IFC Avalia Novos Investimentos em Energia, Agricultura e Corredores de Desenvolvimento de Moçambique

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  • Encontro entre o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e o Vice-Presidente Regional da IFC para África, Ethiopis Tafara, abre perspectivas de cooperação em seis áreas estratégicas. Instituição propõe mobilizar tecnologia, financiamento e garantias bancárias para integrar pequenos produtores agrícolas nas cadeias de valor, além de avaliar oportunidades em Mphanda Nkuwa e no Corredor da Beira.
Questões-Chave:
  • IFC manifesta interesse em apoiar projectos energéticos, incluindo Mphanda Nkuwa, no quadro da iniciativa Mission 300;
  • Plataforma Global AgriConnect poderá apoiar a integração de pequenos produtores agrícolas em cadeias de valor, combinando tecnologia, financiamento e acesso aos mercados;
  • Experiências internacionais apresentadas pela IFC indicam ganhos de produtividade entre 30% e 50%, sujeitos à avaliação das condições de aplicação em Moçambique;
  • Corredor da Beira surge como prioridade potencial para investimentos em infra-estruturas e integração económica regional;
  • IFC propõe avaliar mecanismos de garantias bancárias, financiamento das cadeias de fornecimento e soluções FinTech para facilitar o crédito às MPME;
  • Governo e IFC deverão aprofundar o diálogo técnico para identificar projectos prioritários, parceiros e instrumentos de financiamento.

Moçambique e IFC Identificam Seis Áreas de Cooperação Para Mobilização de Investimento Privado

Moçambique e a Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial dedicada ao desenvolvimento do sector privado, identificaram novas oportunidades de cooperação em energia, agricultura, infra-estruturas logísticas, turismo, transformação digital e financiamento empresarial, durante um encontro realizado à margem do Fórum de Investimento da África Lusófona, que decorreu nos dias 26 e 27 de Outubro, na Ilha do Sal, em Cabo Verde.

As conversações envolveram o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, e o Vice-Presidente Regional da IFC para África, Ethiopis Tafara, tendo incidido sobre mecanismos para mobilizar capital privado e desenvolver projectos com potencial de geração de emprego, aumento da produtividade e integração económica.

As partes identificaram oportunidades de colaboração em seis domínios, com particular destaque para o acesso à energia, a modernização da agricultura e a melhoria das infra-estruturas de transporte.

Uma das propostas apresentadas pela IFC consiste na possibilidade de introduzir em Moçambique a Global AgriConnect Platform, iniciativa que articula empresas de tecnologia agrícola, instituições financeiras e operadores de comercialização para facilitar o acesso de pequenos produtores a insumos, financiamento e mercados.

O interesse da instituição abrange igualmente o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, o desenvolvimento do Corredor da Beira e a criação de instrumentos financeiros destinados às micro, pequenas e médias empresas.

As iniciativas encontram-se numa fase de identificação e aprofundamento técnico, não correspondendo ainda a compromissos financeiros formalmente aprovados. O encontro estabeleceu a necessidade de definir pontos focais institucionais e preparar um programa de trabalho conjunto.

Agricultura: IFC Apresenta Modelo de Integração Tecnológica e Financeira Para Pequenos Produtores

A modernização da agricultura ocupou uma posição central nas conversações, considerando a importância do sector na estratégia de desenvolvimento económico e na geração de rendimento das famílias rurais.

Durante o encontro, o Ministro Salim Valá destacou que uma das principais preocupações do Governo reside nas condições de produção de aproximadamente 5,2 milhões de pequenos produtores agrícolas, muitos dos quais continuam a enfrentar dificuldades de acesso a sementes, fertilizantes, mecanização, tecnologia, crédito e mercados.

O governante sublinhou a necessidade de melhorar a produtividade e os rendimentos familiares, considerando a agricultura uma das bases da transformação económica de longo prazo.

A IFC apresentou, neste contexto, a Global AgriConnect Platform, concebida para organizar pequenos produtores e facilitar a sua integração nas cadeias agrícolas através da utilização de tecnologias digitais, informação geoespacial e parcerias comerciais.

O modelo permite identificar e mapear os produtores, avaliar necessidades de insumos, apoiar a agregação da produção e criar informação que facilite a avaliação de crédito pelas instituições financeiras.

Segundo a explicação apresentada por Ethiopis Tafara, as empresas de tecnologia agrícola poderão desempenhar funções de intermediação entre produtores, bancos, fornecedores e compradores, contribuindo para reduzir custos de transacção e melhorar o acesso aos serviços.

A IFC admitiu igualmente a possibilidade de disponibilizar garantias às instituições bancárias que financiem pequenos produtores, em condições e percentagens a negociar.

A abordagem procura responder a uma dificuldade estrutural da agricultura moçambicana: a dispersão dos pequenos produtores, que aumenta os custos de fornecimento de insumos, assistência técnica, financiamento e recolha da produção.

