Em queda, Rand ressente-se dos persistentes problemas da África do Sul

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O Rand, a divisa sul africana, é apontada como estando a pagar o preço dos problemas da África do Sul, com o nível de 20 por dólar agora firmemente à vista, ao mesmo tempo que os investidores se preocupam com a política monetária restritiva, o escalar da crise de energia e as falhas políticas, que estão a estrangular uma economia, em si, já em dificuldades.

A moeda despencou para um recorde de 19,8468 por dólar na quinta-feira, 25/05, depois do anúncio, pelo Banco da Reserva da África do Sul, da subida taxa básica de juros para uma máxima de duas décadas.

A decisão veio coroar seis semanas consecutivas de perdas para o rand diante de uma escassez de electricidade sem precedentes e uma disputa diplomática com os EUA sobre os laços da África do Sul com a Rússia.

Os cenários apontam para 80% de chance de o Rand  chegar a 20  dólares no próximo mês.

O banco central é citado a dizer que sua postura restritiva de política monetária era necessária para conter a inflação, mesmo alertando que mais fraqueza do rand era provável.

Mas, para os analistas, a medida adicionará pressão a uma economia que deve crescer apenas 0,3% este ano. A queda dos preços das matérias-primas e o abrandamento da China – o maior parceiro comercial da África do Sul – também estão a pesar sobre a produção e a levar os investidores a abandonar os mercados bolsistas e obrigacionistas do país.

“A saúde da economia local é agora a principal preocupação”, disse Brendan McKenna, estrategista de mercados emergentes da Wells Fargo Securities, em Nova Iorque. “É difícil fazer um argumento realmente convincente para implantar capital na África do Sul e no rand no momento.” Disse ele

“Ponto de viragem”

O Rand reduziu parte de sua queda na sexta-feira, 26/05, subindo cerca de 1% em relação ao dólar. Mas os preços das opções sugerem que mais perdas estão previstas. As reversões de risco de um mês – o prémio que os investidores pagam por opções para vender a moeda em vez daqueles para comprá-la – subiram na sexta-feira, 26/05, para o nível mais alto desde o início da pandemia.

O ciclo de alta do banco central só mudará quando a trajectória de crescimento dos preços mudar e a inflação começar a se mover para 4,5%, disse o Governador do Reserv Bank Of South Africa (SARB), Lesetja Kganyago.

Ele colocou grande parte da culpa pelo aumento dos preços na porta do Governo, que tem responsabilidade pelos altos preços administrados e regulados, incluindo electricidade e água.

Os mercados monetários estão a precificar mais 75 pontos-base de aumentos de juros até o final do ano, com o primeiro alívio de política monetária a ser projectada, para Maio de 2024.

“Embora as taxas de juros mais altas geralmente actuem para proteger o valor do Rand, chega um ponto de inflexão em que o efeito de taxas mais altas no crescimento do PIB começa a impactar negativamente a moeda”, disse Kim Silberman, economista do FirstRand Bank, que espera que o Rand permaneça sob pressão mesmo quando o Federal Reserve começar a aliviar a política e o dólar enfraquecer.

As alegações dos EUA no início deste mês de que a África do Sul forneceu armas à Rússia fizeram o rand cair mais de 5% em quatro dias.

Os investidores premium exigem manter os títulos em dólares do País em vez dos títulos do Tesouro dos EUA. Esta procura aumentou cerca de 30 bps.

A África do Sul será anfitriã da cimeira dos BRIC’s prevista para Agosto, com o Presidente russo, Vladimir Putin, na lista de convidados – outro evento de risco político que pode fazer tropeçar o Rand.

“Mais sensibilidade”

“Os mercados podem estar a atribuir mais sensibilidade a qualquer notícia, dada a recente situação geopolítica sobre a posição da África do Sul em relação à Rússia e as preferências pelo não alinhamento da política externa”, disse Erik Meyerson, estrategista-chefe de mercados emergentes da SEB AB em Estocolmo.

O SARB admitiu que os cortes de energia – referidos localmente como redução de carga – reduziriam em 2 pontos percentuais o crescimento do PIB este ano, enquanto a empresa estatal de electricidade em dificuldades, Eskom, enfrenta quebras em unidades de geração.

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