Estreito de Ormuz em Turbulência Abala Comércio Global e Eleva Riscos para Economias Vulneráveis

0
175

UNCTAD alerta que interrupções no principal corredor energético do mundo já impulsionam preços do petróleo, fertilizantes e transporte marítimo

Questões-Chave:
  • Cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz;
  • Tráfego diário de navios no corredor caiu 97% desde o início da escalada militar;
  • Preço do petróleo Brent ultrapassou US$90 por barril, enquanto o gás subiu 74%;
  • Custos de transporte marítimo e combustível bunker registam aumentos históricos;
  • Países em desenvolvimento enfrentam risco acrescido de inflação alimentar e pressão fiscal.

Um dos corredores marítimos mais críticos do mundo

O agravamento das tensões militares no Médio Oriente está a provocar uma disrupção significativa no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio internacional.

Segundo um relatório divulgado pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), cerca de um quarto de todo o comércio marítimo global de petróleo atravessa este estreito, o que o transforma num ponto crítico para a segurança energética mundial.

Em 2024, aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia transitaram por este corredor marítimo, incluindo crude, condensados e produtos refinados, além de volumes significativos de gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes destinados aos mercados globais.

Tráfego marítimo praticamente interrompido

O impacto da escalada militar tem sido imediato no transporte marítimo.

Dados apresentados no relatório mostram que o número de navios que atravessam diariamente o Estreito de Ormuz sofreu uma queda abrupta de 97%, passando de uma média de 141 navios por dia em Fevereiro para apenas algumas unidades após o início da crise.

Esta interrupção tem repercussões directas nas cadeias globais de abastecimento, especialmente no transporte de energia e matérias-primas estratégicas.

Mercados energéticos reagem com forte volatilidade

Os mercados internacionais de energia reagiram rapidamente às tensões.

Entre 27 de Fevereiro e 9 de Março de 2026, os preços do petróleo registaram uma subida significativa, com o Brent a ultrapassar os US$90 por barril, enquanto os preços do gás natural europeu aumentaram cerca de 74% no mesmo período.

O relatório destaca que estas oscilações podem desencadear efeitos em cadeia na economia global, afectando custos de produção, transporte e energia.

Fertilizantes e segurança alimentar também em risco

O impacto não se limita ao sector energético.

Cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, o que torna a interrupção do corredor uma ameaça adicional para a segurança alimentar global.

Os fertilizantes exportados a partir do Golfo Pérsico incluem sobretudo ureia (67%), fosfato diamónico (20%) e fosfato monoamónico (9%), insumos essenciais para a produção agrícola em vários países em desenvolvimento.

Algumas economias africanas e asiáticas dependem significativamente destas importações. Entre elas, Moçambique obtém cerca de 22% dos fertilizantes importados por via marítima a partir desta região, segundo os dados compilados pela UNCTAD.

Custos de transporte e seguros disparam

Outro efeito imediato da crise tem sido a escalada dos custos logísticos no transporte marítimo.

Os índices globais de transporte de petróleo registaram aumentos abruptos, com o Baltic Dirty Tanker Index a subir 54% e o Clean Tanker Index 72% desde o início da escalada militar.

Ao mesmo tempo, o preço do combustível marítimo (bunker fuel) duplicou em alguns mercados, enquanto os prémios de seguro de guerra para navios aumentaram drasticamente.

Segundo a UNCTAD, o custo de seguro por viagem para um navio petroleiro avaliado em US$100 milhões pode passar de cerca de US$250 mil para até US$1 milhão, dependendo do nível de risco.

Pressão crescente sobre economias em desenvolvimento

A UNCTAD alerta que os efeitos económicos mais severos poderão recair sobre os países em desenvolvimento.

Muitas destas economias já enfrentam níveis elevados de dívida pública, restrições fiscais e acesso limitado ao financiamento internacional. Neste contexto, o aumento simultâneo dos preços da energia, dos fertilizantes e do transporte poderá intensificar pressões inflacionistas e agravar o custo de vida.

O relatório sublinha que a magnitude do impacto dependerá da duração e intensidade da crise, bem como da capacidade da comunidade internacional de preservar corredores marítimos seguros para o comércio global.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.