A Associação Industrial de Moçambique (AIMO) descreve a situação actual do sector da Indústria de Materiais de Construção, como “ difícil”.

A AIMO olha para a indústria dos materiais de construção, como um sector onde existem algumas unidades de produção com um bom desenvolvimento tecnológico, em especial nas empresas de referência no mercado, no entanto, muitas unidades ainda manifestam um processo de produção irregular, consequência sobretudo de factores como, equipamento tecnológico obsoleto e insuficiente, mercado irregular e concorrência desleal, escassez de capital para investimento e  baixo nível de especialização da mão-de-obra.  

Segundo, Mubarak Razak, Vice-Presidente da AIMO, intervindo na mesa redonda recentemente organizada pelo Governo visando encontrar formas de dinamizar a área dos materiais de construção, a produção local de materiais de construção é manifestamente insuficiente, para além do facto de ser uma área em que se importa tudo o resto.

“Internamente produz-se apenas inertes, cimento, produtos de cerâmica que se resumem a tijolos e telhas, e produtos de acabamentos que se resumem a tintas”, disse o empresário do ramo e Vice-Presidente da AIMO.

Reportando-se ao contexto empresarial, Mubarak Razak, aludiu que “salvo raras excepções, as empresas locais tendem a ser menos competitivas por conta de desafios tecnológicos, de capital, de recursos humanos e institucionais”.

O dirigente associativo empresarial, apresentou um quadro do sector onde a comercialização dos materiais é feita por uma mescla de operadores formais e informais, com estes últimos a usufruírem de “um mercado onde se regista uma grande procura por conta do baixo preço praticado, apesar da qualidade questionável”.

“Esta situação que favorece alguns negócios oportunísticos, prejudica aqueles que desejam trabalhar com honestidade e rigor, na medida que distorce as regras do mercado”, através de práticas como a fuga aos impostos, deficientes fiscalizações de obras, entre outros.

Ainda descrevendo o contexto do sector dos materiais de construção, Mubarak Razak referiu-se ao facto de os empreiteiros estrangeiros tenderem a importar dos países de origem toda a sua necessidade de materiais, num sector em que devido a insuficiente fiscalização da qualidade dos materiais de construção, mesmo os materiais importados tendem a ser de fraca qualidade.

Para a AIMO, estes constrangimentos têm soluções e tais passam fundamentalmente pela alavancagem da transformação e a produção local de matérias de construção cuja matéria- prima é de ocorrência local, a par da implementação de um conjunto de medidas institucionais que promovam a indústria      de matérias de construção.

Entre as medidas a proposta da AIMO, destacam-se os incentivos fiscais para apoio as empresas de materiais de construção civil e seus fabricantes e a proteção a indústria nacional.

“É necessário que se crie uma política que viabilize o desenvolvimento de produção e do mercado interno”, disse Mubarak.

Entre 2017 e 2021 foram aprovados cerca de 27 projectos produção de materiais de construção diversos que representaram um investimento total a rondar os US% 162 milhões.

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