
FMI: África do Sul preparada para o arranque do crescimento com reformas
O produto interno bruto da África do Sul cresceu 1,9% no ano passado e deverá registar uma expansão de apenas 0,3% em 2023, segundo as estimativas do FMI.
A África do Sul poderá impulsionar drasticamente o crescimento económico se corrigir os seus sectores energéticos e logísticos em dificuldades e reduzir a criminalidade, afirmou um alto funcionário do Fundo Monetário Internacional, ouvido pela agência Reuters.
Com os seus abundantes recursos naturais e instituições sólidas, a África do Sul “está preparada para um arranque do crescimento se forem implementadas reformas que resolvam e enfrentem corajosamente os obstáculos estruturais”, disse Gita Gopinath, a primeira Diretora-Geral adjunta do Fundo, na Conferência Bienal do Banco da Reserva da África do Sul, na Cidade do Cabo, na sexta-feira, 01 de Setembro. O combate à criminalidade, a educação, a falta de eletricidade e os constrangimentos logísticos “são áreas claras em que, se houver melhorias, se poderá assistir a um efeito substancial no crescimento”, afirmou.
O produto interno bruto da África do Sul cresceu 1,9% no ano passado e deverá crescer apenas 0,3% em 2023, segundo as estimativas do FMI, com a incapacidade da empresa de eletricidade Eskom para satisfazer a procura e os estrangulamentos portuários e ferroviários a limitarem a produção.
As medidas destinadas a melhorar o fornecimento de energia – incluindo a flexibilização das restrições à produção privada de eletricidade – poderão fazer com que a taxa de crescimento aumente para 1,7% no próximo ano, segundo as previsões do FMI.
Gopinath também instou a África do Sul a melhorar o desempenho das empresas públicas em sectores críticos e a permitir a participação do sector privado, o que permitiria poupar dinheiro e melhorar a prestação de serviços públicos numa altura em que o governo tem uma margem de manobra orçamental limitada.
Prevê-se que a factura de juros do país aumente de cerca de 19% das receitas no presente ano fiscal para 27% em 2028-29 – cerca do dobro da dotação orçamental deste ano para a saúde, afirmou.
Tal como noutros mercados emergentes, o sucesso na África do Sul exigirá reformas difíceis agora, que poderão só dar frutos mais tarde”, afirmou. “Mas é um investimento que vale a pena fazer – e que o FMI está pronto a apoiar.”
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