
Investimento Estrangeiro em África Cai 3% em 2023 e Expõe Fragilidade do Financiamento para Infra-Estruturas e Transição Energética
Questões-Chave
- IDE para África recuou 3% em 2023, situando-se em 53 mil milhões de dólares;
- Financiamento internacional para projectos caiu 25% em número de operações e 50% em valor;
- Anúncios de novos projectos (“greenfield”) incluíram megaprojectos como o de hidrogénio verde na Mauritânia;
- A crise nos fluxos de investimento afecta desproporcionalmente as economias mais pobres do continente;
- A UNCTAD alerta que o retrocesso compromete os avanços rumo aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Os fluxos de investimento directo estrangeiro (IDE) para África caíram 3% em 2023, atingindo os 53 mil milhões de dólares, segundo dados do World Investment Report 2024 da UNCTAD. Esta ligeira retração contrasta com a gravidade das implicações estruturais, particularmente no que respeita ao financiamento de projectos de infra-estruturas e transição energética, que sofreu quebras significativas tanto em número como em valor.
Recuo Global com Impacto Desproporcional em África
Num ano marcado pela incerteza geopolítica, fragmentação económica e restrições financeiras globais, África volta a figurar entre as regiões mais vulneráveis à volatilidade do investimento internacional. De acordo com a UNCTAD, o número de operações de financiamento internacional de projectos caiu um quarto, e o valor desses projectos reduziu-se para metade, reflectindo a crescente dificuldade de mobilizar capital para sectores estruturantes.
Estas dinâmicas colocam sérios entraves ao progresso na implementação dos ODS, particularmente nas áreas da energia, água e infra-estruturas básicas — sectores que exigem investimentos intensivos e de longo prazo.
Megaprojectos Persistem, Mas São Isolados
Apesar da tendência de retração, o continente continua a atrair projectos emblemáticos. Em 2023, destacou-se o anúncio de um megaprojecto de hidrogénio verde na Mauritânia, classificado pela UNCTAD como o maior projecto greenfield anunciado a nível mundial nesse ano.
Contudo, o relatório adverte que tais anúncios, embora promissores, não reflectem uma tendência generalizada: a maioria dos países africanos continua a registar baixos volumes de IDE e escassa diversificação sectorial, permanecendo excessivamente dependentes de um número limitado de grandes transacções ou sectores extractivos.
Infra-Estruturas e Financiamento Sustentável em Colapso
O recuo no financiamento de projectos afecta particularmente os países menos desenvolvidos, nos quais o project finance internacional representa uma fatia essencial dos investimentos em infra-estruturas. A quebra de 50% em valor significa menos estradas, menos energia renovável, menos redes de água e saneamento — pilares fundamentais para o desenvolvimento inclusivo.
Além disso, a concentração do investimento em poucos destinos continua a ser uma realidade em África, com países como a África do Sul, Egipto, Marrocos e Nigéria a absorverem a maior parte dos fluxos, deixando os demais em estado de estagnação.
A Necessidade de Estratégias de Facilitação e Digitalização
Face ao cenário descrito, a UNCTAD recomenda que os países africanos redobrem os seus esforços em facilitação do investimento, transparência regulatória e digitalização dos procedimentos administrativos. O relatório destaca a eficácia dos portais únicos e janelas electrónicas de investimento na atracção de IDE, especialmente quando adaptados às realidades locais e integrados em políticas nacionais de industrialização e desenvolvimento sustentável.
Um Alerta Estrutural para África
A ligeira redução de 3% nos fluxos de IDE para África em 2023 esconde uma erosão profunda da capacidade de financiamento de projectos transformadores. A tendência pode comprometer as ambições continentais inscritas na Agenda 2063 da União Africana e na Agenda 2030 das Nações Unidas, se não forem mobilizadas soluções de financiamento inovadoras, parcerias transformadoras e mecanismos de facilitação eficazes.
O World Investment Report 2024 deixa um aviso claro: sem IDE, não há desenvolvimento sustentável em África — e o tempo para agir está a esgotar-se.
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