Dívida Mundial Mantém-Se Acima De 235% Do PIB Global

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Queda no endividamento privado compensa aumento da dívida pública; EUA e China dominam dinâmicas globais

Questões-Chave:
  • Dívida global estabilizou em 235% do PIB mundial, segundo a base de dados do FMI;
  • Dívida privada caiu para menos de 143% do PIB, o nível mais baixo desde 2015;
  • Dívida pública subiu para quase 93% do PIB, atingindo 99,2 biliões USD;
  • EUA registaram subida da dívida pública para 121% do PIB, China para 88%;
  • Tendências divergentes: queda em países como Japão, Grécia e Portugal, aumento em França e Reino Unido;
  • Nos emergentes (excluindo a China), dívida pública caiu para menos de 56% do PIB;
  • FMI recomenda ajustes fiscais graduais e políticas para evitar crowding-out do sector privado.

A dívida mundial estabilizou em 2024 num patamar elevado, equivalente a 235% do PIB global, revelou a mais recente actualização da Global Debt Database do FMI. A descida no endividamento do sector privado compensou o aumento da dívida pública, mas as tendências permanecem heterogéneas entre países avançados, emergentes e de baixo rendimento. 

Em termos nominais, a dívida global atingiu 251 biliões de dólares, com a dívida pública a aumentar para 99,2 biliões USD, enquanto a dívida privada recuou para 151,8 biliões USD.

O sector privado viu a sua dívida cair para menos de 143% do PIB, o nível mais baixo desde 2015, sobretudo devido à redução do endividamento das famílias e à estagnação do crédito corporativo. Já a dívida pública cresceu para perto de 93% do PIB, impulsionada por défices fiscais persistentes, em média de 5% do PIB mundial, reflexo dos legados da pandemia e dos crescentes custos de juros.

Nos Estados Unidos, a dívida pública subiu para 121% do PIB (de 119%), enquanto a China viu a sua dívida aumentar de 82% para 88%. Excluindo os EUA, a dívida pública das economias avançadas desceu para 110% do PIB, com reduções expressivas em países como Japão, Grécia e Portugal, que compensaram as subidas em França e Reino Unido.

Nos mercados emergentes, a exclusão da China mostra um recuo da dívida pública média para menos de 56% do PIB. No entanto, a dívida privada registou trajectórias divergentes: quedas significativas nos EUA (–4,5 pontos) e em países como Chile, Colômbia e Tailândia, mas aumentos expressivos na China (+6 pontos, atingindo 206% do PIB) e em economias emergentes como Brasil, Índia e México.

Segundo o FMI, estas tendências reflectem factores múltiplos. Em alguns países, o aumento da dívida pública limita o crédito disponível ao sector privado, num típico efeito de crowding-out. Na China, a subida do endividamento corporativo não-financeiro ocorreu apesar da fraqueza no sector imobiliário, enquanto na América Latina as altas taxas de juro e o aumento de crédito para fusões e aquisições explicam o crescimento da dívida em países como Brasil e México. Em contrapartida, Chile, Colômbia e Tailândia registaram recuos devido a perspectivas de crescimento mais fracas. Nos países de baixo rendimento, a falta de desenvolvimento financeiro e as restrições de liquidez agravam os riscos.

O FMI recomenda que os governos avancem com ajustes fiscais graduais e credíveis, reduzindo a dívida pública sem sufocar o investimento privado. Ao mesmo tempo, políticas que estimulem o crescimento económico e reduzam a incerteza são vistas como essenciais para aliviar o peso da dívida e reforçar a confiança dos investidores.

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