
Fórum Global De Redução Da Pobreza 2026: Moçambique Defende Apoio Às PME’s E Industrialização Como Caminho Para Reduzir Pobreza E Gerar Emprego
- Intervindo em Beijing, no Fórum Global de Redução da Pobreza e Desenvolvimento, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento apresentou a estratégia moçambicana para reduzir a pobreza de 65% para 27,9% até 2044, com forte aposta nas PME’s, transformação estrutural da economia e processamento local de matérias-primas.
Questões-Chave
- Moçambique apresentou a sua estratégia de redução da pobreza no Fórum Global de Redução da Pobreza e Desenvolvimento, realizado em Beijing;
- Governo pretende reduzir a taxa de pobreza de 65% em 2022 para 27,9% em 2044;
- PME’s, industrialização e desenvolvimento económico local surgem como pilares centrais da estratégia nacional;
- Executivo destaca melhoria dos indicadores de pobreza multidimensional e redução da desigualdade social;
- Fundo de Desenvolvimento Económico Local é apontado como instrumento-chave para financiar e capacitar micro e pequenas empresas.
A redução da pobreza em Moçambique passa necessariamente pela transformação estrutural da economia, pelo fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas e pelo processamento local das matérias-primas. Esta foi a principal mensagem transmitida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, durante a sua intervenção no Fórum Global de Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026, realizado em Beijing, na República Popular da China.
O governante apresentou a visão do país para enfrentar um dos desafios mais persistentes do desenvolvimento económico, defendendo que a erradicação da pobreza exige uma combinação de crescimento económico inclusivo, investimento produtivo, fortalecimento institucional e criação de oportunidades económicas sustentáveis.
Da Cooperação Internacional À Construção De Prosperidade Partilhada
Na abertura da sua intervenção, Salim Valá enquadrou o momento no contexto do reforço das relações entre Moçambique e a China, destacando os resultados da recente visita de Estado do Presidente Daniel Francisco Chapo àquele país asiático. Segundo o Ministro, a elevação das relações bilaterais ao nível de “Comunidade de Futuro Partilhado China-Moçambique na Nova Era” constitui um exemplo de como a cooperação internacional pode contribuir para acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável.
A mensagem surge num contexto em que a pobreza continua a representar um desafio global. Citando dados internacionais, o Ministro observou que cerca de 800 milhões de pessoas permanecem em situação de pobreza extrema, enquanto os países em desenvolvimento enfrentam desafios agravados por choques climáticos, instabilidade e pressões demográficas.
Entre Retrocessos Monetários E Avanços Sociais
Um dos aspectos mais relevantes da intervenção foi a apresentação de uma leitura mais detalhada da evolução dos indicadores de pobreza em Moçambique.
Segundo o governante, os dados mostram que a pobreza monetária agravou-se entre 2014 e 2022, influenciada por factores como os eventos climáticos extremos, a instabilidade associada ao terrorismo em Cabo Delgado e a volatilidade dos preços internacionais das matérias-primas.
Contudo, o quadro não é uniforme. Salim Valá destacou que a pobreza multidimensional e a desigualdade social registaram melhorias significativas durante o mesmo período, com o coeficiente de Gini a reduzir-se de 0,51 para 0,45. Além disso, cerca de um milhão de pessoas deixaram a situação de pobreza nas zonas rurais entre 2019/20 e 2022, um facto que o Governo interpreta como evidência de que determinadas políticas públicas estão a produzir resultados positivos nas dimensões não monetárias do desenvolvimento.
ENDE E PQG Como Arquitectura Da Transformação
A resposta do Executivo está ancorada na Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 (ENDE) e no Programa Quinquenal do Governo 2025–2029 (PQG), instrumentos que definem a visão de médio e longo prazo para o país.
De acordo com a intervenção, a ambição é reduzir a taxa de pobreza de consumo de 65% em 2022 para cerca de 27,9% em 2044. Para tal, o Governo projecta uma trajectória de crescimento económico inclusivo que poderá elevar o crescimento do PIB de 2,15% em 2024 para 9,2% em 2044.
O Ministro sublinhou que esta meta exige investimentos consistentes em sectores com impacto directo sobre a qualidade de vida da população, nomeadamente saúde, educação, infra-estruturas, inovação, desenvolvimento empresarial e industrialização.
PME’s E Processamento Local No Centro Da Estratégia
O núcleo da intervenção incidiu sobre o papel das PME’s como agentes de transformação económica e redução da pobreza.
Salim Valá defendeu a criação de mecanismos robustos de apoio ao empreendedorismo e ao desenvolvimento económico local, através do acesso ao financiamento, capacitação empresarial, assistência técnica e ligações aos mercados.
Paralelamente, enfatizou a necessidade de utilizar os recursos naturais como catalisadores da industrialização nacional, defendendo uma maior aposta no processamento local das matérias-primas como forma de gerar emprego, aumentar o valor acrescentado doméstico e ampliar os benefícios económicos da exploração dos recursos do país.
Nesta linha, destacou o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) como um dos instrumentos centrais da estratégia do Governo, descrevendo-o como uma ferramenta destinada a financiar, capacitar e apoiar micro e pequenas empresas em todos os distritos e municípios do país.
Segundo o Ministro, o fundo já está a permitir que jovens e mulheres participem mais activamente na criação de riqueza e na geração de rendimentos através do seu próprio trabalho.
“A Pobreza Não É Uma Fatalidade”
Na parte final da sua intervenção, Salim Valá apresentou uma das mensagens mais fortes do discurso ao afirmar que “a pobreza não é uma fatalidade, nem é desgraça divina”, defendendo que ela resulta de escolhas económicas, desigualdades estruturais e modelos de desenvolvimento que podem ser corrigidos através de políticas adequadas e cooperação internacional efectiva.
Num momento em que Moçambique procura acelerar a implementação da ENDE 2025–2044 e mobilizar investimentos para a transformação económica, a mensagem levada a Beijing procurou posicionar o país como um parceiro activo dos esforços globais de redução da pobreza, defendendo uma abordagem baseada na criação de riqueza, na valorização dos recursos nacionais e no fortalecimento das capacidades produtivas locais.
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