
Acesso ao financiamento e à informação é um constrangimento para o Empreendedorismo Feminino
Reunidas no “Pequeno Almoço de Negócios”, realizado a 25/11, na cidade de Maputo, mulheres com negócios, ou aspirantes a tal, dizem enfrentar significativas barreiras para terem acesso a informação sobre as oportunidades existentes e também no acesso a financiamentos
Silvia Ferreira, Director Geral da empresa COSINI, interpelada pelo O.Económico, foi incisiva nesse aspecto: “o primeiro desafio está no acesso a informação, porque mesmo para buscar financiamento precisamos saber onde ele está disponível. Precisamos saber onde está disponível o financiamento para cada tipo de negócio”.
Ainda no domínio do financiamento, a questão das garantias também é apontada como um constrangimento no acesso ao financiamento para o empreendedorismo das mulheres, segundo Silvia Ferreira. A empresaria diz mesmo que as dificuldades do acesso ao financiamento, devido a inexistência de garantias, limitam o crescimento e expansão das empresas detidas por mulheres. A empresaria também clamou por programas de formação como acção para promover o desenvolvimento do empresariado feminino.
Cláudia Kanji, outra empresária presente no encontro também mencionou o financiamento e as exigências de garantias associadas como constituindo o grande obstáculo aos negócios das mulheres.
Embora ainda sem conhecer no específico as características do Fundo Africano de Garantia (AGF) e da Acção Financeira Afirmativa para as Mulheres em África (AFAWA), Cláudia Kanji, disse essencialmente que tina a expectativa que essas iniciativas, venham, efectivamente, reduzir as dificuldades actualmente enfrentadas pelas mulheres para financiarem seus negócios e empresas.
“Queremos financiamento a custos baixos e sem grandes exigências de garantias”. Frisou Cláudia Kanji, para quem as empresas as instituições de crédito devem acreditar mais nas mulheres”. Tendo reconhecido haver necessidade de as mulheres, pela sua parte, cada vez mais, considerarem uma migração do informal para o formal, como forma de ampliar o acesso às oportunidades e crescimento dos seus negócios.
“O formal é sempre mais vantajoso. Não devemos ter medo de pagar impostos, porque isso ajuda-nos a crescer”. Admitiu Cláudia Kanji, mas apelou que houvesse políticas e ambiente.
Constitui uma oportunidade ímpar de network e esclarecimento sobre as facilidades e
iniciativas existentes para empoderar a mulher, em particular, a mulher moçambicana
no negócio.
Sobre o acesso a oportunidades económicas por parte das mulheres, um relatório do Banco Mundial intitulado “Women Business and Law” indica que, a nível mundial, as mulheres têm apenas 3/4 dos direitos legais concedidos aos homens, existindo cerca de 2.4 mil milhões de mulheres que não têm os mesmos direitos económicos que os homens e 178 países mantêm barreiras que impedem a participação económica das mulheres.
No entanto, em 2021, pelo menois 23 países promoveram reformas em suas leis, dando passos importantíssimos, rumo à inclusão económica das mulheres.
Falando da situação particular de Moçambique, o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, presente ao encontro, afirmou que apesar dos progressos registados na emancipação da mulher, ainda persistem desafios no que diz respeito a realização plena da contribuição da mulher na vida económica.
“Esses desafios chamam-nos a razão para o procedimento de acções conducentes a promoção de uma maior equidades de género”. Disse Vuma
Para consubstanciar a pertinência da promoção do empoderamento economoco das mulheres, Agostinho Vuma, recordou que, em Moçambique, a mulher é responsável financeiramente por uma média de 5 pessoas num agregado familiar. Daí que a CTA, em reconhecimento do papel fundamental da mulher na sociedade e na economia
nacional, ter assumido o compromisso de desenvolver iniciativas que visam fortalecer a capacidade económica da mulher moçambicana, âmbito no qual, no presente ano, foram desenvolvidas actividades e alcançados acordos com vista a promoção de negócios geridos pelas mulheres, com destaque especial para o lançamento do projecto CTA Empresários, que inclui uma plataforma digital para a promoção de negócios geridos por mulheres com o objectivo principal de dar maior visibilidade, divulgar todas oportunidades de negócio e financiamento, concorrendo assim para promover o estabelecimento de parcerias e reduzir assimetrias de informação sobre a oportunidade de negócios para as mulheres.
Agostinho Vuma disse ser convicção da CTA que o pequeno almoço de negócios contribua para identificar as soluções mais eficazes aos desafios de empreendimentos detidos ou geridos pelas mulheres e capacite para uma nova visão sobre desenvolver o seu negócio.













