A fundição, que iniciou suas operações em 2000 e foi expandida em 2003, é responsável por aproximadamente 3,9% do produto interno bruto de Moçambique. Trata-se de uma das maiores unidades industriais de Moçambique cujas actividades foram substancialmente afectadas pela violências das manifestações pós eleitorais que se agudizaram nos últimos dias, particularmente na Província de Maputo , que significou um momento de instabilidade sem precedentes no País, facto que levou a South32 Limited, empresa-mãe da Mozal Aluminium, a emitir um comunicado, dando a conhecer que os bloqueios nas principais vias rodoviárias têm comprometido o transporte de matérias-primas essenciais às operações da Mozal, forçando a adopção de planos de contingência para minimizar os impactos nas actividades produtivas. 

Como resultado, a South32 retirou a orientação de produção para a unidade, sublinhando a necessidade de flexibilidade estratégica num ambiente operacional em constante evolução. Apesar das dificuldades, a empresa reforçou que a segurança e o bem-estar dos trabalhadores permanecem como prioridade máxima, com registo de operações seguras até à data.

Resiliência em face das adversidades

A Mozal enfrenta desafios operacionais substanciais decorrentes das tensões pós-eleitorais. Os bloqueios rodoviários, que afectam o transporte de matérias-primas e produtos acabados, criam barreiras logísticas que comprometem a regularidade das operações. No entanto, em resposta a perguntas do O. Económico, a empresa diz que abordou a situação de forma proactiva, implementando estratégias de mitigação que têm assegurado a continuidade da produção e preservado a integridade da cadeia de valor. “Esta resiliência é reflexo de uma capacidade robusta de adaptação a cenários adversos”.

Contribuição económica de relevo

A Mozal continua a ser um pilar crucial da economia moçambicana, tanto em termos de impacto directo como de efeitos multiplicadores. Representando 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a empresa desempenha um papel central no sector industrial. É responsável por cerca de 33% dos empregos no sector da manufactura na Cidade de Maputo, e a remuneração do seu quadro permanente contribui com quase 20% do total de remunerações na indústria manufactureira do País. Adicionalmente, a Mozal representa aproximadamente 40% da produção manufactureira nacional, evidenciando a sua importância estratégica.

Em 2021, a empresa empregava mais de 5.400 pessoas, entre funcionários directos e contratados, enquanto se estima que o impacto multiplicador das suas actividades tenha criado cerca de 21.000 empregos adicionais na economia. Este contributo significativo estende-se também ao campo fiscal, onde a Mozal figura como um dos maiores contribuintes de impostos directos, representando 9,1% da receita fiscal directa em 2021, o equivalente a 21,6 milhões de dólares em impostos relacionados com a segurança social e rendimentos de trabalhadores.

Além da sua relevância económica, os investimentos sociais da Mozal, que totalizam 25 milhões de dólares entre 2015 e 2023, contribuíram para reforçar o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável. Estes recursos têm sido aplicados em sectores fundamentais como educação, saúde e infra-estruturas comunitárias, impactando positivamente a qualidade de vida das comunidades locais.

Impactos nas operações logísticas e exportações

As tensões políticas em Moçambique não apenas dificultaram a logística, mas também introduziram incertezas que afectam os fluxos de exportação da Mozal. As rotas bloqueadas e os atrasos no transporte de matérias-primas ameaçam a eficiência operacional, colocando pressão adicional sobre um sector já sensível às dinâmicas globais de mercado. Estes constrangimentos podem ter repercussões directas na competitividade do sector industrial e extractivo do País.

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