US$ Recua Perante Avanço do Yen e Expectativas de Juros no Japão

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  • Moeda norte-americana perde terreno enquanto os investidores antecipam uma possível subida dos juros pelo Banco do Japão e aguardam os dados do emprego dos Estados Unidos
Questões-Chave:
  • Yen prolongou a valorização de 0,9% da sessão anterior e atingiu 157,95 unidades por dólar;
  • Mercado atribui o movimento à revisão das expectativas de juros no Japão e não a uma nova intervenção cambial;
  • Possibilidade de subida dos juros pelo Banco do Japão em Setembro encontra-se praticamente incorporada nas cotações;
  • Índice do dólar recuou 0,14%, para 99,46 pontos, depois de se aproximar de máximos de duas semanas;
  • Dados do emprego dos Estados Unidos poderão alterar as expectativas sobre a decisão da Reserva Federal de 15 e 16 de Setembro.

O Yen liderou os movimentos no mercado cambial internacional esta quinta-feira, 3 de Setembro, prolongando a recuperação iniciada na sessão anterior, enquanto o dólar recuou perante a perspectiva de uma subida mais rápida das taxas de juro no Japão e a aproximação da divulgação dos dados do emprego nos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, a moeda japonesa chegou a negociar em 157,95 por dólar durante a sessão asiática, depois de ter valorizado 0,9% no dia anterior. A rapidez do movimento chegou a suscitar especulações sobre uma eventual intervenção das autoridades japonesas, mas analistas consideram que a subida reflecte sobretudo uma revisão das expectativas de política monetária.

A valorização foi igualmente expressiva face às moedas europeias. O euro recuou 0,38%, para 183,27 Yen, enquanto a libra esterlina perdeu 0,36%, para 213,21 Yen.

Expectativas de Juros Sustentam o Yen

A recuperação da moeda japonesa ganhou força depois de Hajime Takata, membro do Conselho de Política Monetária do Banco do Japão, ter defendido que a instituição deve elevar as taxas de juro de forma mais célere para responder à intensificação das pressões inflacionárias.

As declarações contrariaram a expectativa anterior de que o banco central manteria um ritmo previsível de aproximadamente uma subida por semestre. O Citi considerou que a posição representa uma das mensagens mais restritivas emitidas recentemente por um membro do Banco do Japão e recoloca no mercado a possibilidade de uma trajectória mais rápida de normalização monetária.

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, já havia indicado que a instituição discutirá uma eventual subida dos juros na reunião de 17 e 18 de Setembro, dando particular atenção aos riscos inflacionários.

Ueda afirmou que as condições financeiras permanecem acomodatícias e que o banco central pretende continuar a elevar os juros, embora deva avaliar os efeitos cumulativos das cinco subidas já realizadas.

O Banco do Japão elevou a sua taxa directora para 1% em Junho, o nível mais alto em 31 anos, e manteve-a inalterada em Julho. Os mercados incorporam agora quase integralmente a possibilidade de um novo aumento em Setembro.

Movimento Afasta Hipótese de Nova Intervenção

A subida abrupta do Yen na sessão anterior colocou os operadores em alerta para uma possível actuação das autoridades japonesas. Contudo, a dimensão e a curta duração do movimento não apresentaram as características normalmente associadas a uma intervenção directa.

Kazumasa Ishii, estratega da UBS SuMi Trust Wealth Management, afirmou à Reuters que o Governo japonês teria poucos incentivos para actuar neste momento, sobretudo porque existem sinais limitados de que a taxa de câmbio possa regressar imediatamente a novos mínimos de várias décadas.

A hipótese de uma simples verificação de taxas junto das instituições financeiras também foi considerada. Este procedimento ocorre quando o Governo ou o banco central solicita cotações aos operadores, podendo funcionar como aviso ao mercado sem envolver a compra ou venda efectiva de divisas.

A vigilância permanece elevada depois da rara intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão, realizada em 31 de Julho para apoiar o Yen. Apesar dessa operação, a moeda voltou a perder valor nas semanas seguintes, condicionada pelo diferencial entre os juros norte-americanos e japoneses, pelas preocupações fiscais e pela subida dos preços da energia.

