
Cibersegurança: O Pilar Invisível Da Competitividade Na Economia Digital Moçambicana
- Especialistas alertam que Moçambique digitaliza mais rápido do que protege, colocando em risco dados estratégicos, investimento e sustentabilidade empresarial
- Digitalização cresce mais rápido do que as infra-estruturas de segurança;
- Cibersegurança torna-se critério de avaliação para investidores;
- Falta de articulação entre Estado e sector privado cria vulnerabilidade sistémica;
- Baixa literacia digital amplia riscos internos nas empresas;
- Segurança pode gerar emprego qualificado e reforçar posicionamento internacional.
Digitalização Em Alta, Protecção Em Atraso
Moçambique vive uma fase de aceleração digital em sectores como agronegócio, fintech, startups tecnológicas e plataformas públicas. Contudo, segundo a especialista em cibersegurança Matilde Rungo, este crescimento ocorre com défice estrutural de protecção .
“Moçambique está a digitalizar muito mais rápido do que está a proteger. Sectores como o agronegócio, startups e fintech estão a adoptar plataformas digitais sem garantir infraestruturas mínimas de segurança”, alertou.
A contradição é evidente: quanto maior a digitalização, maior a exposição ao risco.
Num ambiente onde dados são activos estratégicos, a vulnerabilidade digital pode traduzir-se em perdas financeiras, danos reputacionais e redução de confiança por parte de investidores.
Cibersegurança Não É Custo, É Capital
Para Matilde Rungo, persiste no sector empresarial um equívoco conceptual: tratar a cibersegurança como despesa acessória.
“Hoje, a cibersegurança é um activo produtivo. Reduz perdas, protege dados estratégicos e aumenta a confiança dos investidores. Quem olha para isto apenas como custo está a limitar o seu próprio crescimento”, sublinhou .
Investidores nacionais e internacionais avaliam cada vez mais a maturidade digital das empresas, incluindo políticas de armazenamento de dados, planos de recuperação, governação de informação e sustentabilidade tecnológica.
A ausência dessas práticas torna-se critério negativo de risco.
Agronegócio Digital Sem Mapeamento Estratégico
O sector agro encontra-se num processo acelerado de adopção tecnológica, mas, segundo a especialista, falta questionamento estruturado sobre a governação da informação.
“Antes de adoptar uma plataforma, é preciso perguntar: para onde vai a minha informação? Quem governa estes dados? Como são tratados os dados dos meus clientes? Quase ninguém faz estas perguntas”, afirmou .
Sem mapeamento de riscos, empresas podem comprometer a sua continuidade operacional e competitividade.
Vulnerabilidade Sistémica E Coordenação Insuficiente
A criação de legislação para registo e licenciamento de plataformas digitais representa avanço institucional . Contudo, a implementação efectiva depende de articulação entre Estado e sector privado.
Segundo Matilde Rungo, quando uma PME opera sem segurança mínima, o problema deixa de ser individual e passa a ser sistémico. Cadeias de valor interligadas significam que uma vulnerabilidade isolada pode gerar efeitos em cascata.
O desafio não é replicar modelos internacionais dispendiosos, mas adaptar práticas graduais e consistentes à realidade nacional.
Literacia Digital: O Elo Mais Frágil
Grande parte dos incidentes digitais decorre de falhas humanas, e não de ataques sofisticados.
“Há situações que nem configuram ataque cibernético. São falhas de consciencialização. Pessoas inserem dados pessoais sem ler, clicam em links duvidosos ou partilham informação sem validação”, explicou Matilde Rungo .
A formação interna surge como prioridade imediata. Capacitar colaboradores pode reduzir significativamente vulnerabilidades.
Mudança Cultural E Preparação Estratégica
Durante conferência sobre transformação digital, o engenheiro electrónico e fundador da Kinesis, Manuel da Costa Neto, destacou a importância de preparação estratégica e mudança de mentalidade .
“Precisamos mudar a nossa mentalidade. Um país sempre terá problemas, mas isso não pode ser desculpa para deixar de investir em iniciativas de transformação digital. Também temos de nos preparar para os problemas do futuro”, afirmou.
Neto acrescentou que Moçambique depende ainda maioritariamente de empresas estrangeiras para implementação de políticas avançadas de cibersegurança.
“A nova legislação é um primeiro passo, mas precisamos de fortalecer o mercado nacional”, defendeu .
Segurança Como Motor De Crescimento
Para além da dimensão defensiva, a cibersegurança pode representar oportunidade económica.
O aumento da procura por serviços especializados tende a gerar empregos qualificados e estimular o ecossistema tecnológico nacional. Startups e empresas que integram segurança desde o desenho das soluções ganham vantagem competitiva junto de financiadores.
Num país que acelera a transformação digital, a questão central não é apenas inovar, mas garantir que a inovação seja sustentável.
Se Estado e sector privado conseguirem alinhar políticas, investimento e consciencialização, a cibersegurança poderá transformar-se num pilar estrutural da competitividade moçambicana. Caso contrário, a expansão digital continuará assente numa base vulnerável, com riscos económicos crescentes.
Inovação Digital Redesenha o Sistema Financeiro Global: Oportunidades e Riscos
11 de Setembro, 2025INCM Revela Avanços E Desafios Na Qualidade Dos Serviços De Telecomunicações
9 de Setembro, 2025
Mais notícias
-
Governo Disponibiliza 16 Milhões de Dólares para Financiamento de Iniciativas Juvenis
24 de Fevereiro, 2025
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026















