Jovens Preferem Criar o Próprio Negócio, Mas Falta de Formação e Experiência Limita Acesso ao Emprego Em Moçambique

0
51
  • Inquérito Do Afrobarómetro Revela Que 46% Dos Jovens Dos 18 Aos 35 Anos Preferem Empreender, Contra 31% Que Optariam Pelo Sector Público E 13% Por Uma Empresa Privada. Dados Divulgados Pela Youngcolor Moçambique Colocam Em Evidência O Desafio De Transformar A Vontade De Empreender Em Negócios Sustentáveis E Oportunidades De Trabalho.
Questões-Chave:
  • 46% dos jovens no País preferem criar o próprio negócio, segundo o inquérito do Afrobarómetro divulgado pela Youngcolor Moçambique;
  • 65% dos inquiridos entre os 18 e os 35 anos afirmam estar sem emprego e à procura de trabalho em Moçambique;
  • 30% dos jovens apontam a falta de formação adequada como uma das principais barreiras ao emprego juvenil;
  • 51% dos jovens defendem que a criação de emprego deve ser a prioridade da despesa pública em Moçambique;

Preferência Pelo Empreendedorismo Reflecte Desafios Do Mercado De Trabalho Em Moçambique

A vontade de criar o próprio negócio destaca-se entre as preferências profissionais dos jovens moçambicanos, num contexto marcado por dificuldades de acesso ao emprego, insuficiência de experiência profissional e limitações na preparação para o mercado de trabalho. Os dados constam da primeira edição da Lupa da YoungColor Moçambique, publicação semanal lançada com base nos resultados da Ronda 10 do Afrobarómetro.

Segundo o inquérito, 46% dos jovens com idades entre os 18 e os 35 anos escolheriam iniciar o próprio negócio se pudessem decidir o seu percurso profissional. Outros 31% prefeririam trabalhar no sector público, enquanto 13% optariam por uma empresa privada.

Os resultados colocam o empreendedorismo no centro das aspirações profissionais da juventude, mas também levantam questões sobre as condições necessárias para transformar essa preferência em actividade económica produtiva, geração de rendimento e criação de postos de trabalho.

A pesquisa foi realizada em Moçambique pela CS Research, tendo abrangido 1.200 adultos, entre Julho e Setembro de 2025. Os dados específicos sobre emprego juvenil foram divulgados pelo Afrobarómetro em Junho de 2026.

Desemprego E Falta De Experiência Condicionam Perspectivas

O estudo indica que 65% dos inquiridos entre os 18 e os 35 anos afirmam estar sem emprego e à procura de trabalho. Outros 21% declaram estar sem emprego, mas não procurar trabalho. Estes resultados correspondem às respostas dos participantes e não devem ser confundidos com a taxa oficial de desemprego calculada segundo critérios estatísticos internacionais.

Entre os principais obstáculos identificados, 30% apontam a falta de formação ou preparação adequada, enquanto 19% referem a ausência da experiência exigida pelos empregadores. Outros 14% assinalam a incompatibilidade entre as qualificações académicas e os requisitos dos postos de trabalho.

Os dados evidenciam um desfasamento entre as competências disponíveis e as exigências do mercado, colocando pressão sobre os sistemas de formação profissional, as instituições de ensino e as empresas na preparação e integração dos jovens.

A falta de experiência, em particular, constitui um desafio para quem procura o primeiro emprego, uma vez que limita a entrada no mercado de trabalho mesmo entre candidatos que possuem formação académica ou técnico-profissional.

Jovens Consideram Que Criação De Emprego Deve Liderar Prioridades Da Despesa Pública Em Moçambique

A preferência pelo empreendedorismo não significa que os jovens dispensem a intervenção do Estado na criação de oportunidades económicas. Pelo contrário, 51% dos inquiridos defendem que a criação de emprego deve ser a principal prioridade da despesa pública dirigida à juventude.

O acesso ao crédito para pequenos negócios surge em segundo lugar, com 20% das respostas. A educação é indicada por 10%, enquanto a formação profissional é apontada por 8%, segundo os resultados divulgados pelo Afrobarómetro.

