
Petróleo Sobe Com Temores Sobre Irão e Estreito de Ormuz; Aramco Adverte Para Perda de 100 Milhões de Barris Por Semana
- Fragilidade das negociações entre Washington e Teerão reacende receios de ruptura na oferta global de crude, enquanto o CEO da Saudi Aramco alerta para impactos severos no mercado caso persistam disrupções no Estreito de Ormuz.
- Preços do Brent e WTI registaram nova subida impulsionada por receios geopolíticos ligados ao Irão;
- Donald Trump admite que o cessar-fogo está “em suporte de vida”, revelando divergências profundas entre Washington e Teerão;
- Irão insiste na soberania sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e LNG;
- CEO da Saudi Aramco alerta que o mercado poderá perder cerca de 100 milhões de barris por semana caso persistam disrupções em Ormuz;
- Produção da OPEP caiu para mínimos de mais de duas décadas, segundo inquérito da Reuters.
Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira, num contexto marcado pela crescente inquietação dos mercados relativamente à estabilidade do Médio Oriente e ao risco de perturbações prolongadas no abastecimento global de crude. A valorização surge numa altura em que as negociações visando pôr termo ao conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão continuam frágeis e sem sinais concretos de entendimento estrutural.
Segundo a agência Reuters, o barril de Brent avançou 0,8%, negociando nos 105,07 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) norte-americano subiu 1%, para 99,06 dólares por barril. Os dois referenciais já haviam registado ganhos próximos de 2,8% na sessão anterior.
A actual dinâmica do mercado reflecte sobretudo o receio de que as tensões envolvendo o Irão possam comprometer ainda mais o funcionamento do Estreito de Ormuz, considerado uma das artérias energéticas mais sensíveis do planeta. Através desta passagem marítima circula aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu na segunda-feira que o cessar-fogo com o Irão está “em suporte de vida”, admitindo a existência de divergências significativas entre as partes. Entre os principais pontos de discórdia estão a cessação das hostilidades em todas as frentes, o levantamento do bloqueio naval norte-americano, a retoma das exportações petrolíferas iranianas e as exigências de compensação pelos danos da guerra.
Teerão, por seu turno, reiterou a sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, reforçando um discurso que continua a alimentar nervosismo nos mercados energéticos globais.
A leitura dominante entre analistas internacionais é que o optimismo inicial relativamente a um acordo rápido está a dissipar-se. Citado pela Reuters, Suvro Sarkar, responsável pelo sector energético do DBS Bank, afirmou que “o optimismo relativamente a um acordo iminente parece estar novamente a desaparecer”, acrescentando que, caso não haja entendimento até ao final de Maio, “os riscos de subida dos preços do petróleo estarão claramente sobre a mesa”.
O endurecimento das preocupações geopolíticas surge numa altura em que já começam a sentir-se impactos concretos sobre os fluxos globais de exportação. Um inquérito da Reuters revelou que a produção petrolífera da OPEP caiu em Abril para o nível mais baixo em mais de duas décadas, reflexo das perturbações ligadas ao quase encerramento do Estreito de Ormuz e da redução de exportações por parte de vários produtores.
Num dos alertas mais contundentes emitidos até agora, o CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, advertiu que o mercado petrolífero poderá perder cerca de 100 milhões de barris por semana caso as disrupções em Ormuz persistam ao ritmo actual e o estreito permaneça fechado.
Segundo Amin Nasser, “esperamos que o racionamento da procura continue enquanto o abastecimento permanecer perturbado através do Estreito de Ormuz”. O responsável acrescentou ainda que, caso o comércio marítimo e o transporte normal sejam retomados, o mercado poderá assistir posteriormente a “um retorno muito robusto do crescimento da procura”.
As declarações do CEO da Aramco reforçam a percepção de que o actual momento ultrapassa uma simples volatilidade conjuntural dos preços e começa a assumir contornos de ameaça estrutural à estabilidade energética global. O risco de uma ruptura prolongada em Ormuz poderá provocar pressões inflacionárias significativas, deteriorar os custos de transporte e produção industrial e reacender receios de desaceleração económica em várias geografias.
Os mercados acompanham igualmente com expectativa o encontro previsto entre Donald Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, agendado para esta quarta-feira, numa altura em que Washington impôs novas sanções contra indivíduos e empresas acusadas de facilitar exportações de petróleo iraniano para a China.
Analistas consideram que um eventual avanço diplomático poderia desencadear uma correcção significativa dos preços do petróleo. Contudo, o cenário inverso — marcado por escalada militar ou renovadas ameaças ao Estreito de Ormuz — poderá empurrar rapidamente o Brent para níveis superiores a 115 dólares por barril, agravando ainda mais as tensões sobre a economia global.
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