Mais de 5 milhões de moçambicanos em situação de pobreza”, diz Banco Mundial no Relatório de Avaliação da Pobreza em Moçambique – 2023

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Entre os anos 2015 a 2020, o número de pobres em Moçambique aumentou de 13,1 para 18,9 milhões de moçambicanos, e a taxa de pobreza subiu de 48,4% para 62,8% em toda a população, mostram os indicadores do Relatório de Avaliação da Pobreza em Moçambique 2023, do Grupo Banco Mundial, indicando um ‘Retrocesso na Redução da Pobreza em Tempos de Choques Cumulativos’.

A Avaliação da Pobreza 2023 fornece uma análise da pobreza e da equidade do período de 2015 a 2020, baseando-se principalmente em dados do inquérito ao orçamento familiar de 2019/20 (IOF 2020), realizado durante a pandemia da COVID-19. Este choque teve impactos grandes e abrangentes, constituindo um retrocesso significativo no panorama socioeconómico.

O período analisado neste relatório (2015 a 2020) foi caracterizado por uma elevada volatilidade económica, tanto a nível interno como global, o que explica a inversão significativa da redução da pobreza.

Choques como a crise das dívida ocultas e a consequente instabilidade macroeconómica levaram a um abrandamento significativo do crescimento do PIB. A fragilidade económica foi ainda agravada pelos efeitos de dois fortes ciclones (Kenneth e Idai) que atingiram o país em 2019. O relatório, conclui que a pandemia de COVID-19 duplicou o aumento da pobreza, acrescentando mais sete pontos percentuais.

Entretanto, os dados mostram que a deterioração das dimensões não monetárias do bem-estar das famílias começou antes da COVID-19, tendo a pandemia exacerbado esta tendência negativa.

Globalmente, revela o relatório, a pobreza continua a concentrar-se de forma desproporcionada no Norte, tanto em termos absolutos como relativos, pois os conflitos e a fragilidade exacerbaram a incidência da pobreza nesta parte do país.

Ao mesmo tempo, a desigualdade permanece elevada, com um rácio de Gini de 50,4 por cento, que ilustra que a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos ainda é elevada, isto apesar de ter registado uma descida de 5,7 por cento, de 56,1 para 50,4 por cento.

Não obstante, o consumo médio diário por pessoa é de 50,8 meticais e o consumo médio mensal por família é de 11.900 meticais, respectivamente.

Segundo o relatório, embora os choques sejam em grande parte responsáveis pelo retrocesso significativo na redução da pobreza, as questões estruturais persistentes explicam os níveis persistentemente elevados de pobreza extrema. “A lenta transformação económica impede o crescimento e uma melhoria mais rápida das condições de vida”, realça.

Compulsados os dados, o relatório infere que que o número de pobres poderia ter aumentado em cerca de 3 milhões durante este período, mesmo sem os efeitos da pandemia. Contudo, a crise da dívida, os ciclones, o terrorismo e a COVID 19 foram de facto factores agravantes na redução do nível de crescimento económico em Moçambique.

Em conclusão, o crescimento e a redução da pobreza em Moçambique, ambos abrandaram na última década.

“Embora Moçambique espera desfrutar de um boom de recursos naturais, que tem o potencial de impulsionar um forte crescimento económico e reduzir a pobreza, este resultado ainda não é garantido. Experiências de outros países mostram que os efeitos económicos globais dos booms de recursos naturais podem ser mistos. No entanto, se bem geridos, os efeitos naturais, a expansão dos recursos, têm o potencial de alimentar o rápido crescimento económico, o que pode ajudar a acelerar a redução da pobreza se o crescimento for partilhado por toda a distribuição de rendimentos”.  Argumenta o relatório.

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