
Crescimento Chinês Cai Para Mínimos do Ano e Abala Mercados Internacionais
- A previsão de um crescimento mais fraco da China no terceiro trimestre de 2025 reacende os temores de abrandamento global, com impactos já visíveis nas bolsas e nos preços das matérias-primas.
- A economia chinesa deverá registar o crescimento trimestral mais baixo de 2025, pressionada pela desaceleração do consumo e do investimento;
- A incerteza sobre a política monetária dos EUA e a persistência de tensões comerciais agravam o sentimento dos investidores;
- As bolsas asiáticas e europeias abriram em queda, e o petróleo recuou para perto dos 80 USD/barril;
- Países exportadores de matérias-primas, como Moçambique, enfrentam riscos acrescidos de volatilidade nos mercados externos.
Os “ventos contrários” que vinham a soprar sobre a economia mundial intensificaram-se esta semana, depois de as novas projecções do Governo chinês indicarem que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá cair para o nível mais baixo do ano, reacendendo receios de abrandamento global e de nova vaga de instabilidade financeira.
De acordo com a mais recente actualização publicada pela National Bureau of Statistics of China, o PIB chinês deverá ter crescido apenas 3,6 % no terceiro trimestre de 2025, depois de um ritmo de 4,2 % no período anterior. A revisão em baixa do desempenho económico reflecte a fraqueza persistente do sector imobiliário, o recuo do investimento privado e o consumo interno ainda distante dos níveis pré-pandemia.
A notícia provocou uma reacção imediata nos mercados internacionais. As bolsas de Xangai, Hong Kong e Tóquio registaram quedas entre 1,8 % e 2,5 %, enquanto os índices europeus seguiram a tendência de baixa. O preço do petróleo Brent recuou para 80,10 USD/barril, reflectindo expectativas de menor procura global.
Analistas da Bloomberg Economics e do IMF alertam que o enfraquecimento da economia chinesa tem implicações diretas para os países exportadores de matérias-primas e energias, cujas receitas dependem da procura asiática. Em África, as economias com forte exposição à China — nomeadamente Angola, Moçambique e África do Sul — poderão ver reduzidas as suas margens de manobra orçamental, já sob pressão de custos de financiamento elevados.
“A desaceleração chinesa acentua a vulnerabilidade dos mercados emergentes dependentes de exportações de carvão, gás e metais industriais. O impacto sente-se primeiro nos preços, depois nas contas públicas”, alertou o economista Chen Liu, da Universidade de Pequim.
Nos Estados Unidos, a Reserva Federal acompanha o cenário com atenção redobrada. O enfraquecimento da segunda maior economia do mundo poderá moderar a inflação global e abrir espaço para uma eventual redução de juros em 2026, mas também agrava a incerteza sobre o ritmo da recuperação internacional.
Risco de Efeito-Dominó nas Exportações Moçambicanas
Para Moçambique, cuja pauta de exportações é fortemente influenciada pela procura asiática de carvão e gás natural liquefeito, a evolução económica da China assume relevância estratégica. Uma menor procura poderá reduzir receitas cambiais e pressionar as contas externas, num momento em que o País procura consolidar a estabilidade macroeconómica e atrair investimento para sectores produtivos.
“O abrandamento da China deve ser lido como um sinal de cautela: diversificar mercados de exportação e reforçar a competitividade interna é imperativo”, observa um analista da O.Económico.
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