
Tarifas dos EUA Ameaçam Economias Mais Vulneráveis: Países Menos Desenvolvidos e Ilhas Pequenas Entre os Mais Penalizados
Destaques
- Novas tarifas norte-americanas podem atingir 25% ou mais em Julho para 22 países em desenvolvimento;
- PMAs, PEIDs e países sem litoral enfrentam aumentos até três vezes superiores às taxas actuais;
- Exportadores vulneráveis contribuem com apenas 0,3% para o défice comercial dos EUA;
- Agricultura e têxteis estão entre os sectores mais expostos à nova política tarifária;
- UNCTAD alerta para riscos severos ao desenvolvimento e aumento das assimetrias no comércio global.
Um novo levantamento da UNCTAD revela que as mais recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos estão a colocar em risco a competitividade externa de países estruturalmente frágeis, como os Países Menos Avançados (PMAs), Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEIDs) e países em desenvolvimento sem litoral. Mesmo representando uma ínfima parcela do comércio global, estes países estão entre os mais afectados pelas medidas unilaterais de Washington.
O relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, intitulado “Sparing the Vulnerable: The Cost of New Tariff Burdens”, revela que novas tarifas aduaneiras dos Estados Unidos poderão escalar até 44% para os PMAs em Julho de 2025, após já terem duplicado no mês de Abril. Estas economias, que historicamente beneficiavam de condições preferenciais, passam agora a enfrentar encargos aduaneiros semelhantes — ou mesmo superiores — aos aplicados a grandes economias emergentes.
No caso da América Latina e Caraíbas, a tarifa média aplicada pelos EUA saltou de menos de 0,5% para 13%, representando um aumento de mais de 40 vezes, segundo dados da UNCTAD.
A medida, inicialmente anunciada em Abril de 2025 com a imposição universal de uma tarifa base de 10% para todos os países (excepto Canadá, México e China), será complementada em Julho por tarifas específicas por país e sector. Estas incluem aumentos de até 50% sobre exportações do Lesoto, 49% sobre o Camboja e 47% sobre Madagáscar — todos PMAs ou PEIDs.
Apesar de representarem apenas 0,3% do défice comercial dos EUA e contribuírem com menos de 0,5% para as suas importações totais, estas economias estão a ser fortemente penalizadas. Sectores como agricultura, têxteis, bens alimentares e produtos minerais — pilares das exportações de vários países vulneráveis — são os mais atingidos.
Segundo o relatório, apenas 7% das exportações dos PMAs para os EUA são actualmente isentas de tarifas, e uma fatia inferior a 1,1% do total de bens isentos provém de países vulneráveis, expondo uma assimetria acentuada no regime de exclusões.
A UNCTAD sublinha que “os ganhos limitados obtidos por estas economias nos últimos anos estão em risco iminente”, e adverte que estas tarifas poderão minar a Agenda 2030, especialmente no que diz respeito à meta 17.11 dos ODS, que visa duplicar a quota dos PMAs no comércio global.
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