluindo economias emergentes ricas em recursos naturais.

Para África, a estratégia norte-americana poderá abrir espaço para novos acordos de fornecimento, mas também intensificar a competição geopolítica por acesso a minerais estratégicos, com impactos potenciais sobre preços, investimento e políticas industriais.

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