
Chefe da OMC alerta para consequências catastróficas de guerras comerciais causadas por tarifas de Trump
A Directora-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, alertou que eventuais guerras comerciais motivadas pelas tarifas propostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teriam consequências catastróficas para o crescimento económico global. O alerta foi feito durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, onde a líder da OMC apelou à calma e ao uso de mecanismos internacionais para resolução de disputas.
Paralelo histórico e impactos económicos
Okonjo-Iweala comparou a actual ameaça de guerras comerciais ao período entre as duas Grandes Guerras, quando a aprovação da Lei Smoot-Hawley nos EUA, em 1930, desencadeou retaliações comerciais que agravaram a Grande Depressão. “Se tivermos retaliações mútuas, com tarifas de 25% ou 60%, e voltarmos ao que aconteceu nos anos 1930, veremos perdas de dois dígitos no PIB global. Isso é catastrófico. Todos pagarão por isso”, afirmou.
A chefe da OMC destacou que a experiência histórica demonstra os perigos de medidas proteccionistas em larga escala, que podem interromper as cadeias de valor globais e dificultar a recuperação económica num cenário já frágil.
Apelos à calma e alternativas ao conflito
Reconhecendo os receios de vários países, a OMC incentivou os seus membros a evitarem represálias imediatas e a utilizarem os sistemas de resolução de disputas da organização. “Estamos a dizer muito claramente aos nossos membros: mesmo que uma tarifa seja aplicada, mantenham a calma”, declarou Okonjo-Iweala.
Contudo, os mecanismos da OMC têm enfrentado dificuldades desde 2019, quando a administração Trump bloqueou repetidamente a nomeação de juízes para o tribunal de apelações, tornando o sistema parcialmente disfuncional. Esta paralisia representa um obstáculo adicional para resolver conflitos no comércio internacional de forma eficaz.
Sinais positivos e reacções de outros líderes
Apesar da retórica contundente, Trump decidiu adiar a imposição imediata de tarifas sobre importações de países como o Canadá e o México, optando por iniciar investigações sobre práticas comerciais. Este movimento foi recebido com cautela, mas trouxe algum alívio inicial aos mercados.
No mesmo evento, o embaixador do Brasil, Alexandre Parola, criticou o uso de tarifas como ferramenta política. “Utilizar tarifas de forma política tem efeitos colaterais negativos que prejudicam o sistema internacional baseado em regras. É uma mensagem muito negativa”, afirmou.
As ameaças de tarifas e retaliações comerciais levantam preocupações sobre a estabilidade do sistema comercial global. As declarações da Directora-Geral da OMC sublinham a importância de cooperação multilateral e respeito às normas internacionais para evitar uma crise económica de larga escala. Num momento de grande incerteza, a manutenção de um comércio global livre e justo torna-se essencial para garantir a recuperação e a prosperidade das economias.
Mais notícias
-
Pressões inflacionarias deverão continuar
3 de Novembro, 2022 -
Harris anuncia US$ 900 milhões para promover as mulheres nos sectores verdes
17 de Novembro, 2023
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026











