
Com Investimento de US$ 80 Milhões, Terminal de Carvão da Matola Aumenta Capacidade de 8 para 12 Milhões de Toneladas
Questões-Chave:
- Presidente Chapo destaca necessidade de reposicionar a ferrovia como eixo central da logística no Corredor de Maputo;
- Obra enquadra-se na extensão da concessão portuária assinada em 2024 por mais 25 anos;
- Integração entre CFM, Transnet e MPDC considerada essencial para a competitividade regional;
- Governo reitera compromisso com a criação de um ambiente logístico moderno, eficiente e sustentável.
O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou esta sexta-feira, 30 de Maio, o lançamento oficial do projecto de expansão do Terminal de Carvão da Matola, num investimento avaliado em 80 milhões de dólares norte-americanos. O anúncio foi feito durante a cerimónia de inauguração do novo edifício da Grindrod no mesmo terminal, e enquadra-se numa estratégia mais ampla de modernização do Corredor de Maputo e posicionamento de Moçambique como plataforma logística regional de excelência.
O Chefe de Estado afirmou que o Terminal de Carvão representa, em 2025, cerca de 27% da carga movimentada no Porto de Maputo, e que o investimento agora lançado permitirá aumentar a sua capacidade anual de 8 para 12 milhões de toneladas num horizonte de dois anos. A expansão abrangerá áreas de estocagem, instalação de novos tapetes rolantes e equipamentos de carregamento e empilhamento, entre outras melhorias operacionais.
O projecto insere-se na extensão da concessão portuária firmada em 2024 entre o Governo de Moçambique e a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), válida por mais 25 anos.
Segundo Daniel Chapo, “esta expansão marca o início de uma jornada de imensas perspectivas no desenvolvimento do sector logístico nacional”, e está alinhada com a criação do Ministério dos Transportes e Logística neste novo ciclo governativo.
Prioridade À Ferrovia E Integração Regional
Num dos pontos mais enfáticos do seu discurso, o Presidente manifestou a sua preocupação com o crescimento do transporte rodoviário de carvão e magnetite, matérias-primas historicamente escoadas por ferrovia. “Não é aceitável que estejamos hoje a assistir a um crescimento do transporte rodoviário”, disse. “O terminal foi concebido para receber carga ferroviária, e a ferrovia deve reassumir o seu papel central no corredor.”
O Chefe de Estado defendeu uma mudança estrutural urgente, apelando a uma revalorização da ferrovia no modelo logístico nacional, sublinhando a importância da integração efectiva entre os Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), a sul-africana Transnet e os terminais portuários de Maputo. Esta integração, frisou, deve ser técnica, operacional e institucional, com efeitos positivos no emprego, no ambiente e na eficiência do sistema de transporte regional.
Expansão Logística Integrada E Sustentável
Chapo realçou que o desenvolvimento portuário deve ocorrer num ecossistema logístico funcional, onde a tramitação aduaneira, a gestão das fronteiras, a migração e os serviços logísticos sejam eficientes, previsíveis e integrados. “O desenvolvimento portuário não pode acontecer isoladamente”, advertiu, insistindo na necessidade de coordenação entre o sector público e o privado.
O Presidente referiu ainda que os investimentos actualmente em curso — como os 160 milhões de dólares para a expansão do Terminal de Contentores e os 80 milhões para o Terminal de Carvão — devem ser acompanhados por ganhos reais de eficiência na cadeia logística. “Para que estes investimentos tenham retorno, é imprescindível que sejam acompanhados de melhorias ao longo de toda a cadeia”, declarou.
Compromisso Com O Investimento E A Juventude
Chapo reafirmou o compromisso do Governo com a criação de um ambiente de negócios saudável, politicamente estável e tecnicamente funcional, de modo a garantir o crescimento do investimento privado, a geração de mais emprego para a juventude e o aumento de receitas fiscais. “Cabe ao sector privado transformar estas condições em progresso real, com inovação, responsabilidade e visão de longo prazo”, disse.
Dirigindo-se ao público presente, destacou a dimensão simbólica do novo edifício da Grindrod como expressão de confiança no país. A nova instalação inclui, além dos espaços administrativos, uma clínica, farmácia, áreas de formação e, futuramente, um ginásio para os colaboradores. “Que o edifício seja mais do que uma obra. Que seja um emblema da nossa ambição colectiva”, declarou.
Responsabilidade Social E Tributo Aos CFM
O Presidente também agradeceu os esforços de responsabilidade social corporativa da Grindrod e dos parceiros do Porto de Maputo, e prestou uma homenagem especial à empresa pública CFM, que completa 130 anos em 2025. “É uma das empresas mais sólidas de Moçambique. Parabéns pela obra e pela contribuição social que continua a prestar em todo o país”, afirmou.
O acto de inauguração do edifício da Grindrod e o arranque da expansão do Terminal de Carvão da Matola inserem-se num processo mais vasto de reconfiguração da infraestrutura logística de Moçambique. Com investimentos estruturantes, uma visão centrada na ferrovia e um apelo forte à integração regional, o Governo coloca o Corredor de Maputo no centro da estratégia nacional de competitividade e desenvolvimento económico sustentável.
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