
HCB Reforça Papel Estratégico na Transição Energética e na Estabilidade Regional
Questões-Chave:
- A HCB forneceu 38% da energia adquirida pela EDM em 2024, reforçando a segurança energética nacional;
- Exportações energéticas para a África do Sul, Zimbabué e Zâmbia renderam US$ 431 milhões em 2024;
- MZN 2,4 mil milhões movimentados em contratos com PME’s nacionais em 2024;
- Secas severas em 2023/24 e 2024/25 reduziram em mais de 40% o caudal afluente à albufeira de Cahora Bassa;
- Aposta estratégica na diversificação energética com projectos hidroeléctricos e solares até 2033.
A celebração dos 50 anos da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) evidenciou o seu papel insubstituível na estabilidade energética de Moçambique e da África Austral. Numa conferência internacional que reuniu grandes operadores e especialistas do sector, a HCB reforçou o seu compromisso com a produção de energia sustentável, a integração regional e a adaptação às mudanças climáticas.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa entrou em 2025 reafirmando-se como pilar da transição energética em Moçambique e no espaço da SADC. Ao longo dos seus 50 anos, a empresa consolidou-se como fornecedora essencial para a Electricidade de Moçambique (EDM), tendo aumentado a quota de energia vendida à rede nacional de 25% para 38%, num total superior a 5.541 GWh.
Além do fornecimento doméstico, a HCB é responsável por exportações expressivas para a África do Sul (via Eskom), Zimbabué e Zâmbia, através da interligação com o sistema regional da SAPP. Só em 2024, essas exportações geraram 431 milhões de dólares norte-americanos.
De acordo com o Administrador Executivo, Ermínio Chiau, esta presença regional robusta tem reforçado a segurança energética, reduzido a dependência de combustíveis fósseis e incentivado uma matriz mais verde.
A componente de conteúdo local é igualmente central na estratégia da HCB, com contratos no valor de 2,4 mil milhões de meticais atribuídos a PME’s nacionais em 2024, quase duplicando os 1,3 mil milhões de 2020. Esta política tem impactos directos no tecido empresarial e nas comunidades, contribuindo para o dinamismo económico interno.
Olhando para o futuro, a empresa definiu como prioridade a expansão da capacidade de geração: até 2033, está prevista a entrada em operação da Central Norte, com 1.245 MW, e da Central Solar de Tete, com 400 MW, consolidando a ambição de tornar-se referência regional na produção de energia limpa e renovável.
Impactos Climáticos e Adaptação Estratégica
Contudo, os 50 anos da HCB coincidem com um momento de grande alerta climático. Conforme apresentou o Administrador Executivo Nilton Trindade, as secas de 2023/24 e 2024/25 foram as mais severas dos últimos 30 anos, reduzindo o caudal afluente em até 43% face à média histórica e obrigando a empresa a implementar restrições severas na produção de energia. A precipitação anual na bacia do Zambeze caiu para níveis alarmantes — 649 mm em 2023/24 — forçando uma gestão rigorosa da albufeira e impactando significativamente as receitas operacionais.
As apresentações técnicas da HCB mostraram como o fenómeno El Niño (2015/16 e 2023/24) e a subsequente La Niña (2024/25) alteraram de forma drástica o padrão hidrológico da região. A resposta da empresa incluiu a suspensão de descargas, a reconfiguração das operações e a intensificação de manutenções estratégicas em períodos de baixa.
Em resposta a estes desafios, a HCB está a investir em previsibilidade climática, modernização tecnológica e diversificação da matriz energética, com foco na hibridização (hidro, solar, eólica), numa lógica de maior resiliência e sustentabilidade.
Visão Regional e Cooperação
A conferência contou com a participação de parceiros estratégicos como Andrew Etzinger (Eskom) e Ernest Banda (ZESCO), que reconheceram o papel vital da HCB na segurança energética da África Austral. Etzinger sublinhou que “aproximadamente 90% das residências na África do Sul têm electricidade graças, em grande parte, à energia vinda de Cahora Bassa”.
Por seu lado, Banda apelou à continuidade do investimento e à adopção de estratégias regionais conjuntas para enfrentar as alterações climáticas e promover maior coordenação operacional entre as barragens do Zambeze. Ambos defenderam a diversificação energética como imperativo regional, incluindo investimentos em novos projectos como Mphanda Nkuwa.
O Caminho em Frente
Encerrando a conferência, o PCA da HCB, Tomás Matola, enfatizou que a empresa está pronta para responder à crescente demanda nacional e regional, apostando também no gás natural como fonte de transição energética. Sublinhou ainda que a HCB é, hoje, responsável por mais de 90% dos lucros líquidos do Sector Empresarial do Estado e por um contributo fiscal acumulado superior a 115 mil milhões de meticais desde a reversão.
A celebração dos 50 anos não foi apenas uma evocação do passado, mas um apelo ao futuro: consolidar a HCB como activo estratégico do Estado moçambicano, motor da industrialização e garante da estabilidade energética da região. Um compromisso com a inovação, a sustentabilidade e o desenvolvimento económico partilhado.
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