O lucro surpresa da South African Airways (SAA) para o ano encerrado em 31 de Março de 2023 está sob escrutínio na opinião pública do País, dada a escassez de informações sobre como a empresa administrou sua milagrosa recuperação.

O Tesouro Nacional informou no início de Junho que a SAA havia obtido lucro de 500 milhões de rands no exercício encerrado em 31 de Março e que a transportadora não está mais tecnicamente insolvente.

O Tesouro disse que a SAA obteve um lucro de 500 milhões de rands no ano encerrado em Março de 2023, contra um prejuízo orçado de 740 milhões de rands.

Este lucro compreendeu principalmente entradas de consolidação que totalizaram 505 milhões de rands. A SAA obteve lucro apenas de 31 milhões de rands.

A Air Chefs perdeu 12,6 milhões de rands, e a transportadora doméstica Mango registou um prejuízo de 66 milhões de rands. A SAA Technical obteve o maior lucro com 84,4 milhões de rands.

O Tesouro diz que a companhia aérea tem um valor patrimonial líquido de 670 milhões de rands no final de Março de 2023, apesar de actualmente ter sido vendida ao Consórcio Takatso por 51 rands de um valor patrimonial total de 100 rands.

A opinião pública tem estado a questionar sobre como a SAA obteve lucro e sobre os detalhes dos R$ 505 milhões em entradas de consolidação, perguntas que têm ficado sem resposta por parte das autoridades cometente ou visadas, entre elas o Tesouro e a própria SAA. Faltam explicações sobre se o lucro revelado é líquido ou operacional.

A SAA tem estado a remeter às respostas para as suas demonstrações financeiras anuais, que devem sair ainda este ano. Ao mesmo tempo, que o Departamento das Empresas Públicas diz que só comentaria depois de uma auditoria das demonstrações financeiras ter sido realizada.

A SAA não divulgou demonstrações financeiras anuais nos últimos cinco anos.

O facto de a SAA ter registado um lucro é ainda mais milagroso, dado que o Tesouro disse, para o seu relatório semestral ao Parlamento, em Fevereiro, que a SAA reportou um prejuízo de 50 milhões de rands para o semestre.

A SAA Technical também milagrosamente deixou de registar um prejuízo de 2,7 milhões de rands nos primeiros seis meses do exercício para registar um lucro de 84,4 milhões de rands.

Considerando que o único cliente regular da SAA Technical é a SAA, com uma frota de sete aeronaves, os especialistas duvidam que a subsidiária possa atingir o ponto de equilíbrio – quanto mais obter lucro.

Além disso, quando a empresa saiu do negócio, tinha 1.200 funcionários e, em 18 meses, esse número aumentou para mais de 2.000 funcionários. Tal reflectiria normalmente um aumento das despesas de funcionamento.

Takatso em socorro

Representante dos accionistas do Governo na SAA, Pravin Gordhan

Para salvar a companhia aérea, o Departamento de Empresas Públicas negociou um acordo com o Consórcio Takatso para adquirir 51% da SAA.

No acordo, o consórcio obteria 51% das acções da SAA e proporcionaria uma injecção de capital de R3 bilhões em dois anos, enquanto o Estado ficaria com 49%.

A Comissão da Concorrência concedeu recentemente uma aprovação condicional. A operação foi agora remetida para o Tribunal da Concorrência para apreciação e decisão final.

No mês passado, a Comissão da Concorrência recomendou ao tribunal que aprovasse uma alienação de 51% das acções da SAA à Takatso, desde que fossem cumpridas determinadas condições.

A primeira condição inclui a remoção de parceiros minoritários (Global Aviation e Syranix) do consórcio para evitar a diminuição da concorrência no mercado doméstico de companhias aéreas.

A segunda parte do acordo inclui uma “moratória sobre reduções relacionadas com fusões e para manter um número mínimo de funcionários na SAA”.

O recém-demitido director-geral do Departamento de Empresas Públicas, Kgathatso Tlhakudi, continua a opor-se à fusão devido a alegações de corrupção. Espera-se que apresente observações mais tarde na audiência do Tribunal.

Espera-se que o Tribunal decida se a fusão pode prosseguir, mas a sua decisão não é juridicamente vinculativa e pode ser contestada em tribunal.

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