Experiências Africanas Apontam Para Ganhos de Produtividade Entre 30% e 50%

Agricultura · Impacto internacional

AGRICONECT | EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS APRESENTADAS PELA IFC

Indicadores de alcance e área abrangida em diferentes mercados.

Etiópia

4 milhões

Produtores alcançados

Nigéria

1 milhão

Produtores alcançados, aproximadamente

Marrocos

250 mil ha

Área abrangida, aproximadamente

Indicador percentual

30%–50%

A IFC apresentou experiências de aplicação de modelos de integração agrícola noutros países africanos, destacando resultados associados à organização de pequenos produtores e à utilização de tecnologia.

Segundo os dados partilhados durante a reunião, iniciativas semelhantes alcançaram aproximadamente quatro milhões de produtores na Etiópia e perto de um milhão na Nigéria, enquanto em Marrocos abrangeram cerca de 250 mil hectares.

O Vice-Presidente Regional da IFC referiu ainda aumentos de produtividade entre 30% e 50% em algumas das experiências apresentadas, ilustrando o potencial de melhoria do desempenho agrícola através da combinação de tecnologia, financiamento e organização comercial.

Os resultados foram apresentados como referências para avaliar uma eventual adaptação do modelo ao contexto moçambicano, não constituindo projecções de ganhos automaticamente alcançáveis no país.

Ethiopis Tafara informou que a IFC já identificou 15 empresas africanas de tecnologia agrícola com potencial para participar em iniciativas deste tipo, propondo avaliar quais poderão contribuir para o desenvolvimento de uma plataforma semelhante em Moçambique.

A introdução da iniciativa poderá beneficiar das experiências nacionais de fomento agrícola, particularmente nas culturas de algodão, sisal, caju, chá e coco, sectores em que já foram utilizados modelos de articulação entre produtores e empresas agregadoras.

Durante as conversações, foi também discutida a necessidade de melhorar a ligação entre a produção agrícola e a indústria transformadora, tendo sido mencionadas situações em que empresas recorrem à importação de frutas que também podem ser produzidas em Moçambique.

A questão evidencia a importância da organização das cadeias de abastecimento, desde a produção até à recolha, conservação, transporte e processamento industrial.

Mphanda Nkuwa e Mission 300 Integram Agenda de Cooperação Energética

No sector energético, a IFC manifestou interesse em continuar a apoiar os compromissos de Moçambique no âmbito da iniciativa Mission 300, que procura acelerar o acesso à electricidade em África através da mobilização de investimentos públicos e privados.

Ethiopis Tafara destacou, em particular, o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, tendo referido a importância de um entendimento entre os respectivos promotores para viabilizar uma eventual participação da IFC no consórcio e no desenvolvimento do empreendimento.

A referência não constitui confirmação de entrada da instituição na estrutura accionista ou financeira do projecto, estando qualquer participação dependente de entendimentos adicionais e dos procedimentos de avaliação aplicáveis.

Salim Valá destacou o potencial energético nacional, incluindo os recursos hidroeléctricos, o gás natural e as fontes renováveis, particularmente a energia solar.

O governante mencionou igualmente os projectos de Balama, associado à exploração de grafite, e de Lupata, no domínio da energia hidroeléctrica, enquadrando-os nas oportunidades de investimento e desenvolvimento económico.

A possibilidade de ampliar a participação da IFC em projectos energéticos assume importância no contexto das necessidades nacionais de expansão do acesso à electricidade, desenvolvimento industrial e mobilização de financiamento para infra-estruturas.

Corredor da Beira Surge Como Prioridade Potencial de Investimento Regional

O desenvolvimento dos corredores económicos constituiu outra área relevante das conversações.

A IFC sugeriu a possibilidade de trabalhar com o Governo na definição do Corredor da Beira como uma prioridade de investimento, considerando a sua importância para o escoamento de mercadorias produzidas em Moçambique e nos países do interior da região, particularmente a Zâmbia e o Zimbabwe.

A abordagem proposta abrange as infra-estruturas portuárias e os sistemas de transporte associados ao corredor, com potencial para melhorar a integração logística e ampliar a competitividade das cadeias comerciais regionais.

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento destacou a necessidade de prosseguir os investimentos em estradas, portos, aeroportos, linhas férreas e outras infra-estruturas económicas e sociais, incluindo através de concessões e parcerias público-privadas.

Durante o encontro, foi igualmente salientada a importância estratégica da ligação Norte–Sul, considerando a sua contribuição potencial para a integração económica e territorial, bem como para a estabilidade e coesão nacional.

A articulação entre corredores logísticos e desenvolvimento agrícola constituiu um dos pontos de convergência das conversações.

A utilização das infra-estruturas de transporte para ligar zonas produtoras a mercados internos, unidades industriais e destinos de exportação poderá melhorar as condições de comercialização e reduzir obstáculos ao escoamento da produção.

Neste contexto, o Corredor da Beira apresenta possibilidades de articulação entre a agricultura, as actividades industriais, a logística e o comércio regional, particularmente se os investimentos forem acompanhados pelo desenvolvimento de serviços de armazenagem, processamento e distribuição.

