
Acordo Entre AICS e Eni Reforça Agenda da Economia Azul em Cabo Delgado
Questões-Chave:
- Acordo assinado em Maputo promove dois projectos para o desenvolvimento sustentável no distrito do Ibo, Cabo Delgado;
- A iniciativa inclui um Ecomuseu e campanhas de sensibilização ambiental com envolvimento comunitário;
- Cooperação entre AICS e empresas italianas como Eni, Carbosink e Novamont é vista como modelo de diplomacia económico-empresarial;
- A aposta na economia azul procura conciliar conservação ambiental, inclusão económica e estabilidade territorial.
Numa altura em que Moçambique aposta na valorização do seu vasto potencial costeiro, a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e a Eni deram um novo passo com a assinatura de um acordo para impulsionar a economia azul em Cabo Delgado. A iniciativa abrange projectos de desenvolvimento sustentável no distrito do Ibo, integrando conservação ambiental, inclusão social e dinamização económica.
Aprovado em 2024 com um orçamento de 3,5 milhões de euros, o Projecto de Desenvolvimento Sustentável e Integrado dos Recursos Marinhos e Costeiros será implementado numa das zonas mais emblemáticas mas vulneráveis da costa norte de Moçambique. A aposta recai sobre o distrito insular do Ibo, onde persistem desafios ecológicos, económicos e humanitários, mas onde também se concentra um elevado potencial de biodiversidade e património cultural.
Em articulação com este projecto, a multinacional italiana Eni vai executar iniciativas complementares, incluindo a criação de um Ecomuseu dedicado ao património natural e cultural costeiro e campanhas de educação ambiental junto das comunidades locais.
“Trabalhamos lado a lado para promover o desenvolvimento sustentável do país e definir prioridades comuns”, afirmou Paolo Sertoli, director da AICS em Maputo.
Modelo de Cooperação Económica Sustentável
A abordagem da AICS vai além da acção tradicional de assistência. O acordo agora firmado inscreve-se num modelo de cooperação público-privada, em que o know-how empresarial é considerado essencial para garantir eficácia, inovação e viabilidade económica das iniciativas.
“A cooperação italiana reconhece formalmente as empresas privadas como actores-chave no desenvolvimento”, destacou Sertoli, sublinhando o alinhamento com o quadro legal italiano.
Além da Eni, estão envolvidos outros parceiros italianos como a Carbosink, Newster e Novamont, que operam nos domínios da agricultura sustentável, segurança alimentar, saúde comunitária e educação técnico-profissional.
Impacto em Cabo Delgado e Significado Estratégico
A escolha de Cabo Delgado — uma província marcada por desafios de segurança, deslocações internas e pobreza rural — não é fortuita. A aposta na economia azul visa consolidar um modelo de desenvolvimento resiliente, territorialmente ancorado e inclusivo, capaz de gerar emprego, proteger os ecossistemas e reforçar a coesão social.
O foco no Ibo, em particular, introduz a vertente da valorização cultural e turística como vector de dinamização económica. A criação do Ecomuseu propõe-se articular memória, identidade e sustentabilidade, aproximando a comunidade local dos instrumentos de conservação e promoção territorial.
A nova parceria entre a AICS e a Eni representa mais do que um compromisso técnico. É um sinal político de que a cooperação internacional pode (e deve) evoluir para modelos de co-investimento, responsabilização partilhada e impacto duradouro. Ao ligar desenvolvimento sustentável, diplomacia económica e fortalecimento institucional, o projecto para a economia azul em Cabo Delgado pode tornar-se uma referência para futuras intervenções em zonas costeiras vulneráveis de Moçambique e da região.
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