
Banco Africano De Desenvolvimento Reforça Aposta Nas Redes Eléctricas Para Sustentar Expansão Energética De Moçambique
- Instituição financeira garante financiamento para novas linhas de transmissão, defendendo uma abordagem integrada entre geração e transporte de energia para assegurar a sustentabilidade do sector e fortalecer a integração regional.
- Banco Africano de Desenvolvimento prepara financiamento para novas linhas de transmissão eléctrica em Moçambique;
- Instituição defende maior equilíbrio entre investimentos em geração e transporte de energia;
- Mais de 600 quilómetros de linhas de transmissão já beneficiaram de apoio do BAD;
- Integração energética regional continua a ser uma prioridade estratégica;
- Mphanda Nkuwa e Cahora Bassa são apontados como projectos estruturantes para o futuro energético da região.
O Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB, siga em inglês) reafirmou o seu compromisso com o fortalecimento das infra-estruturas eléctricas em Moçambique, anunciando a disponibilização de financiamento para novas linhas de expansão da rede de transmissão nacional e internacional.
A informação foi avançada em Maputo pelo representante do AfDBem Moçambique, Rómulo Correia, que defendeu uma abordagem integrada para o desenvolvimento do sector energético, sustentando que os investimentos em geração e transmissão devem avançar de forma coordenada para garantir a sustentabilidade do sistema eléctrico nacional.
Segundo o responsável, o principal desafio não reside apenas no aumento da capacidade de produção de energia, mas sobretudo na capacidade de evacuação, transporte e distribuição da electricidade gerada.
“Não se trata apenas de saber se a geração vem primeiro ou se a transmissão vem primeiro. O que defendemos é uma análise integrada, para que a produção de energia cresça em paralelo com a capacidade de evacuação e gestão do sistema”, afirmou.
Infra-Estruturas Como Pilar Da Transformação Energética
O BAD considera que o reforço das redes de transmissão constitui um elemento decisivo para assegurar a estabilidade do sistema eléctrico e criar condições para o aproveitamento pleno dos actuais e futuros investimentos em geração de energia.
Rómulo Correia recordou que a instituição já desempenhou um papel relevante no financiamento de infra-estruturas estruturantes, apoiando a construção de mais de 600 quilómetros de linhas de transmissão em Moçambique.
Segundo explicou, estes investimentos contribuem para o fortalecimento da espinha dorsal do sistema eléctrico nacional e para a integração energética da região da África Austral.
Desequilíbrio Entre Geração E Transmissão Continua A Preocupar
O representante do AfDB alertou igualmente para os riscos associados à falta de equilíbrio entre os investimentos realizados na produção de energia e aqueles destinados ao transporte da electricidade.
Na sua perspectiva, mesmo projectos tecnicamente sólidos podem enfrentar dificuldades de viabilidade financeira caso não existam infra-estruturas adequadas para escoar a energia produzida.
“Sem esse equilíbrio, mesmo bons projectos enfrentam dificuldades no seu fluxo financeiro”, advertiu.
Menos Ajuda Externa Exige Maior Participação Do Sector Privado
O actual contexto internacional também foi identificado como um factor que exige novas abordagens de financiamento.
Com a redução da assistência oficial ao desenvolvimento e a diminuição dos créditos concessionais disponíveis, o AfDBconsidera que o sector privado deverá assumir um papel mais relevante no financiamento de infra-estruturas energéticas.
Neste contexto, a instituição defende o reforço das Parcerias Público-Privadas (PPP), bem como melhorias do quadro regulatório, de forma a tornar os projectos energéticos mais atractivos para investidores nacionais e internacionais.
O banco tem igualmente vindo a apoiar mecanismos de mitigação de risco, incluindo garantias parciais destinadas a facilitar a mobilização de capital para projectos estruturantes.
Integração Regional Ganha Centralidade
Outro aspecto destacado pelo AfDBprende-se com a necessidade de aprofundar a integração energética regional.
Projectos como a reabilitação da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e a futura Central Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa foram apontados como iniciativas que devem ser concebidas numa perspectiva regional, garantindo mercados mais amplos para a energia produzida e contratos de longo prazo que reforcem a previsibilidade das receitas.
A visão defendida pela instituição financeira enquadra-se na crescente procura de energia na África Austral e no posicionamento de Moçambique como um potencial centro regional de produção e exportação de electricidade.
Neste contexto, o investimento em redes de transmissão deixa de ser apenas uma necessidade técnica e passa a constituir um elemento estratégico para viabilizar a transformação energética e económica do país.
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