
Economia mostrou-se resiliente nos 10 meses do ano – Rogério Zandamela
- Inflação com trajectória de desaceleração reflecte, essencialmente, o efeito combinado da estabilidade cambial e da postura restritiva da política monetária bem como da queda dos preços dos alimentos e combustíveis no mercado internacional, diz o Governador do Banco de Moçambique
- O rácio de crédito em incumprimento continua em níveis relativamente elevados
- Entretanto, o desempenho macroeconómico e financeiro é qualificado de “encorajador”
Resiliência é assim como é definido pelo Governador do Banco de Moçambique ao comportamento da actividade económica até agora, isto é, de Janeiro a Outubro de 2023. “O primeiro marco principal é a resiliência”. Disse.
Na sua intervenção que marcou o inicio das actividades do 48º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique , que decorre até próxima sexta-feira, 03/11, Rogério Zandamela, destacou quatro aspectos que considerou fundamentais e que definem a conjuntura económica de Moçambique, designadamente, o desempenho macroeconómico e financeiro do País, a postura da política monetária num contexto de riscos e incertezas, as principais reformas estruturais implementadas e em curso e, as perspectivas de curto e médio prazo.
Caracterizando a evolução da economia moçambicana, nos 10 meses do presente ano, o Governador do Banco de Moçambique, disse que “o primeiro marco principal é a resiliência da actividade económica perante choques e vulnerabilidades e num ambiente global e doméstico caracterizado por elevados riscos e incertezas.
Mencionou o facto de a actividade económica ter mantido a tendência de recuperação iniciada em 2021- após o choque da COVID-19, com to Produto Interno Bruto real a registar uma expansão anual de 4,4 por cento no primeiro semestre do presente ano, maioritariamente, explicado, pelo crescimento da indústria extractiva, ao mesmo tempo que inflação anual tem vindo a desacelerar desde o início do presente ano, tendo se fixado em 4,6 por cento em Setembro último, após ter atingido o pico de 12,9% em Agosto de 2022.
“Esta trajectória de desaceleração reflecte, essencialmente, o efeito combinado da estabilidade cambial e da postura restritiva da política monetária bem como da queda dos preços dos alimentos e combustíveis no mercado internacional”. Realçou.
Entretanto, admitiu Rogério Zandamela que, a inflação subjacente – que capta a evolução de preços da categoria de bens e serviços que são afectados directamente pelas decisões de política monetária – aumentou nos últimos três meses. “Apesar de não se situar em níveis alarmantes, estamos a acompanhar atentamente a sua evolução”.
“Nas transações com o exterior, registámos uma melhoria do défice da conta corrente em 78,3 por cento, no primeiro semestre do presente ano, favorecido pela redução das importações dos grandes projectos”. Disse.
Sublinhou que, nesta altura, o País apresenta um nível de reservas internacionais brutas suficientes para cobrir cerca de 4 meses de importações de bens e serviços, excluindo as importações dos grandes projectos.
Sobre o sector bancário nacional disse que este continua sólido e bem capitalizado, tendo o rácio de solvabilidade se fixado em 24,0 por cento em Setembro do corrente ano, correspondente a 12,0 pontos percentuais acima do mínimo regulamentar.
Entretanto, observou, “o rácio de crédito em incumprimento continua em níveis relativamente elevados, tendo se situado em 9,1 por cento em Setembro de 2023, após 9,3 por cento em igual período do ano passado”.
Nessa perspectiva, o Governador do Banco de Moçambique considera que “o desempenho macroeconómico e financeiro é “encorajador e enaltece a resiliência da economia aos choques adversos e aos acentuados riscos, incertezas e vulnerabilidades que incidem sobre a economia global e doméstica”.
Sobre a postura da Política Monetária, Rogério Zandamela começou por colocar em evidência o facto de, a nível interno, a forte pressão sobre a despesa pública, num contexto de fraca arrecadação de receitas e de limitadas fontes de financiamento externo, estar a contribuir para o aumento do risco fiscal e do endividamento interno. Referiu que o aumento da despesa decorre sobretudo da implementação da reforma salarial, e dos gastos relacionados ao ciclo eleitoral.
“A título de exemplo, o stock da dívida pública interna que em 2022 situou-se em 275 mil milhões de meticais, aumentou em cerca de 19 por cento nos últimos 10 meses do ano para 327 mil milhões de meticais”, exemplificou.
Conjugando com factores externos, entre os quais a intensificação e potencial alastramento dos conflitos Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas, com impactos no agravamento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares no mercado internacional, poderão ter implicações na evolução dos preços domésticos de bens e serviços.
É perante a presença destes eventos que, de acordo com o Governador do Banco de Moçambique, tem exigido uma actuação da política monetária cada vez mais prudente.
“É assim que a política monetária se manteve restritiva, com a taxa de juro de política – taxa MIMO- fixada em 17,25%. Adicionalmente, e para fazer face ao excesso de liquidez no sistema bancário, decidimos aumentar os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional e estrangeira, em 28,5 e 28 pontos percentuais para 39,0 e 39,5 por cento, respectivamente”. Justificou.
Frisou que o excesso de liquidez no sistema bancário foi exacerbado pelo súbito aumento na despesa pública decorrente da implementação da Tabela Salarial.
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026