Dólar Interrompe Movimento de Valorização

A recuperação do Yen colocou o dólar em terreno negativo face ao conjunto das principais moedas. O índice que mede o desempenho da divisa norte-americana perante seis moedas recuou 0,14%, para 99,46 pontos.

Na sessão anterior, o dólar havia beneficiado da subida dos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano e do aumento dos preços do petróleo, que ampliaram as preocupações com a inflação e fortaleceram as expectativas de uma subida dos juros pela Reserva Federal.

O agravamento da guerra entre os Estados Unidos e o Irão voltou a condicionar os mercados, devido ao seu impacto sobre a oferta internacional de petróleo. A subida da energia pode alimentar a inflação norte-americana e reduzir a margem da Reserva Federal para manter as taxas inalteradas.

As declarações mais restritivas do presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, em Jackson Hole, já tinham levado os investidores a reverem substancialmente as expectativas de política monetária. O Wall Street Journal indicou que a probabilidade de uma subida dos juros em Setembro chegou a 70%, contra 37% uma semana antes.

Com o ajustamento das cotações durante a sessão desta quinta-feira, os futuros dos fundos federais passaram a indicar uma probabilidade próxima de 61%.

Emprego Norte-Americano Assume Papel Decisivo

O relatório oficial do emprego não agrícola dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira, poderá determinar a próxima direcção do dólar e do mercado cambial internacional.

Os analistas consultados pela Reuters antecipam a criação de 56 mil postos de trabalho em Agosto, depois da inesperada perda de 23 mil empregos em Julho. A taxa de desemprego deverá manter-se em 4,1%.

Um resultado significativamente abaixo das previsões poderá reduzir as expectativas de subida dos juros e retirar suporte ao dólar. Dados mais robustos, por outro lado, poderão consolidar a perspectiva de aperto monetário, sobretudo num contexto em que o petróleo mantém elevados os riscos inflacionários.

Carol Kong, estratega cambial do Commonwealth Bank of Australia, considera que, depois da intervenção de Kevin Warsh em Jackson Hole, os mercados regressaram à percepção de que a Reserva Federal está preparada para agir no curto prazo para aproximar a inflação da meta.

A evolução do mercado de trabalho tornou-se, assim, determinante para avaliar se o banco central norte-americano privilegiará os sinais de abrandamento económico ou os riscos de persistência da inflação.

Euro e Libra Registam Ganhos Marginais Face ao Dólar

O euro avançou ligeiramente, para US$ 1,1593, enquanto a libra esterlina recuperou de mínimos de três semanas e passou a negociar em torno de US$ 1,3489.

O dólar australiano manteve-se próximo de máximos de mais de três meses, em US$ 0,7166. O dólar neozelandês avançou 0,13%, para US$ 0,5860, depois de ter perdido 0,67% na sessão anterior, na sequência de uma subida dos juros acompanhada por uma comunicação relativamente prudente do banco central do país.

O dólar canadiano também prolongou os ganhos, para 1,3833 unidades por dólar norte-americano. A moeda beneficiou da decisão do Banco do Canadá de manter a taxa directora em 2,25%, acompanhada pela indicação de que a instituição está preparada para apertar a política monetária caso os riscos inflacionários continuem a aumentar.

Divergência Monetária Volta ao Centro do Mercado

O comportamento das moedas reflecte uma mudança nas expectativas sobre o ritmo de actuação dos principais bancos centrais. Tanto a Reserva Federal como o Banco do Japão poderão elevar os juros em Setembro, mas os respectivos efeitos cambiais dependerão da magnitude das decisões e das orientações apresentadas para os meses seguintes.

Uma subida mais rápida dos juros japoneses reduziria o diferencial de remuneração que tem favorecido o dólar e penalizado o Yen. Em sentido contrário, um novo aperto monetário nos Estados Unidos poderá preservar a vantagem dos activos denominados em dólares.

A trajectória das duas moedas continuará igualmente condicionada pelos preços do petróleo. O Japão depende fortemente da importação de energia e um petróleo mais caro deteriora a sua balança comercial, enquanto, nos Estados Unidos, amplia o risco de inflação e sustenta expectativas de juros mais elevados.

Nas próximas sessões, a evolução do dólar e do Yen deverá resultar desta interacção entre dados económicos, política monetária e risco geopolítico, com o relatório do emprego norte-americano a constituir o primeiro teste determinante.