IFC Propõe Garantias e Financiamento das Cadeias de Valor Para Facilitar Crédito às MPME

O acesso ao financiamento empresarial constituiu outra dimensão central das conversações entre o Governo e a IFC.

As partes reconheceram que numerosas micro, pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades de acesso ao crédito bancário, mesmo quando desenvolvem actividades economicamente viáveis.

Entre os principais constrangimentos identificados encontra-se a insuficiência de garantias exigidas pelas instituições financeiras, circunstância que limita a capacidade de investimento e expansão dos negócios.

A IFC propôs avaliar, em articulação com bancos comerciais e outras instituições financeiras, a criação de instrumentos que facilitem a concessão de crédito a empresas com acesso limitado ao sistema financeiro.

Entre as possibilidades apresentadas encontram-se as soluções de tecnologia financeira (FinTech), o financiamento das cadeias de fornecimento (supply chain finance) e os mecanismos de garantias bancárias destinados a reduzir parte dos riscos assumidos pelos financiadores.

O Ministro Salim Valá apresentou, por sua vez, algumas das iniciativas nacionais orientadas para o financiamento da actividade económica, incluindo o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o Fundo para a Promoção Económica da Mulher, o Fundo de Garantias Mutuárias e o Banco de Desenvolvimento.

A articulação entre os instrumentos nacionais e os mecanismos financeiros da IFC poderá criar oportunidades de financiamento complementares, dependendo da estruturação dos programas e das condições de participação das instituições financeiras.

O Vice-Presidente da IFC salientou que o apoio aos pequenos produtores e às MPME deverá merecer atenção particular, considerando o potencial destas actividades para gerar emprego e aumentar o rendimento das famílias.

Turismo e Transformação Digital Também Integram Possibilidades de Cooperação

No turismo, a IFC manifestou disponibilidade para colaborar com Moçambique na identificação de destinos prioritários e no desenvolvimento das condições necessárias para mobilizar investimento privado.

Ethiopis Tafara destacou que a competitividade turística depende de um conjunto articulado de serviços e infra-estruturas, incluindo acessibilidades, alojamento, transportes e outros elementos que sustentam a experiência dos visitantes.

A abordagem proposta privilegia, assim, o desenvolvimento dos ecossistemas turísticos, em vez da avaliação isolada de empreendimentos.

Na transformação digital, a instituição referiu possuir experiência e parceiros internacionais que poderão contribuir para o desenvolvimento da agenda nacional.

O Vice-Presidente solicitou à Directora Regional para a África Austral, Cláudia Conceição, que aprofundasse o diálogo com a equipa moçambicana, com vista à identificação das necessidades concretas e de eventuais áreas de assistência técnica e investimento.

A possibilidade de cooperação neste domínio poderá ser articulada com a digitalização de serviços empresariais, a expansão das soluções financeiras e o desenvolvimento de plataformas tecnológicas de apoio às actividades produtivas.

Próxima Etapa Será Identificar Projectos e Estruturar Programa de Trabalho Conjunto

O encontro terminou com a identificação de acções destinadas a aprofundar a cooperação entre o Governo de Moçambique e a IFC.

Ethiopis Tafara propôs a designação de pontos focais para facilitar a articulação técnica e institucional, permitindo alinhar as iniciativas em análise com as prioridades do Governo.

Entre os encaminhamentos apresentados encontram-se a realização de uma reunião técnica entre as equipas, o aprofundamento da proposta AgriConnect, a identificação de projectos prioritários nos corredores de desenvolvimento e a avaliação de instrumentos de financiamento às micro, pequenas e médias empresas.

As partes deverão igualmente acompanhar o diálogo sobre Mphanda Nkuwa e desenvolver contactos específicos nas áreas de turismo e transformação digital.

O calendário de execução, os instrumentos de financiamento e as responsabilidades operacionais ainda carecem de definição, não tendo sido anunciados compromissos financeiros concretos decorrentes da reunião.

As conversações realizadas em Cabo Verde abrem, entretanto, possibilidades de cooperação em sectores com importância directa para a transformação económica nacional.

A proposta agrícola apresenta particular relevância pelo potencial de articulação entre milhões de pequenos produtores, instituições financeiras, empresas tecnológicas e compradores.

No domínio das infra-estruturas, o interesse pelo Corredor da Beira e pelo projecto de Mphanda Nkuwa poderá contribuir para aprofundar o diálogo sobre investimentos estratégicos e mobilização de capital privado.

A questão seguinte será a identificação de projectos suficientemente preparados para avaliação financeira, incluindo os respectivos modelos de negócio, estruturas de risco, entidades promotoras e condições de participação privada.

A IFC apresentou mecanismos concretos de cooperação em agricultura, energia e financiamento empresarial. O encontro de Cabo Verde estabeleceu uma base de diálogo para a sua avaliação técnica, ainda sem anunciar novos investimentos contratualizados.