Fundos Globais Aceleram Aposta em Metais e Sinalizam Novo Superciclo das Matérias-Primas

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Fluxos para ETFs mineiros mais do que duplicam e atingem 87,4 mil milhões de dólares, impulsionados por inteligência artificial, defesa e transição energética

Questões-Chave:
  • Activos sob gestão em ETFs de mineração duplicam para 87,4 mil milhões de dólares no primeiro trimestre;
  • Investidores deslocam capital de tecnologia para activos reais, antecipando novo superciclo;
  • Metais industriais, como cobre e alumínio, ganham protagonismo face ao ouro;
  • Volatilidade pode intensificar-se devido à dimensão reduzida dos mercados de metais;

Investidores reposicionam carteiras e antecipam nova fase do ciclo das commodities

Os grandes fundos globais estão a reposicionar as suas carteiras numa escala significativa, canalizando capital para o sector mineiro e de metais numa dinâmica que começa a ser interpretada como o início de um novo superciclo das matérias-primas. Segundo dados compilados pela ETFGI e citados pela Reuters, os activos sob gestão em fundos cotados em bolsa (ETFs) ligados à mineração mais do que duplicaram, atingindo 87,4 mil milhões de dólares até 31 de Março, face a 37 mil milhões registados um ano antes .

Esta mudança ocorre num contexto de crescente procura por matérias-primas estratégicas, alimentada pela expansão da inteligência artificial, pelo reforço das infra-estruturas energéticas e pelo aumento das despesas em defesa. Ao mesmo tempo, observa-se uma rotação de capital a partir de acções tecnológicas, que enfrentam avaliações elevadas e maior incerteza.

Evy Hambro, gestor de portefólio da BlackRock, afirmou à Reuters que este movimento representa “as fases iniciais de um superciclo das commodities”, sublinhando que “a intensidade material do PIB está a aumentar”, numa referência à crescente dependência de metais em sectores como centros de dados, veículos eléctricos e redes eléctricas.

Metais industriais assumem liderança num contexto geopolítico e energético exigente

Os fluxos de investimento revelam uma clara preferência por metais industriais. Fundos ligados ao cobre registaram entradas de capital, enquanto o ouro, tradicional activo de refúgio, sofreu saídas líquidas recentes, numa inversão relevante face ao padrão histórico em períodos de tensão geopolítica.

Esta tendência sugere que os investidores estão a antecipar uma resposta da economia real à crise no Médio Oriente, nomeadamente através de investimentos em segurança energética e infra-estruturas. Como referiu Taosha Wang, da Fidelity, um “superciclo de mineração e energia já começou”, impulsionado pela necessidade dos governos assegurarem cadeias de abastecimento estratégicas.

Empresas como BHP e Rio Tinto, entre as maiores do mundo no sector, beneficiam desta conjuntura, posicionando-se na intersecção de múltiplos motores de procura, desde a electrificação à digitalização da economia.

Estrutura de mercado amplifica riscos e volatilidade

Apesar do optimismo em torno do sector, analistas alertam para riscos significativos associados à volatilidade. Os mercados de metais são relativamente pequenos quando comparados com os mercados accionistas e obrigacionistas globais, o que significa que movimentos de capital podem provocar oscilações acentuadas nos preços.

Os dados indicam que o volume de negociação de futuros de metais permanece muito inferior ao dos grandes índices accionistas, tornando o sector particularmente sensível a alterações de sentimento dos investidores.

Além disso, o peso do sector mineiro nos mercados globais continua reduzido. As cinco maiores empresas de mineração representam apenas 0,4% do índice MSCI ACWI, em contraste com 16,8% das cinco maiores tecnológicas, evidenciando margem potencial para valorização adicional.

Cobre emerge como activo estratégico num ciclo de longo prazo

Entre os vários metais, o cobre destaca-se como o activo mais estratégico neste novo ciclo. A sua aplicação transversal em sectores como energia, mobilidade eléctrica e tecnologia coloca-o no centro das transformações estruturais da economia global.

Charlie Aitken, da Regal Partners, afirmou que o cobre está “no cruzamento de tudo” e que os preços podem duplicar ou triplicar na próxima década, caso se confirme o défice estrutural de oferta .

Ainda assim, os investidores reconhecem que esta dinâmica poderá ter efeitos inflacionistas, especialmente num contexto de tensão energética global, o que pode introduzir novos desafios para o crescimento económico mundial.

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