A combinação destas prioridades sugere que o incentivo ao empreendedorismo não depende apenas da vontade individual. O acesso ao financiamento, a aquisição de competências e a existência de condições para desenvolver uma actividade económica são elementos relevantes para a concretização dos projectos empresariais.

Para a economia, o desafio passa por garantir que os negócios criados consigam ultrapassar a fase inicial, conquistar mercados, formalizar operações e gerar rendimento de forma continuada. Sem essas condições, a preferência pelo auto-emprego pode não se traduzir necessariamente em empresas sustentáveis ou em novos postos de trabalho.

Programas Públicos Procuram Ligar Formação Ao Financiamento

Em Moçambique, existem instrumentos públicos destinados a apoiar a capacitação, a formalização e o financiamento de negócios liderados por jovens. O Programa Emprega, por exemplo, combina formação técnica e empreendedora com apoio à formalização e financiamento de projectos.

De acordo com os indicadores publicados no Portal da Juventude, o programa contabiliza mais de 3.500 empresas capacitadas, 550 empresas financiadas e mais de 21 mil jovens formados. A plataforma indica ainda que mais de 5.000 jovens receberam apoio para formalizar os seus negócios e apresenta uma meta governamental de beneficiar mais de 70 mil jovens com subvenções em 2026, através do Emprega, do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis (FAIJ) e de outros instrumentos.

Estes indicadores permitem enquadrar a resposta institucional ao desafio do emprego juvenil, embora devam ser distinguidos das metas programáticas e acompanhados por informação sobre a execução efectiva dos apoios, a sobrevivência das empresas financiadas e os postos de trabalho criados.

A questão central deixa, assim, de ser apenas quantos jovens recebem formação ou financiamento, passando também por avaliar quantos conseguem manter os seus negócios, aumentar a produção, aceder a mercados e contratar trabalhadores.

Desemprego Mantém-Se Entre As Principais Preocupações Nacionais

A relevância do tema é reforçada por outro levantamento do Afrobarómetro, divulgado em Outubro de 2026. Nesse estudo, 35% dos cidadãos identificaram o desemprego entre os problemas mais importantes que o Governo deve enfrentar. Entre os jovens, a preocupação com o desemprego atingiu 38%, acima dos níveis registados entre os grupos etários mais velhos.

O mesmo levantamento indica que 81% dos cidadãos avaliam negativamente o desempenho governamental na criação de emprego. Embora este estudo tenha um âmbito mais amplo do que o inquérito dedicado às preferências profissionais dos jovens, os resultados reforçam a centralidade do emprego na agenda económica e social do país.

Neste contexto, o empreendedorismo juvenil surge simultaneamente como uma aspiração profissional e uma possível via de integração económica. A sua contribuição para o desenvolvimento dependerá, contudo, da capacidade de converter iniciativas individuais em negócios viáveis, com acesso a financiamento, competências de gestão, mercados e condições para crescer.

YoungColor Pretende Aproximar Dados Das Decisões Empresariais E Politicas Publicas Sobre Emprego

A primeira edição da Lupa da YoungColor Moçambique procura aproximar os resultados de estudos e tendências das decisões de comunicação, marketing e publicidade. A publicação pretende apresentar informação de forma simples e acessível, ajudando empresas e marcas a compreender melhor os públicos e a ajustar as suas estratégias.

“Por trás de cada número há um jovem com vontade de construir o seu futuro. Muitos querem ser donos do seu próprio negócio e, para quem comunica, isso muda a forma de falar com eles. A Lupa da YoungColor Moçambique existe para trazer estes números para as decisões do dia-a-dia, de forma simples e acessível”, afirma Nair Bastos, directora de Operações da YoungColor Moçambique.

A agência, presente no país desde 2010, prevê publicar semanalmente dados e tendências relevantes para o contexto moçambicano, combinando números, gráficos e uma leitura das suas implicações para os profissionais de comunicação.