
INGD enfrenta insuficiência de fundos para responder à temporada de calamidades
Com a chegada da temporada chuvosa e o aumento do risco de ciclones e inundações, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique recebeu recentemente um financiamento de US$ 5,5 milhões para enfrentar a temporada de calamidades. No entanto, os valores recebidos até agora são insuficientes para cobrir as necessidades projetadas, especialmente considerando que se estima que 3,5 milhões de pessoas poderão ser afetadas, com 300 mil delas a necessitarem de assistência imediata.
Além disso, cerca de 400 mil hectares de culturas agrícolas estão em risco, juntamente com 400 mil escolas e 500 unidades de saúde que poderiam sofrer danos severos. O INGD sublinha que a escala das necessidades e o potencial impacto desta temporada exigem um aumento considerável no financiamento para garantir uma resposta eficaz e abrangente.
Lacuna de financiamento e os desafios enfrentados
O montante de US$ 5,5 milhões recebido representa um alívio para as operações do INGD, mas é insuficiente para cobrir o amplo leque de actividades de mitigação e resposta necessários. As operações do INGD incluem o fortalecimento de sistemas de alerta, a evacuação de áreas de risco, a realocação de pessoas afectadas, o fornecimento de abrigo, alimentos e medicamentos e a protecção de infraestruturas críticas como escolas e unidades de saúde. Esses recursos são essenciais, mas, com a amplitude das previsões, os valores atuais ficam aquém das necessidades, deixando diversas áreas em vulnerabilidade.
O INGD enfatizou a gravidade da situação, afirmando que “o apoio inicial recebido é crucial, mas não é suficiente para cobrir as necessidades que enfrentaremos se as previsões se confirmarem. Precisamos de uma mobilização adicional de fundos e de uma colaboração internacional sólida para proteger nossas comunidades e minimizar o impacto das calamidades.”
Apoio internacional e parcerias necessárias
Para responder adequadamente às calamidades previstas, o INGD está a apelar à comunidade internacional e aos parceiros de desenvolvimento para que ampliem seu apoio financeiro e técnico. O foco inclui a criação de um fundo de resposta a desastres que permita a mobilização rápida de recursos em momentos de crise, além de investimentos em longo prazo para fortalecer a infraestrutura e a resiliência climática do país.
Jaime Comiche, Representante da UNIDO em Moçambique, também reforçou a necessidade de apoio internacional contínuo: “A UNIDO está comprometida em apoiar Moçambique, mas precisamos de uma resposta coordenada e de um financiamento robusto que vá além das necessidades imediatas. A criação de infraestrutura resiliente e de capacidade de resposta rápida são essenciais para mitigar os impactos devastadores dos desastres naturais que afetam o país.”
Consequências da insuficiência de fundos
Caso os fundos adicionais não sejam mobilizados, Moçambique poderá enfrentar uma resposta limitada às calamidades, deixando comunidades em situações de vulnerabilidade crítica. A insuficiência de financiamento implica que o INGD enfrentará restrições para cobrir áreas afetadas por cheias e ciclones, dificultando a evacuação segura e a assistência em tempo hábil a pessoas em risco. Além disso, o sector agrícola, que é vital para a economia e para a subsistência de muitas famílias moçambicanas, estará particularmente vulnerável, com 400 mil hectares de culturas em risco de perda.
A falta de financiamento para proteger escolas e unidades de saúde também é um problema grave, uma vez que estas infraestruturas desempenham um papel vital na continuidade dos serviços educacionais e de saúde, especialmente durante crises. A interrupção desses serviços poderá ter consequências de longo prazo para o desenvolvimento humano e a estabilidade das comunidades afetadas.
Perspectivas e necessidade de mobilização rápida
Com as previsões de fortes chuvas e eventos climáticos severos, o INGD reforça a urgência de apoio adicional e de parcerias que possam garantir a segurança e o bem-estar da população. A necessidade de uma resposta rápida é evidente, e o INGD continua a trabalhar com parceiros locais e internacionais para identificar fontes de financiamento e desenvolver estratégias de mitigação.
Embora o INGD tenha recebido fundos iniciais, a dimensão das necessidades e o impacto projetado das calamidades tornam claro que o apoio atual não é suficiente. Moçambique precisa de uma mobilização significativa de recursos para enfrentar a temporada de calamidades com uma resposta eficiente e para garantir a segurança das suas comunidades vulneráveis.
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