Ouro Recupera Com Compras Em Baixa, Mas Pressão Do Dólar E Juros Limita Ganhos

0
64

Escalada no Médio Oriente sustenta procura por activos de refúgio, enquanto expectativas de taxas elevadas e petróleo caro condicionam trajectória do metal precioso

Questões-Chave:
  • Ouro sobe com compras em baixa após perdas recentes de cerca de 12%;
  • Conflito no Médio Oriente mantém procura por activos de refúgio;
  • Dólar forte e subida das yields pressionam valorização do ouro;
  • Expectativas de taxas elevadas reduzem atractividade do metal;
  • China reforça reservas de ouro pelo 17.º mês consecutivo.

Ouro recupera, mas movimento permanece condicionado

O ouro registou uma recuperação moderada nos mercados internacionais, sustentado por compras em baixa num contexto de retoma da liquidez após o período da Páscoa. Ainda assim, o movimento ascendente permanece limitado por factores macroeconómicos adversos, nomeadamente a força do dólar e a subida das taxas de juro.

O preço do ouro à vista avançou 0,2%, situando-se em 4.655,89 dólares por onça, depois de ter registado ganhos mais expressivos no início da sessão, chegando a subir cerca de 1%.

Segundo analistas, este comportamento reflecte um mercado ainda em fase de ajustamento, após a recente correcção associada ao agravamento do conflito no Médio Oriente.

Geopolítica sustenta procura por refúgio, mas não domina o mercado

A escalada das tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irão continua a desempenhar um papel relevante na dinâmica do ouro, tradicionalmente visto como activo de refúgio em períodos de incerteza.

A ameaça de disrupção prolongada no fornecimento de petróleo e gás na região, aliada ao risco de intensificação do conflito, mantém os investidores atentos e sustenta alguma procura defensiva.

Contudo, ao contrário de episódios anteriores, a geopolítica não tem sido suficiente para impulsionar uma valorização mais robusta do metal, evidenciando a influência crescente de outros factores macroeconómicos.

Dólar forte e taxas elevadas impõem travão estrutural

O principal factor limitador da subida do ouro continua a ser o fortalecimento do dólar norte-americano, que se mantém próximo de máximos recentes. Um dólar mais forte torna o ouro mais caro para investidores que operam noutras moedas, reduzindo a procura global.

Paralelamente, a subida das yields das obrigações do Tesouro dos EUA reforça a atractividade de activos com rendimento, diminuindo o apelo do ouro, que não gera juros.

“Estamos num contexto em que a força do dólar e a pressão das yields estão a actuar como travões importantes sobre o ouro”, referiu Nitesh Shah, estratega de commodities da WisdomTree.

Inflação, petróleo e política monetária reconfiguram o mercado

Apesar de o ouro ser tradicionalmente considerado uma cobertura contra a inflação, o actual contexto apresenta uma dinâmica mais complexa. A subida dos preços do petróleo está a alimentar preocupações inflacionistas, mas simultaneamente contribui para expectativas de taxas de juro mais elevadas por mais tempo.

Este equilíbrio tem resultado numa pressão adicional sobre o ouro, que perdeu cerca de 12% desde o início do conflito no Médio Oriente.

Adicionalmente, as expectativas do mercado apontam para a ausência de cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal este ano, o que reforça o ambiente desfavorável para o metal precioso.

Bancos centrais mantêm estratégia de acumulação

Num sinal de confiança estrutural no ouro, o Banco Central da China voltou a aumentar as suas reservas pelo 17.º mês consecutivo, atingindo 74,38 milhões de onças no final de Março.

Este movimento reforça a tendência de diversificação de reservas por parte de economias emergentes, numa estratégia que visa reduzir a dependência do dólar e reforçar a estabilidade financeira.

Mercado dividido entre refúgio e custo de oportunidade

O comportamento recente do ouro revela um mercado dividido entre duas forças opostas: por um lado, a procura por segurança em contexto de incerteza geopolítica; por outro, o custo de oportunidade crescente associado a taxas de juro elevadas.

Esta dualidade explica a evolução contida dos preços e sugere que, no curto prazo, o ouro continuará a negociar num intervalo relativamente estreito, dependente da evolução simultânea da geopolítica e da política monetária.

Num cenário em que ambos os factores permanecem incertos, o metal precioso mantém-se como um barómetro sensível do equilíbrio entre risco e retorno nos mercados globais.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.