
Risco, Sustentabilidade e Competitividade: Por Que As PME Moçambicanas Devem Mudar de Mentalidade
Questões-Chave:
- A maioria das PME moçambicanas carece de práticas estruturadas de gestão de risco;
- O risco deve ser encarado como uma variável de gestão estratégica, não como ameaça;
- Bancos exigem confiança técnica além de garantias financeiras para conceder crédito;
- Cultura empresarial ainda desvaloriza seguros, planos de contingência e governação;
- Formação e mudança de mentalidade são imperativos para garantir acesso a financiamento e sobrevivência sustentável.
O risco não é uma ameaça: é uma variável de gestão. Esta é a mudança de mentalidade que falta à maioria das PME moçambicanas — e que pode determinar a diferença entre falência prematura e crescimento sustentável.
As pequenas e médias empresas representam mais de 90% do tecido empresarial de Moçambique. São fontes vitais de emprego, dinamismo económico e inclusão. Contudo, muitas operam sem estruturas de mitigação de risco, o que as torna vulneráveis à instabilidade e limita severamente o seu acesso a financiamento.
A ausência de cultura de risco traduz-se na inexistência de práticas como avaliação de vulnerabilidades, contratação de seguros, diversificação de mercados ou planeamento de contingência. E essa fragilidade institucional tem um custo real.
A recente masterclass organizada pelo Standard Bank, dirigida a empreendedores e quadros empresariais, veio expor a urgência de inverter esse padrão. Como sublinhou Erica Noormahomed, Directora de Risco de Crédito da Banca de Negócios do banco, a banca exige mais do que garantias colaterais: exige confiança técnica.
“Empresas que investem numa cultura de gestão de risco tornam-se mais atractivas para financiadores, investidores e parceiros”, afirmou.
A inexistência de planos de gestão de risco encarece o crédito, reduz prazos e limita o apoio financeiro. Por outro lado, uma abordagem estruturada ao risco — incorporando planos de contingência, seguro estratégico e governação responsável — abre portas e cria credibilidade no ecossistema financeiro.
O Risco Não Se Elimina — Gere-se
Num ambiente marcado por forte informalidade e escolaridade empresarial limitada, a gestão de risco deve ser descomplicada, ensinada e institucionalizada. Existem instrumentos no mercado, mas faltam cultura, comunicação e incentivos adequados. E essa mudança não depende apenas dos empresários: envolve igualmente a banca, os reguladores e as associações empresariais.
A sustentabilidade empresarial exige mais do que bons produtos ou preços competitivos. Exige visão estratégica, preparação para choques e capacidade de adaptação.
“A nova geração de PME moçambicanas precisa de abraçar o risco não como inimigo, mas como parte do seu caminho de crescimento”, conclui a reflexão.
A capacitação, como a promovida pelo Standard Bank, é um passo crucial nesse percurso de transformação.
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