África do Sul: Crescimento económico deverá passar pela revitalização dos portos e dos caminhos-de-ferro

0
615
  • Os carregamentos de carvão na rede ferroviária de mercadorias da África do Sul caíram para mínimos de 30 anos e os carregamentos de minério de ferro atingiram o seu nível mais baixo numa década.

O Governo sul-africano e a comunidade empresarial local estabeleceram o objectivo de aumentar a taxa de crescimento económico em até seis pontos percentuais, através da reparação dos portos e da rede ferroviária de transporte de mercadorias, que se encontram em colapso.

Segundo informações partilhadas numa reunião realizada no início deste mês, vista pela Bloomberg e confirmada por representantes do sector empresarial, prevê-se que o combate ao crime e à corrupção possa poupar até 300 mil milhões de rands por ano. O Ministério das Finanças da África do Sul previu que o produto interno bruto crescerá 1% no próximo ano.

As maiores empresas sul-africanas e o Governo criaram painéis conjuntos como parte de um esforço das maiores empresas para trabalharem com o Estado na resolução de uma série de problemas que estão a travar a economia. Estes problemas vão desde os cortes de electricidade e o fraco desempenho da rede ferroviária, ao aumento da criminalidade e a um processo ineficaz de pedido de vistos de trabalho.

Os carregamentos de carvão na rede ferroviária de mercadorias da África do Sul caíram para mínimos de 30 anos e os carregamentos de minério de ferro estão no seu nível mais baixo numa década, o que levou empresas como a Glencore a considerar a possibilidade de cortar postos de trabalho. As dificuldades nos portos estão a provocar atrasos no carregamento e descarregamento de navios e alguns retalhistas de moda recorreram ao transporte aéreo de vestuário.

Os problemas estão a fazer com que “as empresas mineiras se reconfigurem de acordo com a realidade actual e adiem o investimento de capital, pondo em risco os postos de trabalho”, afirmou o Comité Nacional de Crise Logística na apresentação.

Embora não tenham sido definidas datas para o cumprimento dos objectivos, a apresentação cita as aspirações estabelecidas pela Transnet, empresa estatal de logística, e pelo gabinete do Presidente, no Roteiro da Logística do Transporte de Mercadorias, para a recuperação dos transportes.

Estas incluem o aumento da carga global transportada por caminho-de-ferro para 193 milhões de toneladas no ano até Março de 2025, contra 149 milhões de toneladas no ano até 31 de Março de 2023. Foram estabelecidos objectivos igualmente ambiciosos para o processamento de contentores nos portos e para o transporte de automóveis e de minerais a granel.

O roteiro é um documento governamental que delineia os planos para impulsionar a participação privada na rede de portos e caminhos-de-ferro do país, maioritariamente gerida pelo Estado.

A B4SA, a organização empresarial que ajuda a coordenar o trabalho com o governo, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Vincent Magwenya, porta-voz do presidente Cyril Ramaphosa, não quis comentar.

Até ao momento, há poucos sinais de melhoria.

A Kumba Iron Ore, o maior produtor nacional da matéria-prima do aço, está a ficar sem espaço para armazenar o minério que extraiu e que não pode transportar para o porto. A Exxaro Resources, um exportador de carvão, disse no mês passado que os carris da Transnet para o principal terminal de exportação estão em vias de cair pelo sexto ano consecutivo.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.