
Moçambique e a COP29: Caminhos para a Sustentabilidade e Crescimento Climático
Potencial e vulnerabilidade
Com uma riqueza natural inigualável e uma alta vulnerabilidade às alterações climáticas, Moçambique está numa posição única para transformar desafios em oportunidades. A COP29 apresentou um roteiro claro para ações climáticas globais, e Norma Franco, EY Partner | Climate Change and Sustainability, analisou para o Semanário Economico, em detalhe, como o País pode capitalizar essas oportunidades.
Financiamento Climático: Moçambique como protagonista
Norma Franco destacou que Moçambique tem um enorme potencial para captar financiamento climático, mas alertou para a necessidade de maior transparência. “A apresentação de NDCs claras e ambiciosas é fundamental para atrair recursos internacionais”, afirmou.
A especialista mencionou que os sectores de conservação e reflorestamento são particularmente promissores para projectos de mitigação. “Com uma estratégia bem delineada, Moçambique pode posicionar-se como líder regional em acções climáticas, captando parte dos 300 mil milhões de dólares prometidos na COP29”, disse.
Franco também sublinhou a importância de criar condições favoráveis para investidores. “O País precisa de estabelecer um ambiente regulatório robusto, com incentivos fiscais e mecanismos de monitorização eficientes”, afirmou.
Mercados de Carbono: Ema oportunidade estratégica
Os mercados de carbono representam uma das maiores oportunidades para Moçambique, especialmente nas áreas de sequestro de carbono e energias renováveis. “O capital natural de Moçambique é uma vantagem competitiva que deve ser explorada de forma estratégica”, disse Franco.
A especialista enfatizou que, para participar nesses mercados, o País precisa de criar uma arquitectura regulatória alinhada aos padrões internacionais. “Sem regras claras e transparentes, será difícil atrair investidores e competir globalmente”, alertou.
Franco também mencionou que sectores como agricultura, florestas e energia renovável podem beneficiar directamente da transacção de créditos de carbono. “Estes sectores têm o potencial de gerar receitas significativas, enquanto promovem práticas sustentáveis”, afirmou.
Transição Energética: O futuro renovável de Moçambique
Para Norma Franco, a transição energética é uma prioridade estratégica para Moçambique. “O País possui recursos abundantes para projectos de energia solar, eólica e hídrica, que não só diversificam a matriz energética, mas também atraem investimentos e criam empregos”, explicou.
No entanto, a especialista alertou que o sucesso nesta área depende de parcerias internacionais e da capacidade técnica local. “Os projetos precisam de ser viáveis e sustentáveis, garantindo que beneficiam tanto o ambiente quanto as comunidades locais”, afirmou.
Os desafios para alcançar o sucesso
Apesar do seu potencial, Moçambique enfrenta desafios significativos, incluindo a ausência de políticas climáticas claras, a falta de incentivos fiscais e a limitada capacidade técnica. “O governo precisa de adoptar uma abordagem proactiva, liderando com visão e acção para criar um ambiente favorável às iniciativas climáticas”, afirmou Franco.
Moçambique no cenário global
Norma Franco sublinhou que Moçambique tem todas as condições para se destacar no cenário climático global. “A COP29 forneceu um roteiro claro, mas cabe a Moçambique trilhar esse caminho com determinação. Com uma estratégia bem alinhada, o País pode transformar desafios climáticos em oportunidades de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
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