
Nenhum País em África está “parado” no que concerne ao desenvolvimento do mercado financeiro
- Membros do painel de lançamento da AFMI – African Financial Markets Initiative,AFMI debatem os progressos
Os choques globais dos últimos anos podem ter feito descarrilar os avanços políticos. Mas os países africanos estão a emergir mais resistentes à medida que continuam a tomar medidas para melhorar os seus mercados financeiros, concluiu Katerina Liu Analista de Investigação no Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF), num trabalho por si dsencadeado e que tornou publico esta semana, por ocasião da sétima edição anual do Índice dos Mercados Financeiros Africanos do Absa, lançada a 12 de Outubro, que destaca os novos sinais de progresso para a maioria de um total de 28 países do Iniciativa para os Mercados Financeiros Africanos (AFMI – African Financial Markets Initiative, em inglês), com a inclusão da Tunísia e de Cabo Verde.
A autora observa que as pontuações aumentaram em 15 países, em grande parte devido a uma melhoria da transparência do mercado, em particular devido a um aumento do número de notações de crédito. As condições macroeconómicas na maioria dos países AFMI também se estabilizaram, de um modo geral, após os choques globais, o que conduziu a pontuações mais elevadas.
Realizado durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional/Banco Mundial em Marraquexe, o OMFIF reuniu um painel de peritos de várias instituições financeiras em África para explorar a forma como os países da AFMI recuperaram e trabalharam para desenvolver ainda mais os seus mercados financeiros.
Quando analisamos país a país, é difícil encontrar um país que, nos 12 meses anteriores, não tenha feito algo activamente para ajudar a encorajar mercados abertos, transparentes ou acessíveis e, por isso, nenhum país aqui está parado”, observou Jeff Gable, Director de Pesquisa Macro e de Rendimento Fixo do Absa.
Recuperação dos choques globais
As condições económicas globais estão a revelar-se difíceis de gerir. Lucie Villa, Vice-Presidente e responsável sénior de crédito do Grupo de Risco Soberano da Moody’s Investors Service, enumera o choque da inflação e as dificuldades de acesso ao financiamento externo como factores que estão a “exercer pressão sobre a liquidez do mercado interno”.
Apesar destas condições macroeconómicas, o aumento das pontuações AFMI de muitos países reflecte o aumento da resiliência que os países AFMI incorporaram nos seus mercados financeiros. O relatório conclui que este facto está directamente relacionado com os esforços envidados por todos os países inquiridos para melhorar a diversidade dos produtos, incorporar medidas ambientais, sociais e de governação nos mercados financeiros e melhorar a transparência.
Augustine Simons, Director do Mercado de Rendimento fixo na Bolsa de Valores do Gana, discutiu os efeitos do aumento da inflação e das taxas de juro, explicando em que medida esses impactos no seu mercado divergem. Simons explica que se trata de uma “altura muito difícil para o mercado [ganês]”. Salienta a importância de colaborar com os participantes no mercado, em particular com os gestores de fundos de pensões, para garantir a actividade do mercado e, consequentemente, a liquidez.
Por outro lado, Chakudza Linje, Director dos Mercados Financeiros do Banco da Reserva do Malawi, salientou uma vantagem destas condições de mercado para o Malawi, onde se regista um aumento da taxa de poupança-reforma, razão pela qual se assistiu a um “enorme aumento do mercado de acções”.
A sustentabilidade e as medidas ESG são uma prioridade
Os produtos Environmental, Social, and Governance (ESG) podem também desbloquear novas fontes de financiamento numa altura em que muitos países africanos são mantidos fora dos mercados de capitais internacionais. Durante o painel de discussão, Simons, Linje e Emmanuel Maluke Letete, Governador do Banco Central do Lesoto, concordam que a sustentabilidade é uma oportunidade para os seus países melhorarem o acesso ao financiamento.
Embora, como diz Linje, “ainda estejamos a tentar desenvolver essa parte do mercado”, Simons explica o optimismo do Gana em relação a esta oportunidade. Por exemplo, a Bolsa de Valores do Gana publicou um manual de orientação ESG que, “dentro de alguns anos”, abrirá caminho à entrada de produtos ESG no mercado e ajudará as empresas ganesas a serem mais responsáveis pelo impacto das suas actividades.
Letete espera que, dentro de “cinco a seis anos”, as suas pontuações no AFMI melhorem graças à introdução de medidas ESG. O Banco Central do Lesoto está a trabalhar activamente numa directriz para a emissão de obrigações verdes, que espera emitir “provavelmente nos próximos dois anos”.
As medidas ESG destinam-se também a atenuar os efeitos das alterações climáticas e a criar resiliência nos quadros ou na regulamentação do mercado financeiro. Linje descreve como o Banco de Reserva do Malawi tenciona trabalhar com a NDC Partnership para efectuar uma análise de diagnóstico completa dos mercados de capitais para desenvolver a resiliência do seu sistema financeiro às alterações climáticas. Dado que o Malawi sofreu uma série de ciclones devastadores nos últimos anos, com efeitos graves para o seu ambiente macroeconómico, Linje sublinha a “necessidade, enquanto país, de garantir a nossa protecção”.
Olhando para o futuro
Quando questionados sobre o que gostariam de ver no futuro dos mercados financeiros em África, os membros do painel têm como tema comum a utilização da educação dos investidores, a melhoria da profundidade do mercado e o aumento do número de produtos disponíveis. Chegar a um ponto em que a liquidez deixe de ser uma preocupação pode envolver parcialmente uma série de factores. Estes incluem a sustentabilidade para garantir a protecção contra os efeitos das alterações climáticas, o acesso adequado ao financiamento, a profundidade do mercado para encorajar mais financiamento que possa reverter para os seus países e a literacia financeira para encorajar um público investidor mais conhecedor.
Estas são áreas que os membros do painel reconhecem necessitarem de mais trabalho, para além de abordarem outras questões levantadas no painel, como o regime fiscal, a aplicabilidade e a recuperação contínua dos choques macroeconómicos. Villa encerrou o debate com um comentário optimista de que os países estão, pelo menos, “a ir na direcção certa e a reconhecer que haverá um caminho relativamente longo para chegar a esse nível [da África do Sul ou da Namíbia]”.
Os membros do painel estão esperançados e, com os progressos que os países do AFMI fizeram nos últimos sete anos, desde que o índice foi criado, os próximos sete anos poderão trazer mais avanços.
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