
Exportações do país registam queda e agravam défice da balança comercial
Dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, referentes ao segundo trimestre de 2019, indicam que o volume das exportações moçambicanas caiu 13,8% no segundo trimestre deste ano face ao período homólogo de 2018. Ora, a situação tende a complexar, pois as importações aumentaram em 8% absolvendo perto de USD 1.6 mil milhões. Ao passo que as exportações diminuíram em 13,8%, totalizando USD 1.1 mil milhões.
Fernando Tinga, o porta-voz da Autoridade Tributária de Moçambique confidenciou ao O.Económico que o défice da balança comercial já era expectável face aos últimos acontecimentos que assolaram o país.
“Houve um incremento de importações devido aos desastres naturais que assolaram o país”, referiu Tinga. Ademais, explica Tinga, o tecido produtivo foi bastante afectado. Portanto, era de se esperar que tivéssemos um desempenho nesta medida.

Fernando Tinga – Porta voz da AT
Ora, a verdade é que a diminuição das importações e, por outro lado, o aumento das exportações constitui um desafio para o governo moçambicano. De acordo com o Director Nacional da Indústria, Mateus Matusse, em termos estratégicos o governo pretende reduzir as importações e aumentar as exportações, mas garantiu ao O.Económico que o processo será gradual.

Mateus Matusse – Director Nacional da Indústria
Ora, é preciso ressaltar que, a questão de diminuição das importações e consequentemente a massificação da produção e promoção do consumo de produtos nacionais não é recente. Já em meados da década de 2000, o governo moçambicano, através do Ministério da Indústria e Comércio, lançou uma campanha sob o lema: “Produza, Consuma e Exporta moçambicano”, no âmbito da iniciativa “Selo Made in Moçambique”, visando essencialmente desincentivar o consumo de produtos importados. Mas, volvidos mais de uma década desta iniciativa, o problema de consumo de bens importados, em particular os bens de consumo, ainda prevalece.
Para o economista Michael Sambo, Moçambique vive uma situação meio atípica no que tange ao fluxo das importações e exportações. Aliás, para ele, Moçambique importa produtos que pode produzir.

Michael Sambo – Economista
“Moçambique é um dos países que importa tudo o que consume e exporta quase tudo o que produz, nós importamos até ao momento o tomate, maçã e laranja de África do Sul”, criticou.
Entretanto, apesar do país apresentar na balança comercial um peso considerável de bens importados, Mateus Matusse mostra-se esperançoso na reversão desta situação, pois, actualmente, há produtos nacionais que são consumidos internamente e exportados para outros países da África.
Matusse reconheceu que apesar dos aspectos positivos alcançados em termos de massificação e consumo de produtos nacionais, ainda há muito por se fazer.

















