
Empresários de Palma Reivindicam Mais Benefícios do Projecto Mozambique LNG
- Empresários de Palma expressam preocupações sobre exclusão e falta de dinamismo económico local;
- Reclamam maior acesso a contratos de fornecimento de bens e serviços, incluindo hotelaria, restauração e logística;
- Director-geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, reconhece falhas de comunicação e promete aumentar compras locais;
- Empresa compromete-se a envolver directamente fornecedores agrícolas e empresariais de Palma;
- Nova reunião marcada para 11 de Setembro, visando soluções concretas para participação local.
Empresários do distrito de Palma, em Cabo Delgado, exigem maior inclusão nos benefícios do projecto Mozambique LNG, orçado em 20 mil milhões de dólares norte-americanos. Em encontro recente com a TotalEnergies, levantaram preocupações sobre o desemprego juvenil, a estagnação económica local e a falta de transparência na contratação de fornecedores, defendendo que o projecto deve ser um motor de desenvolvimento real para a região.
Durante a reunião realizada no sábado, 6 de Setembro, os empresários locais destacaram as dificuldades que enfrentam em beneficiar directamente do megaprojecto, cuja retoma está cada vez mais próxima com o esperado levantamento da cláusula de Força Maior.
Entre as queixas, sobressaiu a concentração de trabalhadores no acampamento de Afungi, que, segundo os empresários, limita o crescimento da hotelaria e restauração em Palma. “Temos alojamento e restaurantes sem clientes porque os trabalhadores estão confinados em Afungi. Isso limita o dinamismo da economia local”, disse Momed Omar, operador no sector de hotelaria.
Ema Salimo, empresária do ramo da logística, acrescentou: “Há percepção de que nem todos os produtos comprados pelo projecto vêm de empresários locais. Precisamos de mais transparência e oportunidades reais de participação”.
Face às inquietações, Maxime Rabilloud, director-geral da TotalEnergies em Moçambique, admitiu que “existem falhas de comunicação que criaram mal-entendidos”, mas assegurou que não existe intenção de reduzir a participação local. Pelo contrário, com a retoma das operações, “vamos aumentar a participação da economia local”, garantiu.
Rabilloud destacou que grande parte da alimentação dos cerca de 2.000 trabalhadores em Afungi já provém de fornecedores de Palma, incluindo produtores agrícolas, e reiterou: “O nosso compromisso é garantir que os benefícios sejam sentidos pelas comunidades e pelo sector empresarial de Palma. Estarei pessoalmente envolvido para que isso aconteça”.
Embora não tenha havido consenso, o encontro foi considerado produtivo. Uma nova reunião está agendada para 11 de Setembro, altura em que a TotalEnergies levará a Palma uma equipa especializada para recolher propostas e discutir soluções práticas. Rabilloud comprometeu-se ainda a regressar ao distrito antes do fim do mês para dar continuidade ao processo de diálogo.
“Vamos manter este diálogo permanente. O nosso objectivo é desenvolver Moçambique, Cabo Delgado e Palma em particular, e isso só será possível com a participação activa das comunidades e das empresas locais”, concluiu o responsável.
Com a aproximação do reinício formal do maior projecto de gás natural liquefeito em África, cresce a expectativa de que o dinamismo económico de Palma finalmente se traduza em benefícios directos para os empresários e para a população local.













