Corredores Logísticos Reafirmados Como Motores de Industrialização, Comércio e Integração Regional

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Questões-Chave:
  • Governo reafirma os corredores logísticos como motores de industrialização, comércio e integração regional;
  • Corredor de Maputo, Beira e Nacala identificados como eixos estratégicos de desenvolvimento e cooperação regional;
  • Prioridade para infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, com destaque para o Porto da Beira e o Aeroporto de Nacala;
  • Expansão do transporte rural e urbano e implementação do sistema BRT em Maputo entre os compromissos do quinquénio;

O Governo voltou a colocar os corredores logísticos no centro da estratégia nacional de crescimento económico e integração regional. No discurso de abertura do I Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Logística, o Ministro João Matlombe sublinhou que os corredores de Maputo, Beira e Nacala não devem ser vistos apenas como infra-estruturas de transporte, mas como verdadeiros motores de transformação industrial e comercial do País.

O lema do encontro — “Fazer do Transporte e Logística um motor de desenvolvimento sustentável e inclusivo” — marcou o tom da intervenção do ministro, que defendeu a transformação do sector numa âncora do crescimento económico. “Queremos transformar este sector num verdadeiro pilar da economia, capaz de dinamizar a produção nacional, estimular o investimento privado, reforçar a integração regional e garantir que nenhum moçambicano fica para trás no acesso às oportunidades do desenvolvimento”, afirmou João Matlombe.

João Jorge Matlombe, Ministro dos Transportes e Logística

Infra-estruturas estratégicas

O Governo apontou como prioritários o Porto da Beira, que deverá consolidar-se como plataforma regional de referência, e o Aeroporto de Nacala, vocacionado para responder às exigências da indústria de gás e petróleo e acelerar o crescimento da zona norte. Estes investimentos, destacou o ministro, são vitais não apenas para responder às necessidades imediatas, mas também para preparar o futuro do sector logístico nacional.

Além dos portos e aeroportos, o Executivo pretende alinhar os investimentos com a ocupação ordenada do território, estruturando estradas, ferrovias e plataformas logísticas como parte de uma rede integrada ao serviço da produção nacional e da exportação.

Transporte público e rural

O plano governamental para o quinquénio inclui ainda a expansão do transporte rural, essencial para o escoamento da produção agrícola, e a implementação de sistemas modernos de transporte urbano. Em Maputo, está prevista a introdução do Bus Rapid Transit (BRT) e a ampliação da rede ferroviária de passageiros, no sentido de criar um sistema de mobilidade inclusivo, eficiente e moderno.

Segurança rodoviária e desafios institucionais

Apesar dos avanços, o ministro alertou para a gravidade da situação em matéria de segurança rodoviária, sublinhando que o número de mortos e feridos nas estradas moçambicanas já ultrapassa a média da região. O Governo compromete-se a reforçar a fiscalização, com recurso à digitalização e modernização do INATRO, exigindo maior rigor na aplicação das normas já aprovadas.

O papel do empresariado nacional

Matlombe sublinhou ainda que não existe independência económica sem um empresariado nacional forte. A prioridade será estimular, proteger e dar protagonismo às empresas moçambicanas no sector de transportes e logística, assegurando que os benefícios da modernização ficam, em primeiro lugar, para o país.

Os corredores de Maputo, Beira e Nacala emergem, assim, como eixos de desenvolvimento económico e regional, com capacidade para transformar Moçambique numa plataforma estratégica da África Austral. Contudo, o sucesso desta visão dependerá da capacidade do país em mobilizar financiamento, implementar reformas institucionais, reforçar a segurança rodoviária e consolidar a competitividade do empresariado nacional.

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